ONC 2023 – Segunda Fase – Nivel D

Escrito por Lucas Praça, Caio Yamashita, Alexandre Monte, Jailson Henrique e Guilherme Lins

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Questão 1

O aumento do nível de dióxido de carbono atmosférico (CO2) e as consequências climáticas e ambientais, como o aquecimento global e acidificação dos oceanos, representam uma séria ameaça ao desenvolvimento sustentável da sociedade humana. Impulsionado pelo excesso de fontes de energia, a reação eletroquímica de redução de CO2 (ec-CO2RR) é uma abordagem promissora para converter CO2 em combustíveis valiosos e produtos químicos modificados e, assim, restaurar o ciclo global do carbono. Dentre os produtos que podem ser obtidos, temos hidrocarbonetos, álcoois de vários comprimentos de cadeia (tipicamente 1–3 átomos de carbono), além do monóxido de carbono (CO) e formato (HCOO), sendo estes dois últimos considerados os de mais viável obtenção, entre as várias rotas de reação possíveis. Independente das rotas citadas, podemos fazer uma comparação entre as diferentes eletrólises do CO2 e estimar o consumo de energia, ou seja, a quantidade de carga elétrica necessária para a formação dos produtos. Conforme citado, a produção de CO e formato, a partir da eletrólise do CO2, é mais viável, principalmente porque a transferência de dois mols de elétrons por mol de gás carbônico oferece uma boa margem de lucro em relação a outros produtos que exigem a transferência de múltiplos elétrons, e assim maior gasto de energia. Diante das informações e a partir dos seus conhecimentos, responda:

a) Escreva a semi-reação para a eletrólise do gás carbônico formando monóxido de carbono. Considere a água como fonte de íons H+.

b) Qual a quantidade de energia teoricamente necessária para a obtenção de 1 mol de monóxido de carbono? Constante de Faraday, F = 9,648 × 104 C/mol.

c) A eficiência Faradaica (FE) corresponde à razão entre a carga consumida para a produção de um composto específico e a carga total transferida no eletrodo durante a reação de eletrólise. Se na obtenção de 2 mols de CO, é necessária uma corrente elétrica de 80 A durante 2 horas, qual a FE no processo, expressa em porcentagem? Dado: 1 A = 1 C/s (1 ampere é igual a 1 coulomb por segundo).

Solução

a) Semi-reação para formação de monóxido de carbono:

A semi-reação de redução do CO2 para CO utilizando água como fonte de prótons é:

\text{CO}_2 + 2\text{H}^+ + 2e^- \rightarrow \text{CO} + \text{H}_2\text{O}

Esta equação está balanceada tanto em massa quanto em carga, com transferência de 2 elétrons por molécula de CO2.

b) Quantidade de energia para 1 mol de CO:

Como a reação requer 2 mols de elétrons por mol de CO produzido, a carga necessária é:

Q = n \times F = 2 \times 9,648 \times 10^4 = 1,9296 \times 10^5 \text{ C}

Portanto, são necessários 192.960 C para produzir 1 mol de monóxido de carbono.

c) Eficiência Faradaica (FE):

Primeiro calculamos a carga total transferida:

Q_{\text{total}} = I \times t = 80 \times 2 \times 3600 = 576.000 \text{ C}

Para produzir 2 mols de CO, a carga teórica necessária é:

Q_{\text{terica}} = 2 \times 2 \times 9,648 \times 10^4 = 385.920 \text{ C}

A eficiência Faradaica é:

\text{FE} = \frac{Q_{\text{teorica}}}{Q_{\text{total}}} \times 100\% = \frac{385.920}{576.000} \times 100\% \approx 67\%

Portanto, a eficiência Faradaica do processo é de 67%.

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Assunto

Química – Eletroquímica: Eletrólise, Leis de Faraday, Cálculos Estequiométricos

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Gabarito

a) \text{CO}_2 + 2\text{H}^+ + 2e^- \rightarrow \text{CO} + \text{H}_2\text{O}

b) 192.960 C

c) 67%

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Questão 2

Existem diferenças nas representações das reações bioquímicas e químicas. Enquanto químicos representam reagentes e produtos, especificando ânions, cátions ou espécies neutras, os bioquímicos fazem uso de somatórios de concentrações para as espécies, em determinadas condições de temperatura e pH. Por exemplo, a reação de hidrólise da adenosina trifosfato (ATP) é representada, em Química, pela expressão abaixo (reação 1):

ATP4− + H2OADP3− + HPO42− + H+ (reação 1)

em Bioquímica, a representação é simplificada como:

ATP + H2OADP + Pi (reação 2)

Na reação 2, na presença de íons magnésio em concentração total de 2 mmol.L-1 e em pH 7,0, ATP representa o somatório das concentrações de: ATP4-, HATP3-, H2ATP2-, MgHATP e Mg2ATP, ou seja, [ATP] = [ATP4-] + [HATP3-] + [H2ATP2-] + [MgHATP] + [Mg2ATP]. Dessa forma, a partir da “reação bioquímica”, o cálculo da constante de equilíbrio fornece o que chamamos de “constante de equilíbrio aparente”.

a) Mostre a expressão para a constante de equilíbrio aparente, Kep.

b) Mostre a expressão para a constante de equilíbrio “real”, Ke0, aquela obtida através da reação química (reação 1).

c) Se a fração em mols de ATP4-, num dado pH, é α4, ou seja, [ATP4-] = α4 . [ATP], qual a relação matemática entre a constante de equilíbrio aparente, Kep, e a constante de equilíbrio real, Ke0? Considere que [ADP] = [ADP3-] e o fósforo inorgânico é relativo apenas ao HPO42-, e assim, [Pi] = [HPO42-].

d) Se, numa dada condição biológica, a constante de equilíbrio aparente é 10 milhões de vezes maior do que a constante de equilíbrio real, ou seja, Kep = 107.Ke0, e a fração em mols de [ATP4-] é 40%, qual o pH deste meio? Dados: log(2) = 0,30; log(3) = 0,48.

Solução

a) Constante de equilíbrio aparente (Kep):

Para a reação bioquímica: ATP + H₂O ⇌ ADP + Pi

Kep = \frac{[\text{ADP}][\text{Pi}]}{[\text{ATP}]}

b) Constante de equilíbrio real (Ke₀):

Para a reação química: ATP⁴⁻ + H₂O ⇌ ADP³⁻ + HPO₄²⁻ + H⁺

Ke? = \frac{[\text{ADP}^{3-}][\text{HPO}_4^{2-}][\text{H}^+]}{[\text{ATP}^{4-}]}

c) Relação entre Kep e Ke₀:

Dado que [ATP⁴⁻] = α₄[ATP], [ADP] = [ADP³⁻] e [Pi] = [HPO₄²⁻], temos:

Ke? = \frac{[\text{ADP}][\text{Pi}][\text{H}^+]}{\alpha_4[\text{ATP}]} = \frac{[\text{H}^+]}{\alpha_4} \times \frac{[\text{ADP}][\text{Pi}]}{[\text{ATP}]} = \frac{[\text{H}^+]}{\alpha_4} \times Kep

Portanto:

Kep = Ke? \times \frac{\alpha_4}{[\text{H}^+]}

d) Cálculo do pH:

Dado que Kep = 10⁷ × Ke₀ e α₄ = 40% = 0,4:

10^7 \times Ke? = Ke? \times \frac{0,4}{[\text{H}^+]}

10^7 = \frac{0,4}{[\text{H}^+]}

[\text{H}^+] = \frac{0,4}{10^7} = 4 \times 10^{-8}  \text{M}

\text{pH} = -\log(4 \times 10^{-8}) = 8 - \log(4) = 8 - 0,60 = 7,40

Portanto, o pH do meio é 7,40.

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Assunto

Química – Equilíbrio Químico: Constantes de Equilíbrio, pH, Especificidade Iônica

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Gabarito

a) Kep = \frac{[\text{ADP}][\text{Pi}]}{[\text{ATP}]}

b) Ke? = \frac{[\text{ADP}^{3-}][\text{HPO}_4^{2-}][\text{H}^+]}{[\text{ATP}^{4-}]}

c) Kep = Ke? \times \frac{\alpha_4}{[\text{H}^+]}

d) pH = 7,40

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Questão 3

No Brasil Colônia há registros de inúmeras organizações quilombolas. Dentre elas está o Quilombo de Palmares, localizado na região que hoje pertence a Alagoas, mas que, na época, fazia parte da Capital Geral de Pernambuco. Essa capitania tinha expressiva produção da cana-de-açúcar, com 23 engenhos ativos em 1570. A documentação do período estima que havia cerca de 20 mil pessoas vivendo em Palmares.

O poder colonial organizou diversas expedições para destruir o quilombo. Palmares resistiu a investidas portuguesas e holandesas durante o século XVII. Em 1694, o quilombo foi destruído por uma expedição armada e comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho.

Detalhe de carta topográfica de Pernambuco usada por José Gonçalves da Fonseca, em 1766, com a região dos palmares circundada em vermelho
Fontes: www.hypeness.com.br e Learn NC

a) Detalhe as principais características de um quilombo e seu papel no Brasil Colônia.

b) Qual a quantidade mínima de pólvora que deve ser usada para que um projétil disparado de um canhão português atinja a capital palmarina a 4,0 km de distância?

Solução

a) Os quilombos eram comunidades autônomas formadas por pessoas escravizadas que fugiam do cativeiro. Caracterizavam-se por: organização social própria, economia de subsistência, estrutura defensiva e resistência ativa ao sistema colonial. Seu papel foi fundamental como forma de resistência à escravidão e preservação de culturas africanas.

b) Cálculo da quantidade de pólvora:

Alcance máximo:  R = \frac{v_0^2}{g} (para θ = 45°)

<br />
4000 = \frac{v_0^2}{10} \Rightarrow v_0 = 200 \, \text{m/s}<br />
” /></span><script type='math/tex;  mode=display'><br />
4000 = \frac{v_0^2}{10} \Rightarrow v_0 = 200 \, \text{m/s}<br />
</script></p></p>
<p>Energia cinética: <span class='MathJax_Preview'><img data-recalc-dims=

Energia da pólvora:  \frac{120.000}{0,1} = 1.200.000 \, \text{J}

Massa de pólvora:  \frac{1.200.000}{4.000.000} = 0,3 \, \text{kg}

Portanto, 300 g de pólvora.

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Assunto

História – Brasil Colônia: Resistência Escrava, Organização Quilombola

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Gabarito

a) Comunidades autônomas de resistência à escravidão

b) 300 g

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Questão 4

Observe os dois cartazes que circularam na Inglaterra, no final do século XIX e início do XX.

Dois cartazes históricos: 'Não case com uma sufragista' (esquerda) e 'Dia de eleição' (direita)
Fontes: www.hypeness.com.br e Learn NC

A partir dos seus conhecimentos sobre os temas tratados nas imagens:

a) Explique o que foi o movimento sufragista e cite uma estratégia utilizada por esse movimento social.

b) Os cartazes apresentados acima são conhecidos como antisufragistas. Identifique ao menos três estereótipos de gênero reforçados por eles.

Solução

a) O movimento sufragista foi uma luta pelo direito ao voto feminino que se desenvolveu entre o final do século XIX e início do XX. Uma estratégia importante foi a desobediência civil não-violenta, incluindo marchas, comícios e greves de fome.

b) Estereótipos de gênero nos cartazes anti-sufragistas:

1. Mulheres na política abandonariam seus papéis domésticos

2. Sufragistas como figuras masculinizadas e antiatraentes

3. Incapacidade feminina para o exercício da razão política

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Assunto

História – Movimentos Sociais: Sufragismo, Representação de Gênero

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Gabarito

a) Luta pelo voto feminino usando desobediência civil

b) Abandono do lar, masculinização, incapacidade política

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Questão 5

Na primeira fase da ONC, ficamos sabendo que, apesar do Sol representar 99,8% da massa do Sistema Solar, o baricentro do sistema está muito próximo do Sol, mas nem sempre está dentro do Sol. A posição relativa dos gigantes gasosos influencia esta posição.

Vamos, agora, levar em consideração apenas a influência do planeta Júpiter na posição do baricentro do Sistema Solar.

Diagrama do Sistema Solar mostrando a influência de Júpiter no baricentro
Fonte: SkyMarvels.com (adaptada)

Devido apenas à presença de Júpiter, determine:

a) a amplitude aproximada da oscilação angular do Sol, em milissegundos de arco.

b) o seu período, medido por uma hipotética astrônoma situada em torno da Estrela Proxima Centauri, distante aproximadamente 4,22 anos-luz (= 4,0 × 10¹³ km), na constelação do Centauro.

Solução

a) Amplitude da oscilação angular:

O baricentro do sistema Sol-Júpiter é dado por:

 R = \frac{m_{\text{Jup}} \times D}{M_{\text{Sol}} + m_{\text{Jup}}}

Substituindo os valores:

 R = \frac{2,0 \times 10^{27} \times 7,8 \times 10^8}{2,0 \times 10^{30} + 2,0 \times 10^{27}} \approx \frac{1,56 \times 10^{36}}{2,002 \times 10^{30}} \approx 7,8 \times 10^5  \text{km}

A amplitude angular é:

 \theta = \frac{R}{D_{\text{Proxima}}}

onde  D_{\text{Proxima}} = 4,0 \times 10^{13}  \text{km}

 \theta = \frac{7,8 \times 10^5}{4,0 \times 10^{13}} = 1,95 \times 10^{-8}  \text{rad}

Convertendo para milissegundos de arco:

 \theta \approx 1,95 \times 10^{-8} \times \frac{180 \times 3600 \times 1000}{\pi} \approx 4,02  \text{mas}

b) Período orbital:

Pela Terceira Lei de Kepler:

 T^2 = \frac{4\pi^2 a^3}{G(M_{\text{Sol}} + m_{\text{Jup}})}

onde  a = 7,8 \times 10^8  \text{km} é o semi-eixo maior.

 T = 2\pi \sqrt{\frac{a^3}{G(M_{\text{Sol}} + m_{\text{Jup}})}}

Substituindo os valores:

 T \approx 2\pi \sqrt{\frac{{7,8 \times 10^8)^3}{6,67 \times 10^{-11} \times 2,0 \times 10^{30}}}} \approx 3,74 \times 10^8  \text{s}

Convertendo para anos:  T \approx \frac{{3,74 \times 10^8}{365,25 \times 24 \times 3600}} \approx 11,9  \text{anos}

Portanto, o período é de aproximadamente 11,9 anos.

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Assunto

Astronomia – Mecânica Celeste: Baricentro, Lei de Kepler, Movimento Orbital

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Gabarito

a) ≈ 4,02 milissegundos de arco

b) ≈ 11,9 anos

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Questão 6

Uma astronauta encontra-se sobre um pequeno corpo do Sistema Solar, com uma densidade média ρcorpo = 3,0 g/cm³ (3,0 × 10³ kg/m³).

Ao saltar na vertical, ela acaba chegando à incrível marca de 10,0 m de altura. Na Terra, com o mesmo impulso e usando o mesmo traje espacial, ela não conseguiria saltar mais do que 20,0 cm.

Determine o raio deste corpo, supondo-o esférico.

Dados: (para facilitar as contas)

  • Aceleração da gravidade da Terra g ≈ 10,0 m/s²
  • Constante da Gravitação Universal G ≈ 20/3 × 10-11 m³kg-1s-2
  • π ≈ 3
Solução

A altura do salto é inversamente proporcional à aceleração da gravidade. Na Terra, a altura é  h_{\text{terra}} = 0,20 \, \text{m} com  g_{\text{terra}} = 10 \, \text{m/s}^2 . No corpo celeste,  h_{\text{corpo}} = 10,0 \, \text{m} .

Como a energia cinética inicial é a mesma:

 \frac{1}{2} m v^2 = m g h

Portanto,  g h = \text{constante} , logo:

 g_{\text{terra}} h_{\text{terra}} = g_{\text{corpo}} h_{\text{corpo}}

 10 \times 0,20 = g_{\text{corpo}} \times 10,0

 g_{\text{corpo}} = \frac{2,0}{10,0} = 0,20 \, \text{m/s}^2

Para um corpo esférico, a gravidade na superfície é:

 g = \frac{G M}{R^2}

onde  M = \frac{4}{3} \pi R^3 \rho

 g = \frac{G \cdot \frac{4}{3} \pi R^3 \rho}{R^2} = \frac{4}{3} \pi G \rho R

Substituindo  g_{\text{corpo}} = 0,20 \, \text{m/s}^2 ,  \rho = 3,0 \times 10^3 \, \text{kg/m}^3 , e  G = \frac{20}{3} \times 10^{-11} \, \text{m}^3 \text{kg}^{-1} \text{s}^{-2} :

 0,20 = \frac{4}{3} \pi \left( \frac{20}{3} \times 10^{-11} \right) (3,0 \times 10^3) R

Simplificando:

 0,20 = \frac{4}{3} \pi \cdot \frac{20}{3} \times 10^{-11} \cdot 3,0 \times 10^3 \cdot R

 0,20 = \frac{4}{3} \pi \cdot \frac{20}{3} \times 3,0 \times 10^{-8} \cdot R

 0,20 = \frac{4}{3} \pi \cdot 20 \times 10^{-8} \cdot R

 0,20 = \frac{80}{3} \pi \times 10^{-8} \cdot R

Usando  \pi \approx 3 :

 0,20 = \frac{80}{3} \times 3 \times 10^{-8} \cdot R

 0,20 = 80 \times 10^{-8} \cdot R

 0,20 = 8,0 \times 10^{-7} \cdot R

 R = \frac{0,20}{8,0 \times 10^{-7}} = 2,5 \times 10^5 \, \text{m} = 250 \, \text{km}

Portanto, o raio do corpo é de 250 km.

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Assunto

Física – Gravitação Universal: Aceleração Gravitacional, Densidade, Energia

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Gabarito

Raio: 250 km

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Questão 7

Para se evitar uma gravidez indesejada, um dos primeiros passos é entender o ciclo menstrual e identificar o período fértil. Um dos erros mais recorrentes é achar que a contagem do ciclo menstrual se inicia no primeiro dia do mês. É preciso sempre lembrar que o ciclo menstrual inicia a sua contagem a partir do primeiro dia da menstruação. Considere duas mulheres: Paula e Joana. Paula tem um ciclo menstrual de 28 dias e Joana de 32 dias.

Diagrama dos ciclos menstruais de Paula e Joana
Fonte: www.suelyresende.com.br

a) Se o primeiro dia de menstruação de Paula e Joana ocorrer no dia 08 de julho, qual é o dia provável de suas ovulações? Por que estima-se um provável dia para a ovulação e não estipula-se um dia exato para tal fenômeno?

b) Qual é o hormônio hipofisário responsável pela ovulação? Por que os períodos férteis representados nos ciclos anteriores apresentam sete dias?

Solução

a) Dia provável da ovulação:

Para Paula (ciclo de 28 dias), a ovulação ocorre aproximadamente no 14º dia do ciclo. Como o ciclo começa no dia 08 de julho, a ovulação será em 08 + 14 = 22 de julho.

Para Joana (ciclo de 32 dias), a ovulação ocorre aproximadamente no 16º dia do ciclo. Assim, 08 + 16 = 24 de julho.

A ovulação não é exata porque o ciclo menstrual pode variar devido a fatores como stress, saúde, alimentação, etc. Portanto, estima-se um dia provável, mas não se pode precisar exatamente.

b) Hormônio hipofisário:

O hormônio responsável pela ovulação é o LH (hormônio luteinizante), liberado pela hipófise.

O período fértil dura cerca de 7 dias porque inclui os dias antes e depois da ovulação. O espermatozoide pode sobreviver até 5 dias no trato reprodutivo feminino, e o óvulo sobrevive por até 24 horas. Assim, a janela fértil é extendida para garantir a fecundação.

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Assunto

Biologia – Fisiologia Humana: Ciclo Menstrual, Ovulação, Hormônios

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Gabarito

a) Paula: 22 de julho; Joana: 24 de julho. Devido à variabilidade do ciclo.

b) LH (hormônio luteinizante). Devido à sobrevivência dos gametas.

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Questão 8

Na grande circulação, o sangue que sai do coração pela aorta em direção a circulação sistêmica, na maior parte dos casos, irriga os órgãos por meio de capilares, que logo se conectam a veias de maior calibre até chegar à veia cava, superior ou inferior, retornando ao coração a fim de entrar na pequena circulação. Entretanto, o sangue arterial que passa pelo trato digestório deve passar pelo fígado antes de ser direcionado ao coração, de onde é enviado para a pequena circulação e, posteriormente, a todas as células do corpo. Dessa forma, esse sangue passa duas vezes por um sistema de capilares e o fígado recebe, ao mesmo tempo, sangue arterial através da artéria hepática, e sangue venoso, vindo do trato digestório pelo sistema porta-hepático.

Esquema da vascularização hepática mostrando artéria hepática e veia porta
Fonte: Dee Unglaub Silverthorn – Fisiologia Humana Uma Abordagem Integrada – 7a edição. Editora Artmed.

a) Explique por que o sangue do sistema entérico, deve passar antes pelo fígado para retornar ao coração. Explique, também, a importância para o fígado que o mesmo seja irrigado por sangue proveniente da artéria hepática, quando este já é irrigado pelo sangue provindo da veia porta-hepática.

b) Considerando que a nossa circulação sanguínea é um sistema fechado, a taxa de fluxo (Q) do sangue é constante, logo a relação entre a velocidade do fluxo (v) sanguíneo e a área de secção total (A) dos vasos é inversamente proporcional, expressa na seguinte equação:  v = \frac{Q}{A} . Compare a velocidade do fluxo entre os capilares entéricos, a veia porta hepática e os capilares hepáticos, e explique a razão da velocidade do sangue observada nos sistemas de capilares.

Solução

a) Passagem pelo fígado:

O sangue do sistema entérico deve passar pelo fígado para que os nutrientes absorvidos no intestino sejam processados e detoxificados antes de serem distribuídos para o resto do corpo. O fígado atua como um filtro metabólico.

A artéria hepática fornece sangue oxigenado necessário para as funções metabólicas do fígado, enquanto a veia porta fornece nutrientes. A dupla irrigação garante que o fígado tenha oxigênio suficiente para suas atividades, mesmo quando processa grandes quantidades de nutrientes.

b) Velocidade do fluxo sanguíneo:

Nos capilares entéricos, a área de secção total é grande, então a velocidade é baixa ( v = \frac{Q}{A} ), permitindo trocas eficientes.

Na veia porta hepática, a área de secção é menor, então a velocidade aumenta.

Nos capilares hepáticos, a área de secção total volta a ser grande, então a velocidade diminui novamente, facilitando as trocas no fígado.

Isso ocorre porque a velocidade é inversamente proporcional à área total, e os capilares têm grande área total devido ao grande número de vasos.

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Assunto

Biologia – Anatomia Humana: Sistema Circulatório, Fígado, Hemodinâmica

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Gabarito

a) Para processamento de nutrientes e detoxificação. A artéria hepática fornece oxigênio.

b) Velocidade baixa nos capilares (área grande), maior na veia porta (área menor), e baixa novamente nos capilares hepáticos. Devido à relação inversa entre velocidade e área.

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Questão 9

O Iluminismo, surgido no século XVII, foi um movimento de análise de seu tempo, partindo de outros conhecimentos e contextos acumulados e compartilhados na história intelectual. Assim, valorizando a razão e tecendo críticas ao absolutismo, defenderam princípios como a individualidade e a universalidade. Tali ideais, além de compor teorias sociais e políticas, também tiveram influência em estudos sobre a natureza, seu funcionamento e organização.

Como parte dessa metodologia de construção do conhecimento, está o trabalho mais notório de Isaac Newton (1643-1727), que verificou como a terceira lei Kepler não era exclusiva para os planetas do Sistema Solar, mas servia para qualquer sistema orbital, logo era uma consequência de uma lei mais abrangente que governa todo o Universo: a Lei da Gravitação Universal. Para provar isso, ele utilizou algumas informações prévias: o raio da Terra RT = 6400 km (descoberto por Eratóstenes no século II a.C.); a distância entre o centro da Terra e o da Lua (obtido por Herácles no século I a.C.); o valor adotado para a aceleração da gravidade próximo à superfície da Terra g = 10 m/s² e o conhecido período orbital da Lua TT = 27 dias ≅ 192√15 π mil segundos.

a) Explique o princípio da universalidade defendido pelo Iluminismo e o risco de ser empregado de forma etnocêntrica na ciência História.

b) Calcule o período de órbita de um corpo muito próximo à superfície terrestre. Em seguida, utilize o valor encontrado junto àqueles disponíveis no enunciado para mostrar que a Terceira Lei de Kepler pode ser aplicada para relacionar o movimento da Lua e ao desse corpo.

Solução

a) Princípio da universalidade:

O princípio da universalidade defende que as leis naturais e humanas são aplicáveis a todos os povos e lugares, baseando-se na razão. No entanto, quando aplicado de forma etnocêntrica na história, pode levar à negação das particularidades culturais e à imposição de visões eurocêntricas, ignorando a diversidade de experiências humanas.

b) Período orbital próximo à Terra:

Para um corpo orbitando muito próximo à Terra, a aceleração centrípeta é igual à gravidade:

 \frac{v^2}{R_T} = g

 v = \sqrt{g R_T}

O período T é:

 T = \frac{2\pi R_T}{v} = \frac{2\pi R_T}{\sqrt{g R_T}} = 2\pi \sqrt{\frac{R_T}{g}}

Substituindo  R_T = 6400 \, \text{km} = 6,4 \times 10^6 \, \text{m} ,  g = 10 \, \text{m/s}^2 :

 T = 2\pi \sqrt{\frac{6,4 \times 10^6}{10}} = 2\pi \sqrt{6,4 \times 10^5}

 T \approx 2\pi \times 800 = 1600\pi \, \text{s} \approx 5026,5 \, \text{s}

Para a Lua, o período é  T_L = 27 \times 24 \times 3600 = 2,3328 \times 10^6 \, \text{s} .

A Terceira Lei de Kepler afirma que  \frac{T^2}{a^3} = \text{constante} .

Para o corpo próximo,  a \approx R_T , para a Lua,  a_L \approx 60 R_T (distância Terra-Lua é about 60 vezes o raio da Terra).

Verificando:

 \frac{T^2}{R_T^3} \approx \frac{(1600\pi)^2}{R_T^3}

 \frac{T_L^2}{a_L^3} \approx \frac{(2,3328 \times 10^6)^2}{(60 R_T)^3}

Ambas as razões devem ser iguais, demonstrando a universalidade da lei.

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Assunto

História/Física: Iluminismo, Lei da Gravitação Universal, Terceira Lei de Kepler

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Gabarito

a) Universalidade baseada na razão, mas risco de etnocentrismo.

b) Período ≈ 5026,5 s. A razão  \frac{T^2}{a^3} é constante para ambos.

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Questão 10

Um motor térmico possui duas fontes de calor: água na temperatura de 27 °C e mercúrio à temperatura de 227 °C. Esse motor funciona expandindo e comprimindo 0,3 mol de argônio que se comporta como um gás ideal.

Esse gás sofre quatro transformações (1, 2, 3 e 4) conforme indica o gráfico abaixo, tendo como temperaturas máxima e mínima as das fontes térmicas. Considere que as paredes são adiabáticas para encontrar o que está sendo pedido a seguir.

Máquina térmica
Fonte: Equipe ONC
Gráfico PV do ciclo termodinâmico do motor
Fonte: Equipe ONC

a) Calcule o trabalho total para um ciclo e o calor retirado da fonte quente.

b) Verifique se o rendimento dessa máquina é coerente ao que se espera quando comparado ao de uma máquina de Carnot.

Solução

a) Trabalho total e calor da fonte quente:

Convertendo temperaturas para Kelvin:

( T_f = 27 + 273 = 300 \, \text{K} (fonte fria)<br />
” /></span><script type='math/tex'><br />
</script>( T_q = 227 + 273 = 500 \, \text{K} <span class='MathJax_Preview'><img data-recalc-dims=

Para um gás ideal monoatômico,  C_v = 12 \, \text{J/molK} ,  C_p = C_v + R = 12 + 8 = 20 \, \text{J/molK} .

O trabalho total é a área do ciclo no gráfico PV. Assumindo um ciclo retangular ou similar, precisamos de mais informações do gráfico. Como não está detalhado, usaremos as temperaturas.

O calor retirado da fonte quente  Q_q pode ser calculado considerando a eficiência.

Para uma máquina de Carnot, o rendimento é  \eta = 1 - \frac{T_f}{T_q} = 1 - \frac{300}{500} = 0,4 .

Mas para esta máquina, precisamos do trabalho e calor.

Como não há gráfico específico, assumimos que o trabalho total W é calculado pelas transformações.

Usando a lei dos gases ideais, e para n = 0,3 mol, podemos encontrar W e Q_q.

Devido à falta de dados do gráfico, não é possível calcular numericamente. Portanto, a resposta deve ser em termos das fórmulas.

b) Rendimento comparado com Carnot:

O rendimento de qualquer máquina térmica é sempre menor ou igual ao de Carnot:  \eta \leq 1 - \frac{T_f}{T_q} .

Assim, se o rendimento calculado for menor que 0,4, é coerente.

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Assunto

Física – Termodinâmica: Ciclos Termodinâmicos, Máquinas Térmicas, Rendimento

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Gabarito

a) Depende do gráfico PV. Trabalho total = área do ciclo; Calor da fonte quente = Q_q.

b) O rendimento deve ser ≤ 0,4 (rendimento de Carnot).

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