Escrito por Lucas Tavares
Alguns problemas para você praticar a teoria estudada. O grau de dificuldade dos problemas está indicado com asteriscos (*). Problemas com 1 asterisco é o equivalente a um problema de primeira fase de OBF, 2 asteriscos (**) um de segunda fase, e 3 asteriscos (***) um de terceira fase.
Questão 1 *
(OBF) Um recipiente contém volumes iguais de dois líquidos que não se misturam e um corpo sólido esférico. Quando o sistema entra em equilíbrio hidrostático, observa-se que cada hemisfério do sólido fica em contato com um líquido, conforme ilustrado na figura.
Acrescenta-se ao recipiente uma quantidade do líquido menos denso até que a altura de sua camada dobre. Após o equilíbrio hidrostático ser reestabelecido, a situação que melhor representa o sistema é:
Como o corpo está equilibrado as forças que atuam nele se cancelam, ou seja, a somatória dos empuxos em cada líquido equilibram o peso do objeto.
Suponhamos que uma fração
do volume do corpo está no líquido de cima, e uma fração
do volume do corpo está no líquido de baixo.
Consideremos também que a densidade do líquido de cima é
, a do líquido de baixo é
, a densidade do corpo é d, o volume do corpo é
e a gravidade local é
.



(EQ 01)
Como todo o corpo está submerso, a soma das frações em cada líquido deve ser igual a 2.
(EQ 02)
Substituindo (EQ 02) em (EQ 01) temos:



Analogamente:

Perceba que a porcentagem do corpo que fica em cada líquido não depende da quantidade de cada líquido, mas apenas as densidades dos mesmos. Logo, adicionar mais líquido não alterará o equilíbrio.
Item (b)
Item (b)
Questão 2 *
Na figura, representa-se o equilíbrio de
líquidos não miscíveis
,
e
, confinado em um sistema de vasos comunicantes:
Os líquidos
,
e
possuem densidades
,
e
que obedecem a seguinte relação:

Supondo o valor de
conhecido, responda: qual é o valor da altura
indicada.
Para o equilíbrio hidrostático:


Pela relação do enunciado:

Portanto:


Questão 3 *
Numa região ao nível do mar, a pressão atmosférica vale
e
. Repete-se o experimento de Torricelli, dispondo-se o tubo do barômetro conforme representa a figura.
A distância
entre os pontos
e
vale
e a massa específica do mercúrio é
. Estando o sistema em equilíbrio, calcule o valor aproximado do ângulo a que o tubo forma com a direção vertical.
Para que haja o equilíbrio, a pressão no ponto 2 deve ser a mesma que a pressão na superfície do mercúrio em contato com a atmosfera. Sendo assim:

Substituindo os valores numéricos, encontra-se que:

Portanto


Questão 4 *
Por meio do dispositivo da figura, pretende-se elevar um carro de massa
a uma altura de
em relação à sua posição inicial. Para isso, aplica-se sobre o êmbolo
a força
indicada e o carro sobe muito lentamente, em movimento uniforme.
As áreas dos êmbolos
e
valem, respectivamente,
e
. No local,
. Desprezando a ação da gravidade sobre os êmbolos e sobre o óleo e também os atritos e a compressibilidade do óleo, determine:
a) a intensidade de
;
b) o trabalho da força que o dispositivo aplica no carro, bem como o trabalho de 
a) Pelo equilíbrio:

Substituindo os valores:

b) Como o sistema está sempre em equilíbrio dinâmico, o trabalho da força
será igual ao trabalho do peso, em módulo. Portanto:

Substituindo os valores:

a)

b)

Questão 5 *
Na figura, as esferas maciças
e
estão ligadas por um fio ideal e o sistema está em equilíbrio. A esfera
está no interior de um líquido homogêneo de densidade
e a esfera
está no interior de outro líquido homogêneo de densidade
.
Sabendo que as esferas têm raios iguais e que a esfera
tem densidade
, calcule a densidade da esfera 
No equilíbrio:


Portanto:


Questão 6 **
O sistema de vasos comunicantes representado na figura contém dois líquidos imiscíveis,
e
, de densidades
e
, respectivamente. A diferença de pressão entre os pontos
e
é igual a
e a densidade do líquido mais denso é igual a
. Utilize
e a altura dada na figura
.
a) Determine a densidade do líquido menos denso.
b) Estabeleça a relação entre a distância da superfície de separação dos líquidos e a superfície livre de cada líquido e o desnível
.
a) Pelo teorema de Stevin na altura do contato do líquido
com o líquido
:


Substituindo os valores:

b) Pelo teorema de Stevin na altura do contato do líquido
com o líquido
:

Assim:

Porém,

Logo:
e 
a)

b)
e 
Questão 7 **
Um projétil de densidade
é lançado com um ângulo
em relação à horizontal no interior de um recipiente vazio. A seguir, o recipiente é preenchido com um superfluido de densidade
, e o mesmo projétil é novamente lançado dentro dele, só que sob um ângulo
em relação à horizontal. Observa-se, então, que, para uma velocidade inicial de módulo
do projétil, de mesmo módulo que a do experimento anterior, não se altera seu alcance horizontal
.
Veja as figuras abaixo.
Sabendo-se que são nulas as forças de atrito
num superfluido, calcule a relação do ângulo de lançamento
e o ângulo de lançamento
em função de
e
.
O alcance em um lançamento é dado por:

Em que
é o ângulo de lançamento e
a velocidade inicial. Quando a partícula estiver submersa na água, pode-se dizer que ela está sobre a ação de uma gravidade efetiva, que pode ser calculada da seguinte forma:


Assim:

Como os alcances fora da água e dentro da água são iguais:

Portanto:


Questão 8 **
Um estudante está investigando o fenômeno de flutuação e dissolução usando provetas graduadas em mililitros (
), todas elas contendo inicialmente
de água pura. Ele ainda dispõe de sal de cozinha, limalha de ferro (densidade
) e um ovo de codorna de massa
e densidade
. Ao acrescentar sal de cozinha em uma delas observa que, para quantidades menores que
, todo o sal se dissolve e o volume da solução permanece em
. Ao acrescentar uma massa
de limalha de ferro, igual à massa do ovo de codorna, observa que essa não se dissolve e o volume da água aumenta. Ao acrescentar o ovo de codorna em água pura, ele observa que o ovo afunda e o nível de água da proveta atinge o valor de
. (a) Determine a massa
, em gramas, do sal de cozinha que o estudante deve acrescentar na proveta com o ovo de codorna para que esse flutue livremente na solução, ou seja, permaneça totalmente submerso sem tocas as paredes do recipiente. (b) Entre quais marcas está o nível do líquido da proveta na qual foi acrescentada a limalha de ferro? (c) O que acontece se o ovo de codorna é retirado da proveta com a água salgada e colocado na proveta com limalha de ferro? (Considere que o ovo de codorna se mantém inalterado, com volume fixo e sem ganho ou perda de matéria, nas situações experimentais descritas.)
a) Para que o ovo fique flutuando, o empuxo exercido sobre ele deve ser exatamente o seu peso. Dessa forma, temos:



Como a densidade do ovo é maior que a densidade da água(
), adiciona-se sal à água. A nova densidade da solução vai ser:

Temos então:





b) Na terceira proveta, ao colocar o ovo, observa-se que a marcação do nível de água aumenta de
para
. Essa variação de volume é causada pela adição do ovo, sendo este volume o volume do ovo. Assim:

E a massa de ovo
é:

O volume de limalha de ferro para ter a mesma massa
será:







Ao colocar este volume de ferro na segunda proveta, pelo ferro não ser solúvel em água, ocorre um incremento do nível de água. A nova marcação será:

Que fica então entre as marcações de
e
.
c) Na proveta que tem a limalha de ferro, o ferro está depositado no fundo da proveta, e a densidade da água permanece inalterada já que o ferro não é dissolvido pela água. O ovo então, ao ser colocado nesta proveta, afunda, pois sua densidade é maior que a da água.
a)

b)

A água fica então entre as marcações de
e
.
c) O ovo afunda.
Questão 9 **
Um vaso comunicante em forma de U possui duas colunas de altura
, preenchidas com água até a metade. Em seguida, adiciona-se óleo de densidade
a uma das colunas até uma coluna estar totalmente preenchida, conforme a figura
. Calcule a altura da coluna de óleo.
Ao adicionar o óleo, por conservação do volume, a água da coluna da esquerda sobe um
, enquanto a água da coluna da direita desce um
. Sendo assim, calculando o empuxo ao longo da base do tubo:


Onde
é a densidade do óleo,
a densidade da água e
a altura da coluna de óleo. Porém, percebe-se que a altura da camada de óleo é dada por:

Sendo assim:

Substituindo os valores, encontramos:

Portanto:


Questão 10 ***
Em um experimento de hidrostática foi colocado um bloco é um recipiente contendo água, e observou-se que
% do seu volume ficou submerso. Quando este mesmo bloco é colocado em um outro recipiente contendo um líquido de densidade desconhecida, observa-se que o percentual de volume submerso é reduzido para
%. Com esses dados determine a densidade do outro liquido.
Sabemos que para equilibrio na água, o empuxo tem de se igualar ao peso do bloco. Assim, se
é o peso do bloco, temos que

Onde
é a densidade da água,
seu volume e
a gravidade no local. Assim, obtemos que a quantia

Quando o bloco está no líquido de densidade desconhecida, a condição de equilibrio é a mesma
.
Onde neste caso
é a densidade do líquido desconhecido.
Assim, como

Encontramos que

Como a densidade da água é
, a densidade do líquido é

A densidade do líquido é
.
Questão 11 ***
(OBF) Um posto de gasolina instalou densímetros em suas bombas para atestar a qualidade do produto. Os combustíveis utilizados nos automóveis são misturas de hidrocarbonetos, cuja densidade varia com a composição, isto é, com a quantidade de cada componente da mistura. Assim, se a mistura for alterada pelo acréscimo de alguma substância destinada a “dar volume” ao combustível, o densímetro acusará a adulteração.
O modelo de densímetro adotado pelo posto utiliza duas esferas plásticas ocas de mesmos volumes e massas, de cores diferentes, contendo um sólido particulado, que serve de lastro. A massa de lastro dentro de cada uma das esferas é diferente, e calculada para que uma das esferas flutue e a outra permaneça no fundo, conforme é ilustrado na figura. Além disso, elas devem permanecer em suas posições originais ainda que o combustível sofra uma variação de densidade dentro de uma certa faixa de tolerância determinada pelo distribuidor. No entanto, se a densidade do combustível é aumentada por uma diferença maior do que a tolerável, a esfera que está embaixo sobe. Se, ao contrário, a densidade do combustível é diminuída, a esfera de cima desce.
Considere um densímetro em que as esferas, de volumes iguais a
, devem manter suas posições relativas quando a densidade do combustível varia em
para mais ou para menos. Suponha que o combustível é adulterado de forma que a esfera de baixo está na situação limite em que começa a subir. Seja
o volume da parte da esfera de cima que está emersa, determine a razão
.
Seja
a massa da esfera de cima e
a massa da esfera de baixo, massas essas que são diferentes para que a primeira flutue enquanto a última boie. A condição crítica para a esfera de cima ocorre quando o combustível é 5% menos denso do que deveria, e nessa condição o volume emerso é nulo e a esfera está prestes a afundar:

A situação crítica para a esfera de baixo é quando a densidade do combustível é 5% maior do que deveria, e então essa esfera está prestes a flutuar e a normal que o fundo aplica sobre ela é nula:

Esse par de equações determina completamente as massas das esferas
e
. Vamos então para a pergunta do problema: se a esfera de baixo está prestes a subir, isso quer dizer que densidade do fluido vale
, e como o fluido está mais denso que o normal, a esfera de cima não vai precisar deslocar um volume de líquido tão grande para flutuar. Seja então
o volume emerso da esfera de cima, o que significa que seu peso está sendo sustentado pelo peso de um volume
de um líquido de densidade
. Em equações:

Usando a primeira equação para substituir o valor do peso da esfera de cima:


Rearranjando:


Questão 12 ***
Um densímetro tem a forma indicada na figura abaixo, com uma haste cilíndrica graduada, cuja seção transversal tem área
, ligada a um corpo que geralmente contém algum lastro. O densímetro é calibrado mergulhando-o na água, marcando com a graduação “
” a altura na haste até a qual a água sobe e determinando o volume
do densímetro situado abaixo da marca (ou seja, o volume total que fica mergulhado na água). Seja
a altura da haste entre a graduação “
” e o nível até onde o densímetro mergulha quando colocado num líquido de densidade desconhecida. Calcule a densidade relativa desse líquido em relação à água, em função de
,
e
.
Após a imersão do densímetro na água a calibração o volume abaixo da graduação “
” é
, que é também o volume submerso. Como o empuxo se iguala ao peso do densímetro, temos que:


Onde
é a densidade da água,
a densidade do densímetro e
o seu volume total. Após ser mergulhado em um outro líquido de densidade
, o densímetro se eleva a uma altura
. Assim, no equíbrio:


Portanto, a densidade do líquido será:


Questão 13 ***
Um tubo em
, contendo um líquido, gira em torno do eixo
, com velocidade angular de
. A distância
entre os dois ramos do tubo é de
, e ambos são abertos na parte superior. Calcule a diferença de altura
entre os níveis atingidos pelo líquido nos dois ramos do tubo.
No referencial girante, encontra-se uma força fictícia, a força centrífuga. É possível associar essa força a uma energia potencial. Para calcular esse potencial, vamos fazer um gráfico da força centrífuga em função da distância.
A energia potencial vai ser dada pela área do gráfico acima (fora de escala). Portanto:

Com isso, podemos conservar energia em relação ao centro:


Substituindo os valores:


Questão 14 ***
Em uma atmosfera de ar calmo e densidade uniforme
, um balão aerostático, inicialmente de densidade
, desce verticalmente com aceleração constante
. A seguir, devido a uma variação de massa e de volume, o balão passa a subir verticalmente com aceleração constante de mesmo módulo
. Determine a variação relativa do volume em função da variação relativa de massa e das densidades
e
.
Vamos calcular a aceleração do balão antes de variar a massa e o volume.


Agora, vamos calcular a densidade (
) após a variação de massa e volume.


Onde
. Porém:


Assim:


Questão 15 ***
(Seletiva – Adaptada) Considere um tanque preenchido com um líquido de densidade
até uma altura
e com um furo de raio
no fundo. O furo é tampado com um cone homogêneo, de raio de base
, com sua base plana voltada para cima.
Determine a densidade crítica do cone,
, para a qual ele se encontra na iminência de perder o contato com o fundo do tanque. Dê sua resposta em função de
,
,
,
e
.
A força que o líquido exerce sobre o cone é dada por:

![E = \rho_l g\pi\left[\dfrac{H(R^3-r^3)}{3(R-r)} - hr^2\right]](https://i0.wp.com/noic.com.br/wp-content/plugins/latex/cache/tex_49bed86f2e0d32523ead8710cb85859c.gif?ssl=1)
O cone perde o contato quando
, logo:
![M = \rho_l \pi\left[\dfrac{H(R^3-r^3)}{3(R-r)} - hr^2\right]](https://i0.wp.com/noic.com.br/wp-content/plugins/latex/cache/tex_4768e3e26633d81108fbf7998aac9436.gif?ssl=1)
![\rho_l = \dfrac{3M(R-r)}{\pi[H(R^3-r^3) - 3(R-r)hr^2]}](https://i0.wp.com/noic.com.br/wp-content/plugins/latex/cache/tex_d6f83bae4c70d159fd4a398124cf882d.gif?ssl=1)
Por outro lado, como
e o volume do cone é dado por:

Temos:

Portanto:
![\boxed{\rho_c = \rho_l\left[1- \dfrac{3h}{H}\dfrac{r^2}{R^2}+\left(\dfrac{3h}{H}-1\right)\dfrac{r^3}{R^3}\right]}](https://i0.wp.com/noic.com.br/wp-content/plugins/latex/cache/tex_469191189337aa10b8e4b0065a2a33c3.gif?ssl=1)
![\boxed{\rho_c = \rho_l\left[1- \dfrac{3h}{H}\dfrac{r^2}{R^2}+\left(\dfrac{3h}{H}-1\right)\dfrac{r^3}{R^3}\right]}](https://i0.wp.com/noic.com.br/wp-content/plugins/latex/cache/tex_469191189337aa10b8e4b0065a2a33c3.gif?ssl=1)













