Soluções Física – Semana 121

por

Escrito por Wanderson Faustino Patricio 

Iniciante

[spoiler title=’Assunto abordado’ style=’default’ collapse_link=’true’]Cinemática [/spoiler][spoiler title=’Solução ‘ style=’default’ collapse_link=’true’]

(a) Para que a raposa capture o coelho, a posição horizontal deles deve ser a mesma.

A velocidade horizontal da raposa é $$v_{h_B}=v\sin{\theta}$$.

A velocidade horizontal do coelho é $$v_{h_A}=v$$.

Vemos que a velocidade horizontal da raposa é sempre menor que a do coelho. Portanto a raposa não capturarå o coelho.

(b) Seja $$r$$ a distância entre a raposa é o coelho, e $$x$$ a distância horizontal entre os dois.

$$v_x=v-v\sin{\theta}$$

$$v_r=v\sin{\theta}-v$$

$$\rightarrow v_r=-v_x$$

Peguemos dois instantes de tempo muito próximos um do outro, $$t_{n-1}$$ e $$t_n$$

$$\dfrac{r_n-r_{n-1}}{t_n-t_{n-1}}=-\dfrac{x_n-x_{n-1}}{t_n-t_{n-1}}$$

$$\rightarrow x_n+r_n=x_{n-1}+r_{n-1}$$

Se repetirmos esse processo para os instantes $$n-2$$, $$n-3$$, … , $$n-k$$, encontraremos o mesmo resultado, que é válido para o instante inicial. No início $$x_0=0$$ e $$r_0=d$$. Portanto, para qualquer instante:

$$x+r=d$$

Na distância mínima a distância entre eles é igual a distância horizontal ($$x=r_{min}$$).

$$r_{min}+r_{min}=d$$

$$\rightarrow r_{min}=\dfrac{d}{2}$$

[/spoiler][spoiler title=’Gabarito ‘ style=’default’ collapse_link=’true’]

(a) Não consegue capturar.

(b) $$r_{min}=\dfrac{d}{2}$$

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Intermediário

[spoiler title=’Assunto abordado’ style=’default’ collapse_link=’true’]Termodinâmica e oscilações [/spoiler][spoiler title=’Solução ‘ style=’default’ collapse_link=’true’]

Vamos olhar para a configuração de forças na bolinha;

 

Definiremos o eixo $$x$$ positivo para baixo. Portanto, vemos que se $$x$$ aumenta o volume diminui. Seja a variação de volume $$\Delta V$$:

$$\Delta V=-\pi a^2 x$$

Olhando para a condição de equilíbrio sabemos que a força resultante é zero.

$$F_{gas}=mg \rightarrow P_0\cdot \pi a^2=mg$$

$$\rightarrow P_0=\dfrac{mg}{\pi a^2}$$

Como não há troca de calor com o meio externo o processo realizado no gás e adiabåtico. Para o processo adiabåtico o produto $$P\cdot V^{\gamma}$$ é constante.

$$PV^{\gamma}=P_0V_0^{\gamma}$$

$$P_0V_0^{\gamma}=P(V_0+\Delta V)^{\gamma}$$

$$\rightarrow P=P_0\left (1+\dfrac{\Delta V}{V_0}\right )^{-\gamma}$$

Para deslocamentos pequenos $$\Delta V<<V_0$$, ou $$\dfrac{\Delta V}{V_0}<<1$$. Podemos, portanto, utilizar a aproximação binomial:

Se $$\left | x\right | <<1 \rightarrow (1+x)^n\approx 1+nx$$

Portanto:

$$P\approx P_0\left ( 1-\gamma \dfrac{\Delta V}{V_0}\right)$$

$$P=P_0\left ( 1+ \dfrac{\gamma \pi a^2 x}{V_0}\right)$$

Aplicando a $$2^a$$ lei de Newton na bolinha:

$$m\ddot x=mg-F_{gas}=mg-P\cdot \pi a^2$$

$$m\ddot x=mg-P_0\left ( 1+ \dfrac{\gamma \pi a^2 x}{V_0}\right)\pi a^2$$

Sabemos que $$P_0=\dfrac{mg}{\pi a^2}$$.

$$m\ddot x=mg-mg\left ( 1+ \dfrac{\gamma \pi a^2 x}{V_0}\right)$$

$$\ddot x =-\left (\dfrac{\gamma \pi a^2 g}{V_0}\right ) x$$

Essa é a equação de um MHS. A frequência angular desse movimento será:

$$\omega =\sqrt{\dfrac{\gamma \pi a^2 g}{V_0}}=\dfrac{2\pi}{T}$$

$$\rightarrow \gamma=\dfrac{4\pi V_0}{a^2gT^2}$$

[/spoiler][spoiler title=’Gabarito ‘ style=’default’ collapse_link=’true’]

$$\gamma=\dfrac{4\pi V_0}{a^2gT^2}$$

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Avançado

[spoiler title=’Assunto abordado’ style=’default’ collapse_link=’true’]

Eletrodinâmica / circuitos de corrente alternada

[/spoiler]

[spoiler title=’Solução ‘ style=’default’ collapse_link=’true’]

(a) Essa questão será resolvida de dois modos: resolvendo a equação diferencial para o circuito tal qual ele aparece e utilizando uma visão “complexa” (utilizando números complexos) para o circuito.

$$1^a$$ Solução:  Analisando o circuito tal como ele é.

Aplicando as leis de Kirchoff no circuito temos:

$$V_i+V_{resistor}+V_{capacitor}=0$$

$$V_t\cos{\left(\omega t\right)} – RI-\dfrac{Q}{C}=0$$

Sendo $$I=\dfrac{dQ}{dt}=\dot Q$$ temos:

$$R\dot Q+\dfrac{Q}{C}=V_t\cos{\left(\omega t\right)}$$

Haverão duas soluções para essa EDO uma homogênea e uma particular.

(I) Solução homogênea: 

$$R\dot {Q}_{h}+\dfrac{Q_h}{C}=0$$ (Eq 1)

A solução será do tipo:

$$Q_h=A\cdot e^{pt} \rightarrow \dot {Q}_{h}=A\cdot p\cdot e^{pt}$$

Voltando à (Eq 1):

$$R\cdot A\cdot p\cdot e^{pt}+\dfrac{ A\cdot e^{pt}}{C}=0$$

$$\rightarrow p=-\dfrac{1}{RC}$$

$$\rightarrow Q_h=A\cdot e^{-\frac{t}{RC}}$$

(II) Solução particular

A solução particular terá a aparência da função da tensão alternada.

$$Q_p=A\sin{\left(\omega t\right)} +B\cos{\left (\omega t\right)}$$

$$\dot {Q}_{p}=\omega A\cos{\left(\omega t\right)}-\omega B\sin{\left(\omega t\right)}$$

$$V_t\cos{\left(\omega t\right)}=R\left(\omega A\cos{\left(\omega t\right)}-\omega B\sin{\left(\omega t\right)}\right)+\dfrac {A\sin{\left(\omega t\right)} +B\cos{\left (\omega t\right)}}{C}$$

Chegamos ao seguinte sistema:

$$\begin{cases} \dfrac{A}{C}-\omega R B=0\\ \omega RA+\dfrac{B}{C}=V_t \end{cases}$$

Logo:

$$A=\dfrac{\omega R C^2 V_t}{1+\omega^2 R^2 C^2}$$ e $$B=\dfrac{CV_t}{1+\omega^2 R^2 C^2}$$

$$\rightarrow Q_p=\sqrt{A^2+B^2}\left(\dfrac{A}{\sqrt{A^2+B^2}}\cos{(\omega t)}+\dfrac{B}{\sqrt{A^2+B^2}}\sin{(\omega t)}\right)=\rho\cos{(\omega t – \theta)}$$

Onde: $$\rho=\sqrt{A^2+B^2}$$ e $$\theta =\tan^{-1}{\left (\frac{B}{A}\right)}$$

A solução geral para a EDO será a soma da homogênea com a particular:

$$Q(t)=Q_h+Q_p=A\cdot e^{-\frac{t}{RC}}+\rho\cos{(\omega t – \theta)}$$

Perceba que a solução homogênea é uma exponencial decrescente. Após muito tempo esse termo tenderá a zero, portanto, o termo que influenciará na oscilação será somente a solução particular. Logo, a amplitude de oscilação será $$V_0=\dfrac{\rho}{C}$$.

$$CV_0=\rho=\sqrt{A^2+B^2}=\sqrt{\left(\dfrac{\omega RC^2V_t}{1+\omega^2R^2C^2}\right)^2+\left(\dfrac{CV_t}{1+\omega^2R^2C^2}\right)^2}=\dfrac{CV_t}{\sqrt{1+\omega^2R^2C^2}}$$

$$\rightarrow V_0=\dfrac{V_t}{\sqrt{1+\omega^2R^2C^2}}$$

$$2^a$$ Solução: Visão complexa do circuito.

Para compreensão dessa solução você precisa ter experiência de como trabalhar com números complexos.

Primeiramente considere as notações: $$i=\sqrt{-1}$$ e $$Re(z)$$ denota a parte real do número complexo $$z$$.

Sabendo que $$e^{i\theta}=\cos{\theta}+i\sin{\theta}$$, perceba que $$V_t\cos{(\omega t)}=Re(V_te^{i\omega t})$$.

Seja o número complexo $$z$$ da forma: $$z=a+bi$$.

$$(I) \dfrac{d\left(Re(z)\right)}{dt}=\dfrac{da}{dt}$$

$$(II) Re\left(\dfrac{dz}{dt}\right)=\dfrac{da}{dt}$$

$$\rightarrow \dfrac{d\left(Re(z)\right)}{dt}=Re\left(\dfrac{dz}{dt}\right)$$

Como para o nosso circuito estamos apenas resolvendo uma EDO, podemos encontrar uma solução complexa que atenda às mesmas equações e retirar a parte real após encontrá-la. Nessa solução desconsideraremos o termo homogêneo, visto que ele não influencia na oscilação.

Suponha que a solução complexa para a corrente seja $$\overline{I}=k\cdot e^{i\omega t}$$. A carga será:

$$\int_0^{\overline{Q}} dQ=\int_0^t \overline{I}dt=\int_0^t k\cdot e^{i\omega t} dt$$

$$\overline{Q}=\dfrac{k}{i\omega} e^{i\omega t}$$

Voltando a Lei das malhas:

$$V_i+V_{resistor}+V_{capacitor}=0$$

$$V_i-R\overline{I}-\dfrac{\overline{Q}}{C}=0$$

$$V_t\cdot e^{i\omega t}-R\cdot k\cdot e^{i\omega t}-\dfrac{k}{i\omega C}e^{i\omega t}=0$$

$$\rightarrow k=\dfrac{V_t}{R+\frac{1}{i\omega C}}$$

A carga será:

$$\overline{Q}=\dfrac{\frac{1}{i\omega}}{R+\frac{1}{i\omega C}} V_te^{i\omega t}$$

A voltagem complexa será portanto:

$$\rightarrow \overline {V}=\dfrac{\overline{Q}}{C}=-\dfrac{\frac{i}{\omega C}}{R-\frac{i}{\omega C}} V_te^{i\omega t}$$

Podemos escrever o número complexo $$z=a+bi$$ como $$z=\sqrt{a^2+b^2}\cdot e^{i\alpha}$$, onde $$\alpha=\tan^{-1}{\frac{b}{a}}$$. Portanto:

$$\overline {V}=\dfrac{1}{\omega C} e^{-i\frac{\pi}{2}}\cdot \dfrac{1}{\sqrt{R^2+\frac{1}{\omega^2 C^2}}e^{i\theta}}V_t\cdot e^{i\omega t}$$

$$\rightarrow \overline{V}=\dfrac{V_t}{\sqrt{1+\omega^2R^2C^2}}\cdot e^{i(\omega t+\theta -\frac{\pi}{2})}$$

Essa é a solução complexa para a voltagem no capacitor, porém, desejamos a solução real pro circuito:

$$V=Re(\overline {V})$$

$$V=\dfrac{V_t}{\sqrt{1+\omega^2R^2C^2}}\cos{(\omega t+\theta -\frac{\pi}{2})}$$

Chegamos assim a amplitude $$V_0$$ de oscilação:

$$\rightarrow V_0=\dfrac{V_t}{\sqrt{1+\omega^2R^2C^2}}$$

(b) inicialmente precisamos ver as “condições de contorno” da função.

$$(I)$$ Para $$\omega=0$$, $$V_0=V_t$$.

$$(II)$$ Para $$\omega$$ muito grande ($$\omega \rightarrow \infty $$), $$V_t \rightarrow 0$$.

$$(III)$$ $$\dfrac{dV_0}{d\omega}=-\dfrac{\omega R^2C^2 V_t}{(1+\omega^2R^2C^2)^{\frac{3}{2}}}\leq 0 $$, $$\forall \omega \geq 0$$.

Para os valores positivos de $$\omega$$ a função é decrescente, e para $$\omega=0$$ a derivada é zero.

$$(IV)$$ $$\dfrac{d^2V_0}{d\omega^2}=\dfrac{R^2C^2(2\omega^2R^2C^2-1)V_t}{(1+\omega^2R^2C^2)^{\frac{3}{2}}}$$

Se $$0\leq \omega <\dfrac{1}{\sqrt{2}RC}$$, $$\dfrac{d^2V_0}{d\omega^2}<0$$. Se $$\omega >\dfrac{1}{\sqrt{2}RC}$$ , $$\dfrac{d^2V_0}{d\omega^2}>0$$. Portanto, a concavidade do gráfico inicialmente está virada para baixo e depois ficará virada pra cima.

Juntando essas informações chegamos ao seguinte esboço:
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[spoiler title=’Gabarito’ style=’default’ collapse_link=’true’]

(a) $$V_0=\dfrac{V_t}{\sqrt{1+\omega^2R^2C^2}}$$

(b)

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