Escrito por Matheus Ponciano
Questão 1:
Um novo modelo de automóvel está sendo submetido a um teste no qual deve percorrer uma distânica de
, que é dividida em três trechos sucessivos, cada um caracterizado por uma velocidade escalar média. No primeiro trecho de
do percurso total sua velocidade escalar média deve ser de
, que é a velocidade máxima recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde). No segundo trecho, de
do percurso total, sua velocidade escalar média deve ser
, que é o limite de velocidade da maioria das vias expressas brasileiras. No trecho restante sua velocidade escalar média deve ser
que é uma velocidade escalar média típica de tráfego em vias congestionadas. Qual é a velocidade escalar média do carro considerando o percurso total?
Cinemática.
Para descobrir a velocidade média para o percurso completo, basta dividir o comprimento total do percurso (
) pelo tempo total necessário para fazer este trajeto. Podemos então obter o tempo para cada trecho e somá-los para obter o tempo total. Dessa forma, o tempo de cada trecho é:
Trecho 1:




Trecho 2:




Trecho 3:




A velocidade média é então:





Transformando para 



Questão 2:
Satélites geoestacionários estão em órbitas tais que, sob o ponto de vista de um observador na Terra, permanecem fixos. Esses satélites são principalmente utilizados por redes de comunicação que atendem a uma região fixa da Terra. Ligações telefônicas e transmissões televisivas de longa distância, geralmente são feitas por esse tipo de satélite. A terceira lei de Kepler, aplicada a órbitas circulares, estabelece que o período
de translação de um corpo e o raio
de sua órbita se relacionam de modo que
é uma constante. Suponha dois satélites
e
em órbitas circulares e coplanares, com o satélite
em órbita geoestacionária e o satélite
com órbita de raio
% maior que o satélite
. (a) Qual o período de translação do satélite
em horas? (b) Suponha um instante no qual os satélites
e
estão alinhados com um ponto na superfície da Terra e determine o menor intervalo de tempo, em horas, para que isso ocorra novamente.
Gravitação, MCU.
a) Já que o satélite
é geoestacionário, ele deve ter a mesma velocidade angular que a Terra, para que uma pessoa veja ele parado. Dessa forma, o seu período deve ser o mesmo que o período de rotação da Terra. Logo:

Utilizando a terceira lei de Kepler:




O raio de
,
, é
% maior que o raio de
,
. Dessa forma, temos:


Substituindo:






b) Para que o tempo de encontro seja mínimo, os satélites devem estar girando em sentidos contrários. Ao se movimentarem no mesmo sentido, eles também se encontrarão, mas demorará mais (cerca de
). Como a questão não especifica, ficamos nessa ambiguidade e se é decidido calcular o menor tempo possível.
As velocidades angulares para cada satélite são:


A velocidade angular de
em relação a
é então:




Nesse referencial, o satélite
está parado e o satélite
dará uma volta, percorrendo então um ângulo de
. Assim:








Questão 3:
Em um laboratório didático, uma estudante deve fazer as marcas para a escala linear de um termômetro de mercúrio. O equipamento foi fabricado encerrando-se uma certa quantidade de mercúrio em um recipiente de vidro, de coeficiente de dilatação desprezível, de paredes muito finas e inicialmente vazio (vácuo). A figura abaixo ilustra esquematicamente o recipiente, que é formado por um bulbo esférico ligado a um tubo cilíndrico muito fino (capilar). Ele está acoplado a uma placa fixa sobre a a qual devem ser feitas as marcas da escala. Para efeitos de calibração, o equipamento vem com duas marcas já feitas e que correspondem às temperaturas de
e
. A tarefa da estudante é acrescentar duas outras marcas
e
que devem corresponder, respectivamente, às mínima e máxima temperaturas que esse equipamento pode medir. Considerando ainda que as marcas devem ser feitas para valores inteiros de temperatura na escala Celsius, quais os valores de
e
que a estudante deve acrescentar à escala?
Termometria.
A escala é linear, então a relação entre a temperatura em Celsius e a altura do mercúrio deve ser algo do tipo:

Onde
é a temperatura quando o mercúrio está na altura
e
é a altura da coluna de mercúrio.
Tendo uma variação de temperatura relacionada à uma variação de altura, sendo ambas conhecidas, podemos descobrir o valor de
. Pela figura, temos que uma variação de 
está relacionada à um aumento de
da coluna de mercúrio, desta forma:



Dessa forma podemos descobrir
:

Para a temperatura de 
:






Podemos então descobrir a maior temperatura mensurável, que é na ponta de cima do termômetro:





Para a marcação da escala,
deve ser o menor inteiro maior que
e
deve ser o maior inteiro menor que
, dessa forma:










Questão 4:
A resistência à tração (capacidade de resistir a forças de tração sem se romper) da seda de aranha é comparável com a do aço e vale
. Considerando que um fio de aranha tem o formato cilíndrico, estime seu comprimento máximo impondo a condição que deve ser capaz de sustentar o próprio peso quando pendurado verticalmente. Sabe-se que a densidade da seda de aranha é
. (em sua resolução, suponha que a seda de aranha é inextensível.)
Análise dimensional, leis de Newton.
Por análise dimensional podemos perceber que a resistência à tração
deve ser algo do tipo:

Onde
é a tração no fio e
é a área transversal do fio.
O fio para se sustentar deve exercer em uma de suas pontas uma tração equivalente ao próprio peso, em direção oposta para que o fio não caia. O peso do fio será:

A massa
do fio, por ser cilíndrico, será:


Onde
é o comprimento do fio. Assim:








Questão 5:
Uma esteira transporta cascalho até uma caçamba de comprimento
localizada à sua frente. A figura abaixo, na qual
e
, representa esquematicamente a situação de seu funcionamento. Suponha que a esteira se mova com velocidade constante e que o cascalho não rola nem escorrega sobre ela. Desconsiderando as dimensões do cascalho e o efeito resistivo do ar, determine o intervalo de velocidades no qual a esteira pode operar sem que o cascalho caia fora da caçamba.

Cinemática: lançamento horizontal em um campo gravitacional uniforme
O tempo que o cascalho leva para atingir a caçamba é obtido através da relação de distância percorrida em um M.U.V

Sendo assim

A partir do tempo de queda, obtemos o alcance do cascalho (o mesmo possui velocidade horizontal
)

Esse mesmo alcance não pode ser menor que
nem maior que
. Portanto


Logo

Substituindo os valores numéricos fornecidos no enunciado


Questão 6:
O transporte de cargas, especialmente aquelas frágeis, exige uma acomodação adequada. Para um carregamento de caixas, é necessário que elas sejam presas ou justapostas a fim de não se movimentarem no interior do compartimento de cargas. Suponha uma situação na qual este cuidado não tenha sido observado e caixas idênticas, de massa
, foram simplesmente empilhadas conforme ilustrado na figura abaixo. Determine a velocidade máxima, em
, que este caminhão pode trafegar, sem que as caixas escorreguem no compartimento em eventuais freadas totais que ocorrem em distâncias de no máximo
com desaceleração constante. Sabe-se que o menor coeficiente de atrito estático é aquele entre uma caixa e o assoalho do compartimento de carga e vale
.

Leis de Newton, cinemática
A força de atrito estático máxima para uma pilha de caixas é:

O caminhão desacelerar com uma desaceleração constante
. Em um referencial dentro do caminhão, isto gera uma força de inércia na pilha de caixas, sendo esta força:

Para que a caixa não escorregue, esta força deve ser menor ou igual á força de atrito máxima. No caso limite:





Aplicando a equação de Torricelli no caminhão:



Para a velocidade ser máxima,
é máximo, que é no caso de ele ser igual a
. Logo:


Transformando para 


Questão 7:
Um estudante está investigando o fenômeno de flutuação e dissolução usando provetas graduadas em mililitros (
), todas elas contendo inicialmente
de água pura. Ele ainda dispõe de sal de cozinha, limalha de ferro (densidade
) e um ovo de codorna de massa
e densidade
. Ao acrescentar sal de cozinha em uma delas observa que, para quantidades menores que
, todo o sal se dissolve e o volume da solução permanece em
. Ao acrescentar uma massa
de limalha de ferro, igual à massa do ovo de codorna, observa que essa não se dissolve e o volume da água aumenta. Ao acrescentar o ovo de codorna em água pura, ele observa que o ovo afunda e o nível de água da proveta atinge o valor de
. (a) Determine a massa
, em gramas, do sal de cozinha que o estudante deve acrescentar na proveta com o ovo de codorna para que esse flutue livremente na solução, ou seja, permaneça totalmente submerso sem tocas as paredes do recipiente. (b) Entre quais marcas está o nível do líquido da proveta na qual foi acrescentada a limalha de ferro? (c) O que acontece se o ovo de codorna é retirado da proveta com a água salgada e colocado na proveta com limalha de ferro? (Considere que o ovo de codorna se mantém inalterado, com volume fixo e sem ganho ou perda de matéria, nas situações experimentais descritas.)
Propriedades da matéria.
a) Para que o ovo fique flutuando, o empuxo exercido sobre ele deve ser exatamente o seu peso. Dessa forma, temos:



Como a densidade do ovo é maior que a densidade da água(
), adiciona-se sal à água. A nova densidade da solução vai ser:

Temos então:





b) Na terceira proveta, ao colocar o ovo, observa-se que a marcação do nível de água aumenta de
para
. Essa variação de volume é causada pela adição do ovo, sendo este volume o volume do ovo. Assim:

E a massa de ovo
é:

O volume de limalha de ferro para ter a mesma massa
será:







Ao colocar este volume de ferro na segunda proveta, pelo ferro não ser solúvel em água, ocorre um incremento do nível de água. A nova marcação será:

Que fica então entre as marcações de
e
.
c) Na proveta que tem a limalha de ferro, o ferro está depositado no fundo da proveta, e a densidade da água permanece inalterada já que o ferro não é dissolvido pela água. O ovo então, ao ser colocado nesta proveta, afunda, pois sua densidade é maior que a da água.
a)

b)

A água fica então entre as marcações de
e
.
c) O ovo afunda.
Questão 8:
Uma carga de
pode deslizar na superfície lisa, sem atrito, de um plano inclinado de
. A carga está presa por uma corda ao centro de uma polia móvel que por sua vez se acopla a uma polia fixa através de outra corda. Essa tem uma de suas extremidades fixas, enquanto a outra é puxada por uma força horizontal constante
. Veja figura abaixo. Assuma que as cordas e polias são ideais e que o sentido positivo da aceleração da caixa aponta para cima ao longo do plano inclinado. Determine a aceleração da caixa quando a intensidade da força horizontal aplicada é
.

Dinâmica: plano inclinado e polias
Como a corda é ideal, todos os pontos da mesma estão submetidos a mesma força
. Por outro lado, a polia móvel, também ideal, possui massa
, ou seja, a força resultante sentida por ela é nula. Logo, a força que a massa deve fazer na polia é
apontando para baixo do plano inclinado, a fim de anular a força resultante na polia móvel. Pela terceira lei de Newton, a polia exerce uma força
para cima do plano inclinado. Portanto, pela segunda lei de Newton


Substituindo os valores fornecidos no enunciado, chegamos no resultado esperado

E, portanto, a caixa desce o plano inclinado.

Descendo o plano inclinado
