Escrito por Lucas Praça, Vitor Takashi, Felipe Alves, Paulo Vinicius, Tiago Rocha, Caio Yamashita, Davi Tsuchie
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Problema 1
A série de tamanhos de papel A tem como característica que cada formato possui metade da área do anterior e mantém a mesma proporção de lados. Na figura, a área sombreada de dimensões
representa uma folha de papel
. Dividindo transversalmente essa folha ao meio, obtêm-se duas folhas de papel
, com lados
e
. Repetindo esse processo, obtêm-se as folhas
,
,
e assim sucessivamente.

Considere que se deseja formar um bloco de anotações A6 a partir de uma única folha
.
Sabendo que
tem uma área de
e espessura de
, determine:
(a) a altura e largura, em mm, de uma folha do bloco de anotações;
(b) a espessura do bloco de anotações.
Conceitos Matemáticos
(a) Como foi dito no enunciado, deseja-se formar um bloco de anotações com folhas
a partir de uma folha
. Logo, devemos analisar como a folha
difere de uma folha
.
Considerando que a folha
tem dimensões
e
, podemos seguir a lógica apresentada pelo enunciado e concluir que:
- A folha A1 tem dimensões
e
. - A folha A2 tem dimensões
e
. - A folha A3 tem dimensões
e
. - A folha A4 tem dimensões
e
. - A folha A5 tem dimensões
e
. - A folha A6 tem dimensões
e
.
Sabemos que a folha
possui uma área de
. Portanto,
.
Então, basta mais uma equação para podermos descobrir
e
. Para isso, vamos usar o dado do enunciado que as proporções se preservam. Assim, comparando um folha
com uma folha
, podemos escrever:


Então, juntando os resultados, obtemos:


Dessa maneira, os valores buscados são:


Uma dificuldade possivelmente relacionada a essa questão é computar
, até porque a aproximação para raízes genéricas não foi fornecida pela prova NJR, apesar de ser fornecida em outros níveis.
(b) Primeiramente, devemos calcular a área de um bloco de anotações. Para isso, podemos recorrer as suas dimensões
e
. Obtendo que sua área é:


Como foi dito no item anterior que
, obtemos que a área de um bloco de anotação (papel A6) é:

Além disso, podemos calcular o volume inicial de papel, já que como nenhum papel é criado e nem perdido, temos que o volume de papel A0 deve ser o mesmo do que o volume do bloco de anotação.
O enunciado diz que a folha A0 tem área de
e espessura de
. Logo, seu volume deve ser de:

Considerando que o bloco de anotação tem uma espessura
, podemos concluir que o volume é:

Como os volumes são iguais:


Transformando em
:

(a) altura:
; largura: 
(b) 
Problema 2
Um menino de massa M = 50,0 kg sustenta uma carga de massa m por meio de um sistema de polias, conforme a figura ao lado. A polia pequena está fixa ao teto e a polia grande é móvel, com a carga m presa ao seu eixo. O cabo passa pelas duas polias; uma extremidade é puxada pelo menino e a outra está presa ao teto. Considere polias e cabo ideais (inextensíveis e de massa desprezível). Analise o equilíbrio estático.
(a) Qual é a força que o menino exerce no cabo quando m = 15 kg?
(b) Qual é a força que o menino exerce sobre o piso quando m = 15 kg?
(c) Qual é o maior valor de m que o menino consegue sustentar em equilíbrio estático com esse sistema?
mecânica
((a) Força que o menino exerce no cabo (F)
O sistema de polia móvel oferece uma vantagem mecânica. A carga de peso
é sustentada por duas seções do mesmo cabo. A força que o menino exerce,
, é igual à tensão nesse cabo. Para o equilíbrio da polia móvel:

O peso da carga
é dado por:
Portanto, a força
é:
Substituindo os valores para
:

(b) Força que o menino exerce sobre o piso (Força Normal N)
Para encontrar a força que o menino exerce no piso, precisamos analisar as forças verticais que atuam sobre o menino. As forças são:
- Seu peso
, para baixo. - A força de tração do cabo
, para cima (o cabo o puxa para cima). - A força Normal
do piso, para cima.
No equilíbrio, a soma das forças para cima é igual à soma das forças para baixo:

O peso do menino
é:
Agora, podemos isolar e calcular a Normal
:


Pela Terceira Lei de Newton, a força que o menino exerce sobre o piso é igual em módulo à força Normal.
(c) Maior valor de m que o menino consegue sustentar
O maior valor de massa
que o menino pode sustentar ocorre na situação limite em que ele está prestes a sair do chão. Nesse momento, a força que o piso exerce sobre ele é nula.

Analisando novamente as forças sobre o menino nessa condição:


Isso significa que a força máxima que ele pode aplicar no cabo é igual ao seu próprio peso. Agora, usamos a relação do item (a) para encontrar a massa correspondente a essa força máxima:





(a) 
(b)
(c)
Problema 3
Dois satélites estão em órbitas aproximadamente circulares em torno da Terra, coplanares e passando pelos polos. O período orbital do satélite A é
, e o do satélite B
. Em certo instante, ambos estão alinhados e posicionados sobre o Polo Norte da Terra. Considere o intervalo de tempo até que os satélites retornem a mesma posição(alinhados sobre o Polo Norte da Terra). Determine:
(a) quantas órbitas o satélite A completa nesse intervalo;
(b) quantas vezes os satélites A e B ficaram alinhados com a Terra abaixo deles nesse intervalo(sem contar os alinhamentos inicial e final);
(c) quantas vezes os satélites A e B ficaram alinhados com a Terra entre eles nesse intervalo.
Movimento circular
a) Primeiramente, vamos calcular quanto tempo irá demorar para que os planetas se alinhem novamente sobre o Polo Norte. O tempo necessário será o Mínimo Múltiplo Comum(MMC) entre os dois períodos, pois nesse momento ambos estarão juntos na origem do movimento(Polo Norte). O MMC entre
e
é
, então esse é o tempo buscado. Assim, o número de voltas que o planeta A fará será:

b) Vamos considerar o ângulo transladado por cada planeta:


Assim, queremos encontrar todos os valores positivos de
que satisfaçam a seguinte equação até
:

Em
, a diferença entre os ângulos será:

Ou seja, existem soluções de n de 1 até 7 no intervalo pedido. Porém, como o enunciado pede para desconsiderarmos o alinhamento final, o número de alinhamentos será 6.

c) Analogamente, queremos os valores ímpares de m que solucionam:

Como vimos no item anterior, o valor máximo para a diferença entre esses ângulos é
. Assim, as soluções existentes para m são 1, 3, 5, 7, 9, 11 e 13. Ou seja, tal alinhamento ocorreu 7 vezes.

(a) 
(b) 
(c) 
Problema 4
Um avião
se desloca com para leste com velocidade constante
, em uma rota que passa a
ao norte de uma estação de monitoramento
. A estação está programada para alertar movimentos de aeronaves que estejam a menos de
dela.

(a) Por quantos minutos o movimento dessa aeronave permanece em alerta?
(b) Seja
a velocidade radial média do avião com relação a B(média da taxa de variação temporal da em distância r em relação a
). Determine
, em km/h, entre o primeiro alerta e o ponto de máxima aproximação de
.
(c) Determine uma expressão para a velocidade radial instantânea
considerando o instante inicial
como o primeiro alerta.
(d) Esboce o gráfico de
obtido no item anterior.
Cinemática
(a) Primeiramente, devemos encontrar em qual região o avião é alertado. Para isso, devemos recorrer a geometria do problema:

Utilizando o Teorema de Pitágoras, podemos encontrar a distância
:



Entretanto, não podemos afirmar que o avião fica alerta durante
já que a situação é simétrica, ou seja, também existe uma outra distância
do outro lado.

Logo, o avião fica alerta durante
. Considerando que o avião se move a uma velocidade
, podemos encontrar o tempo:




Transformando em minutos:


(b) Sendo,


Como o enunciado pede entre o primeiro alerta e o ponto de máxima aproximação, devemos calcular a distância
nesses casos e calcular o intervalo de tempo entre eles.
Como já foi descrito no item anterior, a distância
do primeiro alerta é
. No ponto de máxima aproximação, temos:

Logo, o
nesse caso é
. Como foi visto no exercício anterior, a distância entre esses dois instantes é
. Logo, como a velocidade
, podemos afirmar que o intervalo de tempo entre esses dois instantes é:




Logo,




c) A velocidade radial instantânea
corresponde a velocidade com que o avião se aproxima (ou se afasta) de B. Ou seja, é a componente da velocidade na direção da reta que liga B com o avião. Logo, podemos afirmar que a velocidade radial é dada por:

Onde
é o ângulo entre a linha de trajetória do avião e a reta que liga o avião e B, como mostra a figura a seguir:

Utilizando essa figura, é possível perceber que:

Além disso,
. Logo,

Como já foi visto nos exercícios anteriores, quando o primeiro alerta é acionado,
. Portanto, podemos afirmar que
pode ser descrito como:


Substituindo, podemos encontrar que:



d) Esboçando o gráfico de
, obtemos:

Onde o eixo vertical é
(em km/h) e o eixo horizontal é
(em horas). Perceba que
tende a
quando
e
quando
. Além disso, a mudança de sinal acontece quando
que corresponde ao instante em que o avião se encontra logo acima da estação B.
(a) 
(b) 
(c) 
(d) Veja na solução
Problema 5
Durante uma trilha na selva, dois estudantes de Física precisam cruzar um riacho usando uma corda presa ao alto de uma árvore. O desafio é decidir quando soltar a corda para alcançar a maior distância horizontal na outra margem.
Eles modelam a situação como um pêndulo simples: fio ideal de comprimento
, inextensível e de massa desprezível, com uma pequena esfera na extremidade(ver figura). Considere o ponto mais baixo da trajetória como nível
(mesmo nível da margem de chegada).

No instante
a esfera é solta do repouso a partir
(fio horizontal). No instante
o fio está vertical e a esfera passa por
(sobre o meio do riacho). No instante
, quando o fio faz um ângulo
com a vertical, a esfera é liberada. No instante
ela atinge a outra margem na coordenada horizontal
.
(a) Determine a coordenada
alcançada quando a esfera é liberada em
.
(b) Determine a função
(Alcance horizontal
para dado ângulo de liberação
), que é contínua no domínio
. Prove que esta função apresenta um máximo no intervalo
. Pode ser útil utilizar as aproximações de
ordem(para
pequeno, em rad):




Cinemática
(a) Para encontrar a velocidade da esfera em
, basta conservamos a energia mecânica do sistema:


Após a esfera ser liberada do pêndulo, o movimento vira um lançamento oblíquo. Assim, podemos equacionar o movimento em cada eixo:


A partir da segunda equação, podemos resolver a equação do segundo grau para obter uma expressão para
:

Assim, podemos encontrar
. O valor de
é o valor
em
mais
. Dessa forma, substituindo a expressão para o
e
, obtemos:

(b) Já temos a função pelo item anterior:

Agora, para provarmos que existe um máximo no intervalo pedido, vamos usar a seguinte estratégia: adicionar um pequeno ângulo(podendo ser negativo)
em
e
. Se a função aumenta para um
positivo em
e aumenta para um
negativo em
, então a função teve pelo menos um máximo no intervalor pedido. Utilizando as aproximações dadas no enunciado, podemos obter:

Assim, para
, obtemos:

Como o termo que acompanha
é negativo, então a função aumenta para valores negativos de
, como requerido.
Para
, obtemos:

Como o termo que acompanha
é positivo, então a função aumenta para valores positivos de
, como requerido. Logo o resultado está provado.
(a)
(b) 
Problema 6
Eratóstenes de Cirene (séc. III a.C.) determinou o raio da Terra a partir de uma observação e de duas hipóteses. O fenômeno que lhe chamou a atenção é que, no mesmo instante, a direção de incidência dos raios solares varia com a latitude do ponto de observação. Para explicá-lo, ele assumiu que os raios solares são paralelos e que a Terra é esférica. Inspirados nessa abordagem, estudantes de Macapá (M) e Porto Alegre (P), cidades aproximadamente no mesmo meridiano, decidiram reproduzir o experimento.
Macapá está praticamente sobre o Equador e Porto Alegre próxima ao paralelo 30° Sul. Um voo direto, pela rota mais curta, entre as duas cidades percorre a distância de 
O experimento será realizado ao meio-dia do equinócio, quando o Sol incide perpendicularmente em Macapá.
(a) Qual é aproximadamente o ângulo de incidência dos raios solares em Porto Alegre?
(b) Determine o raio da Terra sob as hipóteses de Eratóstenes e os resultados experimentais. Justifique seu resultado através de um diagrama.
(c) A mesma observação pode ser explicada por um modelo de Terra plana no qual o Sol é uma fonte de luz pontual a uma altura H acima do plano terrestre e está exatamente sobre Macapá ao meio-dia no equinócio. Determine H. Justifique seu resultado através de um diagrama.
(d) Se o modelo de Terra plana é capaz de explicar a diferença de ângulo de incidência dos raios solares em diferentes cidades, por que ele não é adotado?
Conceitos Matemáticos
(a) Conforme o primeiro enunciado, a cidade de Macapá (M) está no Equador (latitude 0°) e Porto Alegre (P) está na latitude 30° Sul. No equinócio, ao meio-dia, os raios solares incidem perpendicularmente em Macapá. Pela hipótese de Eratóstenes de que os raios solares chegam paralelos à Terra, o ângulo de incidência em Porto Alegre é igual à diferença de latitude entre as cidades.

(b) O ângulo entre as cidades é de
isto é:

Sabendo que o comprimento do arco é dado por

obtemos:

Adotando


O diagrama ficaria assim:

C)No modelo plano, o Sol estaria verticalmente sobre Macapá e faria um ângulo de 
com a vertical em Porto Alegre. Assim:

Sabendo que


Aproximando



O diagrama ficaria assim:

(d) O modelo de Terra plana não é adotado porque ele entra em contradição com as premissas do modelo esférico, que são comprovadas por observação. No modelo esférico, que já podemos assumir como o certo, a distância (d) é calculada como
, o que significa que a distância aumenta proporcionalmente com a latitude (
). Ao tentar aplicar essa distância real no cálculo da altura (
) do Sol no modelo plano (onde
), surge uma inconsistência fundamental. O modelo plano, ao ser confrontado com distâncias de latitudes diferentes, faria com que a altura calculada do Sol (
) mudasse drasticamente. Essa grande diferença na altura do Sol de acordo com a latitude do observador demonstra que os dois modelos são incompatíveis e que o modelo plano falha em descrever a realidade de forma coerente. Por exemplo, enquanto a observação de um ponto a
de latitude resulta em uma altura
de aproximadamente
, a observação de um ponto a
de latitude resultaria em uma altura H de
.
(a) O ângulo de incidência dos raios solares em Porto Alegre é de 
(b) 
(c)
(d) O modelo plano, ao ser aplicado a locais de diferentes latitudes, implicaria que a altura calculada do Sol (
) variaria drasticamente com a latitude, o que contradiz as observações reais.
Problema 7
Um densímetro é um instrumento que flutua em um líquido e se estabiliza em uma posição de equilíbrio estático com uma fração de seu volume submerso. Seu uso é comum em postos de fiscalização para verificar a pureza da gasolina comercializada. A escala do densímetro é calibrada com base na profundidade de imersão, permitindo estimar a densidade do líquido.

Considere um densímetro cilíndrico de massa
, área da base
e escala calibrada de modo que, quando imerso em gasolina pura, ele fica com
submerso. As densidades são
e
.
(a) Combustíveis vendidos no Brasil como "gasolina comum" são, em geral, uma mistura(em volume) de
de gasolina pura e
de etanol anidro. A que profundidade o densímetro se estabiliza ao ser imerso nesse combustível?
(b) Em uma fiscalização, ao inserir o densímetro em um combustível supostamente vendido como gasolina, observa-se uma profundidade submersa
. Supondo que se trate de uma mistura de gasolina pura e etanol anidro, determine a fração volumétrica (ou porcentagem) de etanol na mistura.
Hidrostática
(a) Podemos calcular a densidade média do líquido da maneira:

Assim, podemos traçar a condição para equilíbrio hidrostático:


(b) Juntando as expressões do último item, podemos encontrar a fração x buscada:


OBSERVAÇÃO: O dado
está inconsistente com o resto da questão. Utilizando uma lógica análoga ao utilizada nesta solução, seria teoricamente possível conseguir as respostas com tal profundidade. Porém, como o valor está inconsistente com o resto da questão, utilizar ele gera resultados absurdos para o item b).
Ao calcular tal profundidade com a metodologia do item a), obtemos
, que seria o valor correto.
(a) 
(b) 
Problema 8
Considere uma barra de aço orientada verticalmente, de comprimento inicial
, densidade
e área de seção transversal
. A barra é solta sobre um piso idealmente rígido desde uma altura
medida em relação à sua base.
Define-se tensão normal e deformação axial por

em que
é a força axial (positiva em tração e negativa em compressão), aplicada ao longo do eixo da barra e perpendicular à sua seção transversaç de área
, e
é a variação do comprimento da barra. O comportamento elástico linear do material é descrito pela Lei de Hooke uniaxial:

Onde Y é o módulo de Young do material. Para o aço, use
. Um material sofre uma deformação permanente quando
ultrapassa seu limite de elasticidade
. Para o aço, use
.
No impacto com o piso, considere que a base da barra para e surge, junto a ela, uma onda de compressão que se propaga para cima com velocidade
. Enquanto isso, o topo da barra segue movendo-se para baixo com velocidade
(igual à da barra imediatamente antes do impacto) até o encontro com a frente de onda (a aceleração da gravidade pode ser desprezada neste curto intervalo de tempo).
(a) Mostre que a lei de Hooke,
, decorre da lei de Hooke uniaxial. Determine a constante elástica
da barra.
(b) Estime o intervalo de tempo
para que o topo pare de se mover.
(c) Qual a maior altura de soltura
que não acarreta uma deformação permanente da barra.[
Mecânica
(a) Primeiramente, podemos utilizar a equação da Lei de Hooke uniaxial do enunciado da seguinte forma:

Logo, podemos concluir que:

(b) A velocidade relativa de aproximação entre o topo e a onda de compressão é
, logo o tempo
para que o topo pare de se mover é:

Primeiramente, podemos calcular
por:

Além disso, por conservação de energia, podemos escrever:

Para alturas na ordem de
, temos que
. Portanto, no cálculo de
, podemos estimar
, o que implica:

(c) A fim de encontrar a condição limite, podemos primeiramente perceber que a diferença no comprimento da barra é
. Assim, a Lei de Hooke uniaxial se torna:

Como as condições para o problema são
, temos:

(a)

(b)

(c)

Problema 9
Um estudante (E) está sentado a 500 m do ponto mais alto (A) de um trecho de estrada rural isolada e de baixo tráfego. Ele percebe que consegue ouvir veículos que se aproximam do outro lado da elevação antes de vê-los no alto da colina (veja o diagrama, fora de escala). Resolve então fazer um jogo de adivinhação, prevendo o instante em que um automóvel aparecerá.
Admita que as ondas sonoras produzidas pelo motor sejam audíveis por E para distâncias de até 1,20 km e que os automóveis trafeguem a 60 km/h.
(a) Qual é o intervalo de tempo entre a percepção do ronco do automóvel e o momento em que ele é visto no alto (A)?
(b) Que fenômeno ondulatório permite que a onda sonora "contorne" a elevação?
Ondas e cinemática
Para a resolução, primeiro organizamos os dados do problema. A distância do estudante ao topo (AE) é de
. A distância máxima que o som é audível é de
, ou seja,
. A velocidade do automóvel é de
, o que corresponde a
.
A interpretação mais direta do problema, para que seja possível resolvê-lo com os dados fornecidos, é que a distância audível (1200 m) é o caminho que o som percorre sobre a superfície da estrada, desde o carro (C) até o estudante (E), passando pelo ponto mais alto (A). Matematicamente, a distância total do som é a soma da distância do carro ao topo (AC) e do topo ao estudante (AE).

A partir disso, calculamos a distância que o carro está do topo quando o estudante o ouve pela primeira vez:


(a) Para resolver este item, devemos considerar o tempo que o som leva para viajar do carro até o estudante. O intervalo de tempo solicitado é a diferença entre o instante em que o carro é visto (quando ele chega ao ponto A) e o instante em que o som é percebido pelo estudante.
Primeiro, calculamos o tempo de viagem do carro para percorrer os 700 m até o topo (A), que chamaremos de
.

Em seguida, calculamos o tempo que o som, emitido daquela posição inicial, leva para chegar ao estudante, que chamaremos de
. A distância total percorrida pelo som é de 1200 m e sua velocidade no ar é de aproximadamente 340 m/s.

O intervalo de tempo entre a percepção (ouvir) e a observação (ver) é a diferença entre esses dois tempos. O carro é visto 42 s após o som ser emitido, mas o som só é ouvido 3,53 s após ser emitido. Portanto, o intervalo entre os dois eventos é:



(b) O fenômeno ondulatório que permite que uma onda contorne ou se espalhe ao encontrar um obstáculo é a difração, também conhecido como princípio de Huygens
(a) 
(b) Difração ou princípio de Huygens.
Problema 10
A Terra primitiva, há bilhões de anos, era coberta por magma. Com o passar do tempo, à medida que o calor foi conduzido à superfície e irridiado para o espaço, formou-se uma crosta sólida que cresceu progressivamente (veja esquema fora de escala). Atualmente, a crosta terrestre tem espessura média aproximada
e condutividade térmica média
.
Considere a temperatura do magma no manto
e a tempeatura na superfície terrestre constante em
.
Sabe-se ainda que, ao se solidificar,
de magma libera aproximadamente
de energia.
(a) Estime a taxa de crescimento da crosta (em
) associada à dissipação do calor por condução entre o manto e a superfície.
(b) Por simplicidade, suponha que essa taxa tenha permanecido constante desde a formação da Terra. Estime a ordem de grandeza do tempo em anos que a Terra possuía magma exposto na superfície.
Termodinâmica
(a) Primeiramente, podemos utilizar a lei de condução de Fourier entre a camada externa e interna:

Além disso, sendo
a capacidade térmica volumétrica da costa, o calor associado a um aumento
na crosta é:

Poranto, temos que:

Substituindo os valores do enunciado e convertendo as unidades:

(b) Considerando a taxa de crescimento constante, o tempo
desde o período que a Terra possuía magma exposto é:

(a)

(b)

Problema 11
Considere um prisma triangular de vidro cujo ângulo de abertura entre as duas faces refratoras é
. Um feixe colimado de luz branca incide perpendicularmente sobre uma de suas faces e emerge da segunda sofrendo um desvio. Adote indice de refração do ar
e, para o vidro, indices com dispersão pequena em torno de
. Os indices de refração nos extremos do espectro visivel são vermelho
e violeta
. Nas respostas, exprima os ângulos em termos da função
. Determine:
(a) O desvio angular médio sofrido pelo raio de luz devido à presença do prisma triangular.
(b) O ângulo de abertura do feixe emergente entre as cores vermelho e violeta na saída do prisma.
Óptica geométrica
(a) 
(b) 
Problema 12
Um carretel de linha apoia-se sobre uma mesa horizontal com coeficientes de atrito estático e cinético iguais a
(ver figura). O tambor interno, sobre o qual a linha está enrolada, tem raior
; as coroas externas têm raio
, com
. Considere que a toda a massa do carretel é
, modelada por duas massas
fixadas nos discos laterias, a uma distância
do centro.
Uma pessoa puxa a ponta da linha com força constante de módulo
, formando um ângulo
com a horizontal.
Seja
a aceleração linear do centro de massa
(positiva para direita) e
a aceleração angjular (positiva no sentido anti-horário).
(a) Determine
e
quando
.
(b) Determine
e
quando
.
(c) Determine o ângulo crítico
no qual o comportamento qualitativo do movimento muda do observado em (a) (para
) para o observado em (b) (para
).
(d) Determine
e
quando
e
.
Mecânica
(a) Primeiramente, quando o carretel é puxado ele adquirá acelerações linear e angular não nulas, até enfim chegar no regime de rolamento perfeito ( quando não há deslizamento). Nesse regime, temos então que:
\begin{equation}v = \omega R \iff a = \alpha R \end{equation}
Assim, sendo
a força de atrito com o solo, podemos calcular a força e o torque resultante no carretel (usando o centro de massa
como referência para o torque) da seguinte forma:

Logo, substituindo (1) na duas ultimas equações temos que

Nesse caso onde
e
, podemos substituir e achar:

(b) Esse caso é análogo ao item (a), portanto basta substituir
e
na expressão para
. Isso nos permite concluir que:

(c) A diferença quantitativa das situações nos itens (a) e (b) é a diferença entre os sinais de
e
. Portanto, podemos concluir da expressão de
que a condição crítica é:

Podemos ainda verificar que
e
, de acordo com o enunciado.
(d) Primeiramente, vamos calcular a força de atrito máxima
nesse caso. Temos que:

Caso ocorrese rolamento perfeito, teríamos como vimos no item anterior:

O que é um absurdo. Portanto, ocorre deslizamento e o atrito é cinético de módulo igual
. Assim:

(a)


(b)


(c)

(d)







