A Olimpíada Internacional de Filosofia, ou IPO, teve início em 1993 dentre um contexto histórico conturbado, principalmente por tratar-se de uma olimpíada científica pós-guerra fria. Realizada na Bulgária como uma iniciativa do Departamento de Filosofia da Universidade de Sofia, contou com a modesta participação de apenas três países: Bulgária, Turquia e România; e configurou-se de forma radicalmente distinta de como é realizada nos dias de hoje. Em 1995, a UNESCO começou um processo de aceitação da IPO que culminou em seu reconhecimento e apoio pela organização, assim como a FISP que passou a organizá-la em 2001.
Atualmente, a olimpíada conta com a participação de, no mínimo, 50 países, que compõe as delegações e o Júri Internacional. Todos os países participantes têm direito de selecionarem dois estudantes e dois professores para formarem suas delegações, com exceção do país sede, que pode selecionar, no máximo, dez estudantes.
Quanto aos objetivos que o Comitê Organizador Internacional da IPO descreve em seu regulamento, temos os seguintes:
- Aumentar o interesse filosófico dos jovens em nível de Ensino Médio;
- Encorajar o estabelecimento de olimpíadas a nível regional e nacional de filosofia para estudantes pré-universitários ao redor do mundo;
- Contribuir para a formação do pensamento criativo e critico;
- Prover uma reflexão filosófica acerca da ciência, política, arte e vida social;
- Encorajar a postura ética diante de problemas do mundo moderno; e
- Possibilitar o contato entre diferentes culturas de diferentes países como forma de promover a paz
entre as nações.
A prova é realizada em algum dia do mês de Maio e nela os estudantes têm de redigir um ensaio filosófico, dispondo de 4 horas para a escrita deste. Quanto ao tema da redação, hão de serem apresentados quatro tópicos, por intermédio de citações sucintas ou perguntas, que devem abordar os mais variados temas da filosofia em qualquer uma de suas tão vastas abordagens. O ensaio pode ser escrito em quatro línguas: inglês, espanhol, alemão e francês, sendo que em hipótese alguma um participante pode escrever em sua língua nativa, ou seja, da mesma forma que um brasileiro precisará escrever em uma língua que não domina por completo, um francês ou estadunidense também terá. No entanto, o inglês é a língua oficial da competição, então faz-se estritamente necessário que TODOS os competidores tenham capacidade de se comunicar nessa linguagem, mesmo aqueles que não escreverão suas redações na língua inglesa. A única ajuda que o aluno poderá ter é o auxilio de um dicionário bilíngue, que deve ser trazido pelo próprio aluno.
Os critérios de avaliação previstos no regulamento são:
- Relevância ao Tópico;
- Compreensão filosófica do tópico;
- Poder persuasivo de argumentação;
- Coerência; e
- Originalidade.
Durante a primeira fase, a redação será lida por quatro membros do Júri Internacional, formado por professores de outras delegações, que darão uma pontuação de 1 a 10 baseando-se nestes critérios de avaliação; de 7.5 a 10 pontos, o assessor estará sugerindo que a redação deva passar para a segunda fase, de 6 a 7, que ele não irá se opor caso a redação passe e de 1 a 5, que ele sugere que o ensaio não tem condição de passar a segunda fase.
Chegando a segunda fase, os ensaios serão lidos por dois membros adicionais do Júri, que novamente os pontuarão e decidirão quais devem ser selecionados para a terceira fase, em que serão analisados pelos membros do Steering Board, formado por um representante da UNESCO, o presidente da FISP e mais dois membros desta, assim como por três membros do Comitê
Internacional, que hão de decidir quais destes ensaios premiar.
Depois de tudo isso, no último dia do evento, são distribuídas medalhas de ouro, prata e bronze para os estudantes de melhor desempenho, assim como de menções honrosas para aqueles estudantes que também se destacaram.
Durante toda a viagem, os gastos dos estudantes estarão sendo pagues pelo país sede, que deve arcar com estadia, alimentação e projetos culturais que lá ocorrem. No final das contas, o evento é bem mais do que a realização dos ensaios, pois é também preenchido com palestras, passeios e atividades de socialização. É, sobretudo, uma oportunidade de encontrar pessoas que
compartilham dos seus gostos e interesses, mas que também cultivam uma cultura completamente diferente da sua.
A forma de classificação dos brasileiros para a IPO é por via da Olimpíada Nacional de Filosofia (Onfil), na sua etapa de Seletiva para a Internacional.
Todas essas e mais informações podem ser conferidas no site da Onfil, da IPO e em outras páginas do NOIC.
