Escrito por Lucas Praça, Caio Yamashita, Alexandre Monte, Jailson Henrique e Guilherme Lins
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Questão 1
O biodigestor chinês foi desenvolvido na década de 1950, na China, para enfrentar os desafios em relação à disponibilidade de energia e às necessidades de desenvolvimento agrícola e rural. Ele é uma forma de biodigestor de baixa pressão (figura abaixo) que utiliza a digestão anaeróbica (que ocorre na ausência de oxigênio) para produzir biogás a partir de resíduos orgânicos, como esterco animal, resíduos de culturas agrícolas e resíduos domésticos. O biogás é composto principalmente por metano (CH4), juntamente com pequenas quantidades de dióxido de carbono (CO2), nitrogênio (N2) e traços de outros gases.

O subproduto da digestão anaeróbica é o biofertilizante: material rico em nutrientes que pode ser usado como fertilizante para o solo.
Com base no exposto e sobre o uso do biogás como fonte de energia, responda:
a) O biogás pode ser considerado uma fonte de energia renovável. Neste contexto, aponte dois benefícios ambientais relacionados ao uso do biogás.
b) Especificamente com relação ao efeito estufa, cite um benefício do uso do biofertilizante? Justifique.
a) Benefícios ambientais do biogás:
1. Redução da emissão de metano para a atmosfera (gás com alto potencial de efeito estufa)
2. Substituição de combustíveis fósseis, diminuindo a emissão de gases poluentes
b) Benefício do biofertilizante para o efeito estufa:
O uso do biofertilizante reduz a necessidade de fertilizantes químicos, cuja produção emite gases de efeito estufa. Além disso, melhora a capacidade do solo em sequestrar carbono.
Ciências – Energias Renováveis – Biodigestão Anaeróbica
Habilidades: Análise de benefícios ambientais, compreensão de processos de transformação de energia
a) Dois benefícios: redução de emissões de metano e substituição de combustíveis fósseis
b) Reduz a necessidade de fertilizantes químicos que emitem gases estufa em sua produção
Questão 2
Num laboratório de Química, é muito comum a extração de um composto dissolvido numa fase aquosa, utilizando um solvente orgânico imiscível. Este procedimento é realizado com um funil de separação, mostrado na figura abaixo e consiste nas seguintes etapas: 1) fechar a torneira do funil, assegurando-se também que este esteja limpo e em boas condições de uso; 2) colocar a fase aquosa (contendo o composto a ser extraído) e o solvente orgânico no funil de separação, que deve estar num suporte apropriado, sem enchê-lo mais do que 2/3 do seu volume; 3) retirar o funil do suporte e agitar gentilmente para permitir a interação entre as duas fases; 4) ainda com o funil em mãos, abrir a torneira do funil para liberar a pressão acumulada, certificando-se de segurá-lo firmemente, direcionando a abertura para longe de si e de outras pessoas; 5) repousar o funil novamente no suporte e esperar a separação de fases; 6) escoar a fase inferior para um frasco limpo; 7) escoar a segunda fase para outro frasco e, se necessário, repetir o processo.
O manuseio seguro do funil de separação e o uso de equipamentos de segurança adequados, como luvas de proteção, óculos de segurança e avental de laboratório, minimizam os riscos associados ao procedimento.
Com base na leitura e nos seus conhecimentos, responda aos itens a seguir:
a) Se, antes do processo, a fase aquosa e o solvente orgânico pesam 100 g cada, porém este último tem um volume menor, qual a fase que estará na parte de baixo do funil durante a separação? Justifique.
b) A agitação para promover o contato entre as fases (etapa 3 do procedimento) provoca um aumento da pressão dentro do funil. Por que é necessário direcionar a abertura do funil, durante o alívio da pressão (etapa 4 do procedimento), para longe de si e de outros?
c) A respeito de uma extração de uma certa substância em uma solução aquosa, verificou-se o seguinte:
- utilizando volumes iguais de fase aquosa e de solvente orgânico, a extração retira metade da substância para a fase orgânica;
- utilizando um volume de solvente orgânico que é o dobro do volume da fase aquosa, a extração retira 2/3 da substância para a fase orgânica.
Com base nisso, o que é mais eficiente para extrair a substância em 100 mL de fase aquosa: usar duas vezes um volume de 100 mL de solvente orgânico ou usar uma vez 200 mL do mesmo solvente? Justifique.
a) Fase inferior:
A fase com maior densidade ficará na parte inferior. Se o solvente orgânico tem volume menor mas mesma massa, sua densidade é maior, portanto será a fase inferior.
b) Segurança no laboratório:
É necessário direcionar a abertura para longe por segurança, pois a liberação de pressão pode ejetar substâncias químicas perigosas que poderiam causar queimaduras ou danos.
c) Eficiência de extração:
É mais eficiente usar duas extrações de 100 mL cada, pois extrações múltiplas com volumes menores são mais eficientes que uma única extração com volume total maior.
Química – Técnicas de Laboratório – Extração Líquido-Líquido
Habilidades: Compreensão de princípios de separação, aplicação de medidas de segurança
a) Fase orgânica (maior densidade)
b) Prevenção de acidentes com produtos químicos
c) Duas extrações de 100 mL são mais eficientes
Questão 3
Machu Picchu foi reconhecida como patrimônio natural e cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 1983. Essa cidade está localizada a 2.430 metros acima do nível do mar, sendo parte oriental dos Andes, e parte da bacia superior do Amazonas, em uma região com diversidade na flora e fauna.
Sua construção é datada do século XV. Os estudos arqueológicos e históricos apontam para ter sido construída inicialmente como observatório astronômico e para cumprir funções religiosas. A cidade de Machu Picchu foi abandonado quando o Império Inca foi conquistado pelos espanhois no século XVI.
Um dos motivos para a patrimonialização da cidade inca, foi a utilização das técnicas arquitetônicas. Dentre outras propriedades, as construções de Machu Picchu resistiam a terremotos, fenômeno habitual na região andina. As paredes possuíam grande resistência porque eram feitas de blocos de pedras que se encaixavam uns nos outros, como peças de um quebra-cabeça, compensando a falta de qualquer tipo de argamassa. O encaixe dos blocos era perfeito porque os Incas desenvolveram a capacidade de talhar faces planas e lisas nas pedras, formando preferencialmente blocos na forma de prismas de bases poligonais. Apesar de a técnica usada ser um mistério, existe um consenso entre os arquitetos: quanto maior a área das faces dos blocos de pedra encontrados nas paredes incas, mais tempo foi gasto para talhá-los com perfeição.
Sobre o tema abordado no enunciado, obedeça aos comandos abaixo.
a) Considerando seus conhecimentos sobre o trabalho do historiador, explique porque Machu Picchu pode ser considerado um documento para a ciência histórica.
b) A fotografia abaixo representa uma construção típica da cidade de Machu Picchu. Em lugares de difícil acesso, os incas usavam blocos mais leves para facilitar o transporte, mas dependendo da localização, os incas optavam por usar blocos maiores, já que isso tornava a construção mais rápida. Por exemplo, na parede da foto, os blocos A e B poderiam ser substituídos pelo bloco C. Isso reduziria a área total das faces talhadas. Considerando que a espessura da parede da foto é 1 m, qual a fração que representa a redução em função do total de área das faces caso fosse feita essa substituição?
a) Machu Picchu como documento histórico:
Machu Picchu é um documento histórico porque fornece evidências materiais sobre a cultura, tecnologia e organização social Inca, permitindo aos historiadores reconstruir aspectos da civilização pré-colombiana.
b) Cálculo de redução de área:
Área original (A + B):
(duas faces)
Área com bloco C: 
Redução: 
História – Civilização Inca – Patrimônio Cultural
Habilidades: Análise de documentos históricos, interpretação de técnicas arquitetônicas
a) Fornece evidências materiais da civilização Inca
b) Redução de aproximadamente 36,4% na área talhada
Questão 4
Dos escravizados desembarcados no Valongo, no Rio de Janeiro do início do século XIX, 4% eram crianças, informa o historiador Manolo Florentino. A partir dos quatro anos, muitas delas trabalhavam com os pais ou sozinhas, pois perder-se de seus genitores era coisa comum. Aos 12 anos, o valor das mercadorias das crianças tinha dobrado. E por quê? Pois se considerava que seu adestramento estava concluído e nas listas dos inventários já aparecem com sua designação estabelecida: Chico “roça”, Ana “mucama”, transformados em pequenas e precoces parte do mundo do trabalho.
Fonte: PRIORE, Mary del. Histórias de gente brasileira: Colônia. Rio de Janeiro: Leya, 2016, pp.331-336 (adaptado).
a) Mucama se refere a uma mulher escravizada que realiza trabalhos domésticos. Considerando seus conhecimentos sobre a escravidão no Brasil, cite outros dois tipos de trabalhos realizados por mulheres escravizadas.
b) “transformados em pequenas e precoces partes do mundo do trabalho”. Explique essa informação do texto.
a) Trabalhos de mulheres escravizadas:
1. Trabalho na lavoura (roça)
2. Trabalho como ama de leite
3. Trabalho nas vendas e comércio
b) Exploração precoce do trabalho infantil:
A expressão refere-se ao fato de que crianças escravizadas eram inseridas precocemente no mundo do trabalho, muitas vezes a partir dos 4 anos de idade, sendo tratadas como mercadorias que ganhavam valor conforme se tornavam produtivas.
História – Escravidão no Brasil – Trabalho Escravo
Habilidades: Análise de fontes históricas, compreensão da estrutura social colonial
a) Trabalho na lavoura e como ama de leite
b) Crianças escravizadas inseridas precocemente no trabalho
Questão 5
A distância média entre a Terra e a Lua é de aproximadamente 384.000 quilômetros. Na figura a seguir podemos ver um esquema do sistema Terra-Lua em escala.
Vamos considerar que um foguete demore 4 dias para viajar da Terra à Lua, mantendo sua velocidade.
Com base nessas informações, responda:
a) Quantos quilômetros o foguete percorreria a cada dia até chegar na Lua?
b) Qual seria, aproximadamente, a velocidade média do foguete? Apresente a resposta com um número inteiro de quilômetros por hora.
a) Distância por dia:

b) Velocidade média:

Velocidade média: aproximadamente 4.000 km/h
Física – Cinemática – Velocidade Média
Habilidades: Cálculo de velocidade média, conversão de unidades
a) 96.000 km por dia
b) 4.000 km/h
Problema 6
O poder de resolução de um telescópio é sua capacidade de distinguir objetos próximos. Ele é medido pelo menor ângulo entre dois objetos que o telescópio pode resolver. Ele é determinado pela abertura do telescópio, ou seja, o diâmetro de sua lente ou espelho principal, mas fica limitado à turbulência da atmosfera da Terra.
O poder de resolução é um fator importante na astronomia, permitindo a observação de características detalhadas dos planetas, da Lua, das estrelas duplas e outras estruturas celestes. Telescópios com aberturas maiores têm um poder de resolução melhor e podem revelar mais informações sobre os objetos astronômicos observados. Na imagem a seguir temos a comparação entre duas imagens da Lua com resoluções diferentes.

Existem diversos métodos para se calcular o poder de resolução de um telescópio e um dos mais usados é o “Critério de Rayleigh”. Para usá-lo basta dividir 138 pelo tamanho da objetiva em milímetros. O resultado será o poder de resolução, expresso em segundos de arco. Quanto menor for o resultado, maior será o poder de resolução.
Sendo assim,
a) Calcule o poder de resolução de um telescópio cuja objetiva tem 23 cm de diâmetro.
b) Responda se com este telescópio seria possível distinguir a cratera lunar Santos Dumont, de 8,7 km de diâmetro (~ 4,5 segundos de arco), desprezando-se a turbulência da atmosfera. Justifique sua resposta.
Astronomia observacional e óptica: poder de resolução; Critério de Rayleigh; limitações por abertura e seeing.
a) Pelo Critério de Rayleigh (na forma dada):

Com
:

b) A cratera tem diâmetro angular
. Como o telescópio resolve detalhes separados por
(menor é melhor) e
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