Reino Animalia

Os animais englobam organismos eucariontes, multicelulares e heterotróficos, caracterizados pela ingestão de matéria orgânica para obtenção de energia. Uma marca distintiva do grupo é a capacidade de locomoção ativa em pelo menos uma fase do ciclo de vida – graças a tecidos musculares e nervosos especializados – embora alguns adultos possam ser sésseis (como corais fixos). Diferentemente de plantas e fungos, as células animais não possuem parede celular. Além disso, exibem organização em tecidos e órgãos (com exceção de grupos como as esponjas, que não apresentam tecidos verdadeiros). A variedade de formas e tamanhos dentro do reino Animalia é enorme, indo desde organismos microscópicos planctônicos até os maiores vertebrados, como a baleia-azul. Graças a essa diversidade, os animais conquistaram virtualmente todos os habitats do planeta – das profundezas abissais dos oceanos às montanhas mais altas e desertos – desenvolvendo características que lhes permitem sobreviver em condições ambientais diversas.

 

Comparação entre célula animal e célula fúngica

A maioria dos animais apresenta ciclo de vida predominante diplonte (fase multicelular diploide), reproduzindo-se de forma sexuada com produção de gametas. A reprodução assexuada também ocorre em diversos grupos (como brotamento em poríferos e cnidários, partenogênese em alguns invertebrados, etc.), embora em escala bem mais limitada que nos outros reinos. Em termos de classificação, o Reino Animalia é dividido em cerca de 30 filos distintos com base em características anatômicas, embriológicas e moleculares. Os principais filos incluem Porifera (poríferos, ex.: esponjas), Cnidaria (cnidários, ex.: águas-vivas, corais), Platyhelminthes (platelmintos, vermes achatados), Nematoda (nematódeos, vermes cilíndricos), Annelida (anelídeos, ex.: minhocas, sanguessugas), Mollusca (moluscos, ex.: caracóis, lulas), Arthropoda (artrópodes, ex.: insetos, crustáceos, aranhas), Echinodermata (equinodermos, ex.: estrelas-do-mar, ouriços) e Chordata (cordados, que incluem todos os vertebrados: peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos). Popularmente, costuma-se separar os animais em invertebrados (a grande maioria dos filos, aqueles que não possuem coluna vertebral, como insetos, moluscos, vermes, etc.) e vertebrados (um subgrupo dentro dos cordados, com crânio e vértebras, abrangendo peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos).

Ecologicamente, os animais desempenham papéis cruciais nos ecossistemas. Como consumidores primários, secundários e terciários nas cadeias alimentares, eles conectam e regulam os demais níveis tróficos. Herbívoros mantêm o equilíbrio das populações de plantas, enquanto carnívoros controlam as populações de herbívoros e outros animais, prevenindo desequilíbrios ecológicos. Animais onívoros e decompositores (como muitos insetos necrófagos e vermes) contribuem para a reciclagem de nutrientes ao fragmentar matéria orgânica que será posteriormente decomposta por fungos e bactérias. Muitas espécies animais atuam também como agentes de dispersão e polinização: por exemplo, insetos, aves e alguns mamíferos transportam pólen e sementes, permitindo a reprodução de plantas e a manutenção da biodiversidade vegetal. Em ecossistemas aquáticos, pequenos animais planctônicos (zooplâncton) se alimentam do fitoplâncton (algas e protistas fotossintéticos) e servem de presa para animais maiores, transferindo a energia fixada pelos produtores primários até níveis tróficos superiores, como peixes e mamíferos marinhos.

Remoção de veneno de serpentes para fins científicos e medicinais.

Do ponto de vista humano, o reino Animalia possui grande importância econômica, cultural e científica. Muitos animais são fontes diretas de alimento (pesca, pecuária, avicultura, etc.) e materiais (couro, lã, seda). Vários desempenham papéis ecológicos dos quais dependemos, como polinizadores indispensáveis na agricultura (abelhas, por exemplo). Além disso, animais têm sido utilizados como modelos em pesquisas biomédicas e são fonte de medicamentos e substâncias úteis: por exemplo, compostos presentes no veneno de serpentes foram aproveitados no desenvolvimento de fármacos anti-hipertensivos, e a espongiostatina, isolada de esponjas marinhas, mostrou potencial no tratamento de câncer. 

 

Aula por Kauí P. Lebarbenchon