Soluções Física - Semana 125

Escrito por Ualype Uchôa

Iniciante:

Assunto abordado

Conservação da Energia Mecânica

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Solução

a) A condição limite para que a bolinha consiga completar a meia-volta é de que, ao chegar no topo do loop, ela fique na iminência de perder o contato com a superfície deste. Nesse caso, a força normal é nula e o peso atua como resultante centrípeta, e daí achamos sua velocidade v_{top} no topo do loop:

mg=\dfrac{mv_{top}^2}{R},

v_{top}=\sqrt{gR}.

Como o trajeto inteiro é liso, não há forças dissipativas e a Energia Mecânica se conserva. Apliquemos a conservação da energia mecânica para as posições inicial e final (bolinha no topo do loop), adotando um nível de referência no solo para o cálculo das energias potenciais gravitacionais e lembrando que a energia cinética inicial é nula:

mgd=mg(2R)+\dfrac{mv_{top}^2}{2}.

A razão d/R mínima para que a partícula dê a volta ocorrerá quando v=\sqrt{gR}, como vimos. Substituindo:

d=2R+\dfrac{R}{2} \therefore

\therefore \boxed{\left(\dfrac{d}{R}\right)_{min}=\dfrac{5}{2}}.

b) De imediato, percebemos que a razão d/R é menor do que a calculada anteriormente, o que implica que a partícula perde o contato com o loop antes de chegar no seu topo. Veja o esquema abaixo, que ilustra o momento de interesse:

Figura 1: Esquema do momento em que a partícula descola da superfície.

Seja \theta o ângulo com a horizontal medido a partir do centro da circunferência. Nessa situação, apenas a componente radial do peso atua como resultante centrípeta. Sendo v_0 a velocidade da bolinha nesse instante:

mg \sin{\theta}=\dfrac{mv_0^2}{R},

v_0=\sqrt{gR\sin{\theta}}.

Podemos relacionar os parâmetros envolvidos utilizando a conservação da Energia Mecânica entre a posição inicial e aquela na qual ocorre a perda de contato com a superfície:

mgh=mgR\left((1+\sin{\theta}\right)+\dfrac{mv_0^2}{2},

Substituindo v_0=\sqrt{gR\sin{\theta}}, h=2R (do enunciado) e isolando \theta, encontramos

\sin{\theta}=\dfrac{2}{3}.

A partir de agora, deve-se analisar o que acontece com a partícula após descolar da superfície: somente a força peso na vertical atuará nela, e, por ter uma velocidade v_0 inclinada em relação à horizontal/vertical, irá realizar um lançamento oblíquo. A altura máxima desse lançamento corresponde à altura máxima alcançada pela bolinha em todo o seu movimento após o abandono no ponto A. Determinemos a altura máxima H (em relação ao solo) usando a conservação da energia mecânica entre a posição A e a de maior altura. Lembrando que a componente horizontal da velocidade inicial, de módulo v_0 \sin{\theta} (a velocidade inicial está inclinada de \theta com a vertical) é constante durante o lançamento, escrevemos que:

mgh=mgH+\dfrac{m\left(v_0 \sin{\theta}\right)^2}{2},

Por fim, substituindo v_0=\sqrt{gR \sin{\theta}} e \sin{\theta}=\dfrac{2}{3}:

2R=H+\dfrac{R\sin^3{\theta}}{2}=H+\dfrac{4R}{27},

\boxed{H=\dfrac{50}{27}R}.

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Gabarito

a) \boxed{\left(\dfrac{d}{R}\right)_{max}=\dfrac{5}{2}}.

b) \boxed{H=\dfrac{50}{27}R}.

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Intermediário:

Assunto abordado

Gravitação

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Solução

Primeiramente, definamos um sistema de coordenadas cartesianas:

\cdot Origem no centro da Terra.

\cdot O eixo x aponta no sentido Terra-Sol.

\cdot O eixo y aponta para o Polo Norte do Sol.

\cdot O eixo z aponta no sentido de translação da Terra em torno do Sol.

Com isso, podemos escrever as distâncias de um ponto qualquer à Terra e ao Sol, utilizando suas coordenadas \left(x,y,z\right). Sendo elas d_T e d_S, respectivamente, vale, pelo Teorema de Pitágoras:

d_T^2=x^2+y^2+z^2,

e como o centro do Sol está em \left(D,0,0\right):

d_S^2=(x-D)^2+y^2+z^2.

Agora, achemos o local geométrico que determina a coleção de pontos nos quais a atração gravitacional do Sol possui mesmo módulo daquela devido à Terra. Igualando os módulos dessas forças (a massa de prova irá se cancelar em ambos os membros):

\dfrac{GM}{d_S^2}=\dfrac{Gm}{d_T^2}

Substituindo d_S e d_T, e após uma manipulação algébrica, chegamos em:

x^2+\dfrac{2mD}{M-m}x+y^2+z^2=\dfrac{mD^2}{M-m}.

Para tornar essa expressão mais "familiar", somemos \left(\dfrac{mD}{M-m}\right)^2 em ambos os membros, de forma a completar o quadrado perfeito no membro da esquerda, o que nos leva à seguinte equação:

\boxed{\left(x+\dfrac{mD}{M-m}\right)^2+y^2+z^2=\left(\dfrac{D\sqrt{mM}}{M-m}\right)^2}.

Que define uma esfera em três dimensões:

\left(x-x_0\right)^2+\left(y-y_0\right)^2+\left(z-z_0\right)^2=R^2.

Cujo raio é:

\boxed{R=\dfrac{D\sqrt{mM}}{M-m}}.

Como queríamos demonstrar.

A equação encontrada nos diz que as coordenadas do centro \left(x_0,y_0,z_0\right) são:

\boxed{\left(-\dfrac{mD}{M-m},0,0\right)}.

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Gabarito

Demonstração.

Coordenadas do centro da esfera: \boxed{\left(-\dfrac{mD}{M-m},0,0\right)}.

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Avançado:

Assunto abordado

Mecânica do Corpo Rígido e Oscilações

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Solução

Como a força peso é vertical e sua linha de ação passa pelo CM, concluímos, das três situações mostradas, que o CM está em algum lugar da linha pontilhada na figura abaixo. Vamos chamar de x_1, x_2 e x_3 as respectivas distâncias do CM até o ponto de apoio nas situações 1, 2 e 3.

Figura 2: Ilustração do cabide com as distâncias x_1, x_2 e x_3 até o CM.

Da geometria:

x_1+x_2=l,

e

2\sqrt{x_3^2-x_2^2}=L.

Agora, utilizemos o teorema dos eixos paralelos para relacionar os momentos de inércia do cabide em relação ao ponto de apoio com aquele em relação ao seu CM (seja ele I_{CM}) nas situações 1, 2 e 3, respectivamente:

I_1=I_{CM}+mx_1^2,

I_2=I_{CM}+mx_2^2,

I_3=I_{CM}+mx_3^2.

O cabide oscila como um pêndulo físico. Determinemos sua equação de movimento para \theta, o ângulo de inclinação com a vertical, utilizando a segunda Lei de Newton para rotações:

\tau=I \ddot{\theta},

onde os torques \tau e momentos de inércia I são calculados em relação ao ponto de apoio. Apenas o peso produz torque, logo:

-mgx \sin{\theta}=I \ddot{\theta}.

Para pequenas oscilações, \sin{\theta} \approx \theta:

\ddot{\theta}+\dfrac{mgx}{I}\theta=0.

O que nos diz que a frequência angular de oscilação do cabide é \omega=\sqrt{\dfrac{mgx}{I}}. Devido ao fato do período da oscilação T=\dfrac{2 \pi}{\omega} ser igual nas três situações, e, por consequência, a frequência angular também, vale escrever

\dfrac{x_1}{I_1}=\dfrac{x_2}{I_2}=\dfrac{x_3}{I_3},

\dfrac{x_1}{I_{CM}+mx_1^2}=\dfrac{x_2}{I_{CM}+mx_2^2}=\dfrac{x_3}{I_{CM}+mx_3^2}.

Tais igualdades nos fornecem um sistema de equações. Igualando a primeira com a segunda:

\left(I_{CM}+mx_2^2\right)x_1=\left(I_{CM}+mx_1^2\right)x_2,

I_{CM}\left(x_1-x_2\right)-mx_1x_2\left(x_1-x_2\right),

\boxed{\left(x_1-x_2\right)\left(I_{CM}-mx_1x_2\right)=0}.

Analogamente:

\boxed{\left(x_3-x_2\right)\left(I_{CM}-mx_2x_3\right)=0},

\boxed{\left(x_3-x_1\right)\left(I_{CM}-mx_1x_3\right)=0}.

Da segunda equação, podemos ter:

x_2-x_3=0,

o que implicaria L=0 (veja as relações obtidas geometricamente), logo, é um absurdo! Resta-nos, então:

I_{CM}-mx_2x_3=0,

I_{CM}=mx_2x_3.

Da primeira, podemos ter:

x_2-x_1=0

O que implica x_2=x_1=5 cm, pois x_1+x_2=10 cm, o que, a princípio, não viola nenhuma condição matemática/física do problema. Para mostrar a validade desse resultado, usemos que o segundo termo em parênteses da terceira equação também pode ser nulo:

I_{CM}-mx_1x_3=0,

I_{CM}=mx_1x_3.

Como I_{CM}=mx_2x_3 necessariamente é válido, combinando-se as duas, chegamos, novamente, em x_1=x_2 (pois x_3 é diferente de zero), mostrando a equivalência dessas igualdades. Logo, determinamos a posição do CM:

\boxed{x_1=x_2=\dfrac{l}{2}=5cm}.

Com isso, podemos encontrar x_3:

2\sqrt{x_3^2-x_2^2}=L,

\boxed{x_3=\dfrac{\sqrt{L^2+4l^2}}{2}}.

Por fim, determinemos o período das oscilações. Sabemos que:

T=\dfrac{2 \pi}{\omega},

Usando o primeiro ponto de apoio (o que não importa muito, você chegaria no mesmo resultado usando x_2 e I_2 ou x_3 e I_3):

T=\dfrac{2 \pi}{\sqrt{\dfrac{mgx_1}{I_1}}},

T=\dfrac{2 \pi}{\sqrt{\dfrac{mgx_1}{mx_1 x_3 + m x_1 ^2}}},

\boxed{T= 2\pi \sqrt{\dfrac{x_1 + x_3}{g}}}.

Com, x_3=\dfrac{\sqrt{L^2+4l^2}}{2}, como havíamos achado. Substituindo os dados numéricos:

\boxed{T=1,03s}.

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Gabarito

Posição do CM:  \boxed{x_1=x_2=\dfrac{l}{2}=5cm}.

Período: \boxed{T= 2\pi \sqrt{\dfrac{x_1 + x_3}{g}}=1,03s}, com x_3=\dfrac{\sqrt{L^2+4l^2}}{2}.

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