Terceira Fase (Nível 2)

Escrito por Lucas Praça, Vitor Takashi, Felipe Alves, Paulo Vinicius, Tiago Rocha, Caio Yamashita, Davi Tsuchie

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Problema 1

A série de tamanhos de papel A tem como característica que cada formato possui metade da área do anterior e mantém a mesma proporção de lados. Na figura, a área sombreada de dimensões L_0 \times H_0 representa uma folha de papel A0. Dividindo transversalmente essa folha ao meio, obtêm-se duas folhas de papel A_1, com lados L_1=\frac{H_0}{2} e H_1=L_0. Repetindo esse processo, obtêm-se as folhas A2, A3, A4 e assim sucessivamente.

Considere que se deseja formar um bloco de anotações A6 a partir de uma única folha A0.

Sabendo que A0 tem uma área de 1 \rm{m^2} e espessura de 1 \rm{mm}, determine:

(a) a altura e largura, em mm, de uma folha do bloco de anotações;

(b) a espessura do bloco de anotações.

Assunto abordado

Conceitos Matemáticos

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Solução

(a) Como foi dito no enunciado, deseja-se formar um bloco de anotações com folhas A6 a partir de uma folha A0. Logo, devemos analisar como a folha A6 difere de uma folha A0.

Considerando que a folha A0 tem dimensões H_0 e L_0, podemos seguir a lógica apresentada pelo enunciado e concluir que:

  • A folha A1 tem dimensões \dfrac{H_0}{2} e L_0.
  • A folha A2 tem dimensões \dfrac{H_0}{2} e \dfrac{L_0}{2}.
  • A folha A3 tem dimensões \dfrac{H_0}{4} e \dfrac{L_0}{2}.
  • A folha A4 tem dimensões \dfrac{H_0}{4} e \dfrac{L_0}{4}.
  • A folha A5 tem dimensões \dfrac{H_0}{8} e \dfrac{L_0}{4}.
  • A folha A6 tem dimensões \dfrac{H_0}{8} e \dfrac{L_0}{8}.

Sabemos que a folha A0 possui uma área de 1,00 \;\rm{m^2}. Portanto, H_0\cdot L_0=1\;\rm{m^2}.

Então, basta mais uma equação para podermos descobrir H_0 e L_0. Para isso, vamos usar o dado do enunciado que as proporções se preservam. Assim, comparando um folha A0 com uma folha A1, podemos escrever:

\frac{H_0}{L_0}= \frac{L_0}{H_0/2}

H_0=L_0 \sqrt{2}

Então, juntando os resultados, obtemos:

L_0=\sqrt{\frac{1\rm{m^2}}{\sqrt{2}}}

H_0=\sqrt{1\rm{m^2} \cdot \sqrt{2}}

Dessa maneira, os valores buscados são:

L_6 = \frac{L_0}{8}=\frac{\sqrt{\frac{1\rm{m^2}}{\sqrt{2}}}}{8} \approx  105 \rm{mm}

H_6 = \frac{H_0}{8}=\frac{\sqrt{1\rm{m^2}\sqrt{2}}}{8} \approx  149 \rm{mm}

Uma dificuldade possivelmente relacionada a essa questão é computar \sqrt{\sqrt{2}}, até porque a aproximação para raízes genéricas não foi fornecida pela prova NJR, apesar de ser fornecida em outros níveis.

(b) Primeiramente, devemos calcular a área de um bloco de anotações. Para isso, podemos recorrer as suas dimensões \dfrac{H_0}{8} e \dfrac{L_0}{8}. Obtendo que sua área é:

\dfrac{H_0}{8}\cdot \dfrac{L_0}{8}

\dfrac{H_0\cdot L_0}{64}

Como foi dito no item anterior que H_0 \cdot L_0=1,00\; \rm{m^2}, obtemos que a área de um bloco de anotação (papel A6) é:

\dfrac{1}{64}\; \rm{m^2}

Além disso, podemos calcular o volume inicial de papel, já que como nenhum papel é criado e nem perdido, temos que o volume de papel A0 deve ser o mesmo do que o volume do bloco de anotação.

O enunciado diz que a folha A0 tem área de 1,00 \; \rm{m^2} e espessura de 1,00 \; \rm{mm}= 10^{-3}\; \rm{m}. Logo, seu volume deve ser de:

1\cdot 10^{-3}\; \rm{m^3}

Considerando que o bloco de anotação tem uma espessura s, podemos concluir que o volume é:

\dfrac{s}{64}

Como os volumes são iguais:

1\cdot 10^{-3}=\dfrac{s}{64}

s=64 \cdot 10^{-3}\;\rm{m}

Transformando em mm:

\boxed{s=64 \;\rm{mm}}

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Gabarito

(a) altura: \boxed{149 \;\rm{mm}}; largura: \boxed{105,0 \;\rm{mm}}

(b) \boxed{64 \;\rm{mm}}

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Problema 2

Um menino de massa M = 50,0 kg sustenta uma carga de massa m por meio de um sistema de polias, conforme a figura ao lado. A polia pequena está fixa ao teto e a polia grande é móvel, com a carga m presa ao seu eixo. O cabo passa pelas duas polias; uma extremidade é puxada pelo menino e a outra está presa ao teto. Considere polias e cabo ideais (inextensíveis e de massa desprezível). Analise o equilíbrio estático.

(a) Qual é a força que o menino exerce no cabo quando m = 15 kg?
(b) Qual é a força que o menino exerce sobre o piso quando m = 15 kg?
(c) Qual é o maior valor de m que o menino consegue sustentar em equilíbrio estático com esse sistema?

Assunto abordado

mecânica

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Solução

((a) Força que o menino exerce no cabo (F)

O sistema de polia móvel oferece uma vantagem mecânica. A carga de peso P_mé sustentada por duas seções do mesmo cabo. A força que o menino exerce,F, é igual à tensão nesse cabo. Para o equilíbrio da polia móvel:

2F = P_m


O peso da carga P_m é dado por:

P_m = m \cdot g


Portanto, a força F é:

F = \dfrac{m \cdot g}{2}


Substituindo os valores para m = 15\ \text{kg}:

F = \dfrac{15\ \text{kg} \cdot 10\ \text{m/s}^2}{2} = \dfrac{150\ \text{N}}{2}


\boxed{F = 75\ \text{N}}

(b) Força que o menino exerce sobre o piso (Força Normal N)

Para encontrar a força que o menino exerce no piso, precisamos analisar as forças verticais que atuam sobre o menino. As forças são:

  • Seu peso P_M, para baixo.
  • A força de tração do cabo F, para cima (o cabo o puxa para cima).
  • A força Normal N do piso, para cima.

No equilíbrio, a soma das forças para cima é igual à soma das forças para baixo:

N + F = P_M


O peso do menino P_M é:

P_M = M \cdot g = 50,0\ \text{kg} \cdot 10\ \text{m/s}^2 = 500\ \text{N}


Agora, podemos isolar e calcular a Normal N:

N = P_M - F


N = 500\ \text{N} - 75\ \text{N}


\boxed{N = 425\ \text{N}}


Pela Terceira Lei de Newton, a força que o menino exerce sobre o piso é igual em módulo à força Normal.

(c) Maior valor de m que o menino consegue sustentar

O maior valor de massa m_{max} que o menino pode sustentar ocorre na situação limite em que ele está prestes a sair do chão. Nesse momento, a força que o piso exerce sobre ele é nula.

N = 0


Analisando novamente as forças sobre o menino nessa condição:

0 + F_{max} = P_M


F_{max} = P_M = 500\ \text{N}


Isso significa que a força máxima que ele pode aplicar no cabo é igual ao seu próprio peso. Agora, usamos a relação do item (a) para encontrar a massa correspondente a essa força máxima:

F_{max} = \dfrac{m_{max} \cdot g}{2}


500\ \text{N} = \dfrac{m_{max} \cdot 10\ \text{m/s}^2}{2}


1000 = m_{max} \cdot 10


m_{max} = \dfrac{1000}{10}


\boxed{m_{max} = 100\ \text{kg}}

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Gabarito

(a)

\boxed{F = 75\ \text{N}}


(b)

\boxed{N = 425\ \text{N}}


(c)

\boxed{m_{max} = 100\ \text{kg}}

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Problema 3

Dois satélites estão em órbitas aproximadamente circulares em torno da Terra, coplanares e passando pelos polos. O período orbital do satélite A é T_A=3T, e o do satélite B T_B=10T. Em certo instante, ambos estão alinhados e posicionados sobre o Polo Norte da Terra. Considere o intervalo de tempo até que os satélites retornem a mesma posição(alinhados sobre o Polo Norte da Terra). Determine:

(a) quantas órbitas o satélite A completa nesse intervalo;

(b) quantas vezes os satélites A e B ficaram alinhados com a Terra abaixo deles nesse intervalo(sem contar os alinhamentos inicial e final);

(c) quantas vezes os satélites A e B ficaram alinhados com a Terra entre eles nesse intervalo.

Assunto abordado

Movimento circular

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Solução

a) Primeiramente, vamos calcular quanto tempo irá demorar para que os planetas se alinhem novamente sobre o Polo Norte. O tempo necessário será o Mínimo Múltiplo Comum(MMC) entre os dois períodos, pois nesse momento ambos estarão juntos na origem do movimento(Polo Norte). O MMC entre T_A=3T e T_B=10T é T'=30T, então esse é o tempo buscado. Assim, o número de voltas que o planeta A fará será:

N = \frac{T'}{T_A} = \boxed{10 \text{voltas}}

b) Vamos considerar o ângulo transladado por cada planeta:

\Delta \theta_A = \frac{2\pi}{3T} \cdot t

\Delta \theta_B = \frac{2\pi}{10T} \cdot t

Assim, queremos encontrar todos os valores positivos de n que satisfaçam a seguinte equação até t=30T:

\Delta \theta_A - \Delta \theta_B = 2n\pi

Em t=30T, a diferença entre os ângulos será:

\Delta \theta_A - \Delta \theta_B = \left(\frac{1}{3}-\frac{1}{10} \right) \cdot 30 \cdot 2\pi = 2\pi \cdot 7

Ou seja, existem soluções de n de 1 até 7 no intervalo pedido. Porém, como o enunciado pede para desconsiderarmos o alinhamento final, o número de alinhamentos será 6.

\boxed{6 \text{vezes}}

c) Analogamente, queremos os valores ímpares de m que solucionam:

\Delta \theta_A - \Delta \theta_B = m \pi

Como vimos no item anterior, o valor máximo para a diferença entre esses ângulos é 14\pi. Assim, as soluções existentes para m são 1, 3, 5, 7, 9, 11 e 13. Ou seja, tal alinhamento ocorreu 7 vezes.

\boxed{7 \text{vezes}}

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Gabarito

(a) \boxed{10}

(b) \boxed{6}

(c) \boxed{7}

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Problema 4

Um avião A se desloca com para leste com velocidade constante v= 800 \rm{km/h}, em uma rota que passa a 9,00 \rm{km/h} ao norte de uma estação de monitoramento B. A estação está programada para alertar movimentos de aeronaves que estejam a menos de 15 \rm{km} dela.

(a) Por quantos minutos o movimento dessa aeronave permanece em alerta?

(b) Seja V_{\rm{r, med}}= \Delta r / \Delta t a velocidade radial média do avião com relação a B(média da taxa de variação temporal da em distância r em relação a B). Determine V_{\rm{r, med}}, em km/h, entre o primeiro alerta e o ponto de máxima aproximação de B.

(c) Determine uma expressão para a velocidade radial instantânea V_r(t) considerando o instante inicial t=0 como o primeiro alerta.

(d) Esboce o gráfico de V_r(t) obtido no item anterior.

Assunto abordado

Cinemática

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Solução

(a) Primeiramente, devemos encontrar em qual região o avião é alertado. Para isso, devemos recorrer a geometria do problema:

Utilizando o Teorema de Pitágoras, podemos encontrar a distância x:

15^2=9^2+x^2

x^2=144

x=12 \;\rm{km}

Entretanto, não podemos afirmar que o avião fica alerta durante 12\;\rm{km} já que a situação é simétrica, ou seja, também existe uma outra distância x do outro lado.

Logo, o avião fica alerta durante 2x=24\;\rm{km}. Considerando que o avião se move a uma velocidade v=800\;\rm{km/h}, podemos encontrar o tempo:

v=\dfrac{d}{t}

800=\dfrac{24}{t}

t=\dfrac{24}{800} \;\rm{h}

t=\dfrac{3}{100} \;\rm{h}

Transformando em minutos:

t=\dfrac{3\cdot 60}{100} \;\rm{min}

\boxed{t=1,8 \;\rm{min}}

(b) Sendo,

V_{r,med}=\dfrac{\Delta r}{\Delta t}

V_{r,med}=\dfrac{r_{final}-r_{inicial}}{t_{final}-t_{inicial}}

Como o enunciado pede entre o primeiro alerta e o ponto de máxima aproximação, devemos calcular a distância r nesses casos e calcular o intervalo de tempo entre eles.

Como já foi descrito no item anterior, a distância r do primeiro alerta é 15 \;\rm{km}. No ponto de máxima aproximação, temos:

Logo, o r nesse caso é 9\;\rm{km}. Como foi visto no exercício anterior, a distância entre esses dois instantes é x=12\;\rm{km}. Logo, como a velocidade v=800\;\rm{km/h}, podemos afirmar que o intervalo de tempo entre esses dois instantes é:

v=\dfrac{x}{t}

800=\dfrac{12}{t}

t=\dfrac{12}{800}\;\rm{h}

t=\dfrac{3}{200}\;\rm{h}

Logo,

V_{r,med}=\dfrac{r_{final}-r_{inicial}}{t_{final}-t_{inicial}}

V_{r,med}=\dfrac{9-15}{\dfrac{3}{200}}

V_{r,med}=\dfrac{-6\cdot 200}{3}

\boxed{V_{r,med}=-400 \;\rm{km/h}}

c) A velocidade radial instantânea V_r(t) corresponde a velocidade com que o avião se aproxima (ou se afasta) de B. Ou seja, é a componente da velocidade na direção da reta que liga B com o avião. Logo, podemos afirmar que a velocidade radial é dada por:

V_r=v \cos \theta

Onde \theta é o ângulo entre a linha de trajetória do avião e a reta que liga o avião e B, como mostra a figura a seguir:

Utilizando essa figura, é possível perceber que:

\cos (180-\theta)=\dfrac{x}{r}

Além disso, r^2=9^2+x^2. Logo,

\cos \theta=\dfrac{-x}{\sqrt{9^2+x^2}}

Como já foi visto nos exercícios anteriores, quando o primeiro alerta é acionado, x=12 km. Portanto, podemos afirmar que x pode ser descrito como:

x=12-vt

x=12-800t

Substituindo, podemos encontrar que:

V_r=v \cos \theta

V_r=800 \dfrac{-x}{\sqrt{9^2+x^2}}

\boxed{V_r=\dfrac{800(800t-12)}{\sqrt{9^2+(12-800t)^2}}}

d) Esboçando o gráfico de V_r=\dfrac{800(800t-12)}{\sqrt{9^2+(12-800t)^2}}, obtemos:

Onde o eixo vertical é V_r (em km/h) e o eixo horizontal é t (em horas). Perceba que V_r tende a -800\;\rm{km/h} quando t \to -\inf e +800\;\rm{km/h} quando t \to +\inf. Além disso, a mudança de sinal acontece quando t=0,015\;\rm{horas} que corresponde ao instante em que o avião se encontra logo acima da estação B.

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Gabarito

(a) \boxed{t=1,8 \;\rm{min}}

(b) \boxed{V_{r,med}=-400 \;\rm{km/h}}

(c) \boxed{V_r=\dfrac{800(12-800t)}{\sqrt{9^2+(12-800t)^2}}}

(d) Veja na solução

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Problema 5

Durante uma trilha na selva, dois estudantes de Física precisam cruzar um riacho usando uma corda presa ao alto de uma árvore. O desafio é decidir quando soltar a corda para alcançar a maior distância horizontal na outra margem.

Eles modelam a situação como um pêndulo simples: fio ideal de comprimento L, inextensível e de massa desprezível, com uma pequena esfera na extremidade(ver figura). Considere o ponto mais baixo da trajetória como nível y=0(mesmo nível da margem de chegada).

No instante t_0 a esfera é solta do repouso a partir y=L (fio horizontal). No instante t_1 o fio está vertical e a esfera passa por x=0 (sobre o meio do riacho). No instante t_2, quando o fio faz um ângulo \theta_2 = 30^\circ com a vertical, a esfera é liberada. No instante t_3 ela atinge a outra margem na coordenada horizontal x_3.

(a) Determine a coordenada x_3(45^\circ) alcançada quando a esfera é liberada em \theta_2=45^\circ.

(b) Determine a função x_3(\theta_2)(Alcance horizontal x_3 para dado ângulo de liberação \theta_2), que é contínua no domínio 0<= \theta_2<90^\circ. Prove que esta função apresenta um máximo no intervalo 0^\circ<\theta_2<45^\circ. Pode ser útil utilizar as aproximações de 1^a ordem(para \delta pequeno, em rad):

sen(\theta_2+\delta) \approx sen(\theta_2)+cos(\theta_2) \delta

cos(\theta_2+\delta) \approx cos(\theta_2)-sen(\theta_2) \delta

(cos(\theta_2+\delta))^\alpha \approx (cos(\theta_2))^\alpha - \alpha (cos(\theta_2))^{1-\alpha} sen(\theta_2) \delta

\sqrt{u_0+\epsilon} \approx \sqrt{u_0}+ \frac{\epsilon}{2\sqrt{u_0}} \text{(em particular,} \sqrt{1-C\delta} \approx 1 - \frac{C}{2}\delta\text{)}

Assunto abordado

Cinemática

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Solução

(a) Para encontrar a velocidade da esfera em t_2, basta conservamos a energia mecânica do sistema:

mgLcos\theta_2 = \frac{mv^2}{2}

v= \sqrt{2gLcos\theta_2}

Após a esfera ser liberada do pêndulo, o movimento vira um lançamento oblíquo. Assim, podemos equacionar o movimento em cada eixo:

\Delta x = v cos \theta_2 \Delta t

\Delta y = -L(1-cos\theta)= vsen\theta_2 \Delta t - \frac{g(\Delta t)^2}{2}

A partir da segunda equação, podemos resolver a equação do segundo grau para obter uma expressão para \Delta t:

\Delta t = \frac{vsen \theta_2 + \sqrt{v^2sen^2 \theta_2+2gL(1-cos\theta_2)}}{g}

Assim, podemos encontrar \Delta x. O valor de x_3 é o valor x_2=Lsen\theta_2 em t_2 mais \Delta x. Dessa forma, substituindo a expressão para o \Delta t e v, obtemos:

x_3=L(sen\theta_2 + 2cos^2\theta_2 (2 cos \theta_2 sen \theta_2 +\sqrt{4cos^2 \theta_2 sen^2 \theta_2+2(1-cos\theta_2)})) \approx \boxed{2,41 \rm{m}}

(b) Já temos a função pelo item anterior:

x_3=L(sen\theta_2 + 2cos^2\theta_2 (2 cos \theta_2 sen \theta_2 +\sqrt{4cos^2 \theta_2 sen^2 \theta_2+2(1-cos\theta_2)}))

Agora, para provarmos que existe um máximo no intervalo pedido, vamos usar a seguinte estratégia: adicionar um pequeno ângulo(podendo ser negativo) \delta em \theta_2= 45^\circ e \theta_2= 0^\circ. Se a função aumenta para um \delta positivo em \theta_2= 0^\circ e aumenta para um \delta negativo em \theta_2= 45^\circ, então a função teve pelo menos um máximo no intervalor pedido. Utilizando as aproximações dadas no enunciado, podemos obter:

x_3(\theta+\delta) \approx L(sen\theta_2+cos\theta_2 \delta + 2(cos^2\theta_2 - sen(2\theta_2) \delta)(sen(2\theta)+cos(2\theta) 2\delta ) +\sqrt{(sen(2\theta)^2+2sen(4\theta)\delta +2(1-cos\theta_2+sen\theta_2 \delta)}))

Assim, para \theta_2= 45^\circ, obtemos:

x_3 \approx 0,7(1+4,82 \cdot 0,7) + \delta (0,7-4,82+\dfrac{0,7^3}{4})

Como o termo que acompanha \delta é negativo, então a função aumenta para valores negativos de delta, como requerido.

Para \theta_2= 0^\circ, obtemos:

x_3 \approx 5 \delta

Como o termo que acompanha \delta é positivo, então a função aumenta para valores positivos de delta, como requerido. Logo o resultado está provado.

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Gabarito

(a)2,41 \rm{m}

(b) x_3=L(sen\theta_2 + 2cos^2\theta_2 (2 cos \theta_2 sen \theta_2 +\sqrt{4cos^2 \theta_2 sen^2 \theta_2+2(1-cos\theta_2)}))

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Problema 6

Eratóstenes de Cirene (séc. III a.C.) determinou o raio da Terra a partir de uma observação e de duas hipóteses. O fenômeno que lhe chamou a atenção é que, no mesmo instante, a direção de incidência dos raios solares varia com a latitude do ponto de observação. Para explicá-lo, ele assumiu que os raios solares são paralelos e que a Terra é esférica. Inspirados nessa abordagem, estudantes de Macapá (M) e Porto Alegre (P), cidades aproximadamente no mesmo meridiano, decidiram reproduzir o experimento.

Macapá está praticamente sobre o Equador e Porto Alegre próxima ao paralelo 30° Sul. Um voo direto, pela rota mais curta, entre as duas cidades percorre a distância de d = 3300\ \rm{km}.

O experimento será realizado ao meio-dia do equinócio, quando o Sol incide perpendicularmente em Macapá.

(a) Qual é aproximadamente o ângulo de incidência dos raios solares em Porto Alegre?

(b) Determine o raio da Terra sob as hipóteses de Eratóstenes e os resultados experimentais. Justifique seu resultado através de um diagrama.

(c) A mesma observação pode ser explicada por um modelo de Terra plana no qual o Sol é uma fonte de luz pontual a uma altura H acima do plano terrestre e está exatamente sobre Macapá ao meio-dia no equinócio. Determine H. Justifique seu resultado através de um diagrama.

(d) Se o modelo de Terra plana é capaz de explicar a diferença de ângulo de incidência dos raios solares em diferentes cidades, por que ele não é adotado?

Assunto abordado

Conceitos Matemáticos

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Solução

(a) Conforme o primeiro enunciado, a cidade de Macapá (M) está no Equador (latitude 0°) e Porto Alegre (P) está na latitude 30° Sul. No equinócio, ao meio-dia, os raios solares incidem perpendicularmente em Macapá. Pela hipótese de Eratóstenes de que os raios solares chegam paralelos à Terra, o ângulo de incidência em Porto Alegre é igual à diferença de latitude entre as cidades.

\boxed{alpha = 30^\circ}

(b) O ângulo entre as cidades é de 30^\circ isto é:

\theta = 30^\circ = \dfrac{\pi}{6}\ \text{rad}

Sabendo que o comprimento do arco é dado por

d = R\theta,


obtemos:

R = \dfrac{d}{\theta} = \dfrac{3300}{\pi/6} = \dfrac{3300 \times 6}{\pi}

Adotando

\pi \approx 3

R \approx \dfrac{19800}{3} = 6600\ \text{km}

O diagrama ficaria assim:

C)No modelo plano, o Sol estaria verticalmente sobre Macapá e faria um ângulo de 30^\circ
com a vertical em Porto Alegre. Assim:

\tan 30^\circ = \dfrac{d}{H} \Rightarrow H = \dfrac{d}{\tan 30^\circ}

Sabendo que

\tan 30^\circ = \dfrac{1}{\sqrt{3}}

H = 3300\sqrt{3}

Aproximando

\sqrt{3} \approx 1{,}7

H \approx 3300 \times 1{,}7 = 5610\ \text{km}

\boxed{H \approx 5{,}6 \times 10^3\ \text{km}}


O diagrama ficaria assim:

Diagrama do experimento de Eratóstenes para o cálculo do raio da Terra

(d) O modelo de Terra plana não é adotado porque ele entra em contradição com as premissas do modelo esférico, que são comprovadas por observação. No modelo esférico, que já podemos assumir como o certo, a distância (d) é calculada como d=R\theta, o que significa que a distância aumenta proporcionalmente com a latitude (\theta). Ao tentar aplicar essa distância real no cálculo da altura (H) do Sol no modelo plano (onde H = \frac{d}{tan(\theta)}), surge uma inconsistência fundamental. O modelo plano, ao ser confrontado com distâncias de latitudes diferentes, faria com que a altura calculada do Sol (H) mudasse drasticamente. Essa grande diferença na altura do Sol de acordo com a latitude do observador demonstra que os dois modelos são incompatíveis e que o modelo plano falha em descrever a realidade de forma coerente. Por exemplo, enquanto a observação de um ponto a 30^\circ de latitude resulta em uma altura H de aproximadamente 5700 km, a observação de um ponto a 45^\circ de latitude resultaria em uma altura H de 4950 km.

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Gabarito

(a) O ângulo de incidência dos raios solares em Porto Alegre é de

\boxed{30^\circ}


(b)

\boxed{R \approx 6{,}6 \times 10^3\ \text{km}}


(c)

\boxed{H \approx 5{,}6 \times 10^3\ \text{km}}


(d) O modelo plano, ao ser aplicado a locais de diferentes latitudes, implicaria que a altura calculada do Sol (H) variaria drasticamente com a latitude, o que contradiz as observações reais.

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Problema 7

Um densímetro é um instrumento que flutua em um líquido e se estabiliza em uma posição de equilíbrio estático com uma fração de seu volume submerso. Seu uso é comum em postos de fiscalização para verificar a pureza da gasolina comercializada. A escala do densímetro é calibrada com base na profundidade de imersão, permitindo estimar a densidade do líquido.

Considere um densímetro cilíndrico de massa m=50 \rm{g}, área da base A = 2,0 \rm{cm^2} e escala calibrada de modo que, quando imerso em gasolina pura, ele fica com h_{gasolina} = 25,0 \rm{cm} submerso. As densidades são \rho_{gasolina}=700 \rm{kg/m^3} e \rho_{etanol}=800 \rm{kg/m^3}.

(a) Combustíveis vendidos no Brasil como "gasolina comum" são, em geral, uma mistura(em volume) de 75% de gasolina pura e 25% de etanol anidro. A que profundidade o densímetro se estabiliza ao ser imerso nesse combustível?

(b) Em uma fiscalização, ao inserir o densímetro em um combustível supostamente vendido como gasolina, observa-se uma profundidade submersa h= 33 \rm{cm}. Supondo que se trate de uma mistura de gasolina pura e etanol anidro, determine a fração volumétrica (ou porcentagem) de etanol na mistura.

Assunto abordado

Hidrostática

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Solução

(a) Podemos calcular a densidade média do líquido da maneira:

\rho_m = \frac{3}{4}\rho_g+\frac{1}{4}\rho_e= 725 \rm{kg/m^3}

Assim, podemos traçar a condição para equilíbrio hidrostático:

\rho_m \cdot h \cdot g= \frac{mg}{A}

h = \frac{m}{A\rho_m} = 34,5 \cdot 10^{-2} m

(b) Juntando as expressões do último item, podemos encontrar a fração x buscada:

x \cdot \rho_e + (1-x)\rho_g = \frac{m}{Ah}

x = \frac{\frac{m}{Ah}-\rho_g}{\rho_e-\rho_g} \approx 0,58

OBSERVAÇÃO: O dado h_{gasolina} = 25,0 \rm{cm} está inconsistente com o resto da questão. Utilizando uma lógica análoga ao utilizada nesta solução, seria teoricamente possível conseguir as respostas com tal profundidade. Porém, como o valor está inconsistente com o resto da questão, utilizar ele gera resultados absurdos para o item b).

Ao calcular tal profundidade com a metodologia do item a), obtemos h_{gasolina} \approx 35,7 \rm{cm}, que seria o valor correto.

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Gabarito

(a) h = \frac{m}{A\rho_m} = 34,5 \cdot 10^{-2} m

(b) x = 0,58

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Problema 8

Considere uma barra de aço orientada verticalmente, de comprimento inicial L_{0} = 0,6 \, \rm{m}, densidade \rho = 8,00 \times 10^{3} \, \rm{Kg/m^{3}} e área de seção transversal A = 36 \, \rm{mm}^{2}. A barra é solta sobre um piso idealmente rígido desde uma altura h medida em relação à sua base.

Define-se tensão normal e deformação axial por

\sigma= \dfrac{F}{A} \, \, (Pa), \; \; \; \;  \varepsilon = \dfrac{\Delta L}{L} \, \, (\text{adimensional})

em que F é a força axial (positiva em tração e negativa em compressão), aplicada ao longo do eixo da barra e perpendicular à sua seção transversaç de área A, e \Delta L é a variação do comprimento da barra. O comportamento elástico linear do material é descrito pela Lei de Hooke uniaxial:

\sigma = Y \varepsilon ,

Onde Y é o módulo de Young do material. Para o aço, use Y = 2,00 \times 10^{11} \, \rm{N/m^{2}}. Um material sofre uma deformação permanente quando \lvert \sigma \rvert ultrapassa seu limite de elasticidade \sigma_{y}. Para o aço, use \sigma_{y} = 400 \, \rm{MPa}.

No impacto com o piso, considere que a base da barra para e surge, junto a ela, uma onda de compressão que se propaga para cima com velocidade v_{s} = \sqrt{Y/\rho}. Enquanto isso, o topo da barra segue movendo-se para baixo com velocidade v_{0} (igual à da barra imediatamente antes do impacto) até o encontro com a frente de onda (a aceleração da gravidade pode ser desprezada neste curto intervalo de tempo).

(a) Mostre que a lei de Hooke, F = kx, decorre da lei de Hooke uniaxial. Determine a constante elástica k da barra.

(b) Estime o intervalo de tempo \tau para que o topo pare de se mover.

(c) Qual a maior altura de soltura h que não acarreta uma deformação permanente da barra.[

Assunto abordado

Mecânica

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Solução

(a) Primeiramente, podemos utilizar a equação da Lei de Hooke uniaxial do enunciado da seguinte forma:

\sigma = Y \varepsilon \iff \dfrac{F}{A} = Y \dfrac{\Delta L}{L_{0}} \iff F = \left( \dfrac{YA}{L_{0}} \right) \Delta L

Logo, podemos concluir que:

k = \dfrac{YA}{L_{0}} = \dfrac{(2 \cdot 10^{11} \cdot (36 \cdot 10^{-6})}{0,6} \cdot \dfrac{\rm{N}}{m} \iff \boxed{k = 1,2 \cdot 10^{7} \, \rm{N/m}}

(b) A velocidade relativa de aproximação entre o topo e a onda de compressão é v_{0} + v_{s}, logo o tempo \tau para que o topo pare de se mover é:

\tau = \dfrac{L_{0}}{v_{0} + v_{s}}

Primeiramente, podemos calcular v_{s} por:

v_{s} = \sqrt{\dfrac{Y}{\rho}} = \sqrt{\dfrac{2 \cdot 10^{11}}{8 \cdot 10^{3}}} \iff v_{s} = 5 \cdot 10^{3} \, \rm{m/s}

Além disso, por conservação de energia, podemos escrever:

v_{0} = \sqrt{2gh}

Para alturas na ordem de 10 \, \rm{m}, temos que v_{0} \sim 10^{1} \, \rm{m/s} \ll 5 \cdot 10^{3} \, \rm{m/s} = v_{s} . Portanto, no cálculo de \tau, podemos estimar v_{0} + v_{s} \approx v_{s}, o que implica:

\tau \approx \dfrac{L_{0}}{v_{s}} = \dfrac{0,6 \, \rm{m}}{5 \cdot  10^{3} \, \rm{m/s}} \iff \boxed{\tau = 1,2 \cdot 10^{-4} \, \rm{s}}

(c) A fim de encontrar a condição limite, podemos primeiramente perceber que a diferença no comprimento da barra é \Delta L = v_{0} \tau = \tau \sqrt{2gh}. Assim, a Lei de Hooke uniaxial se torna:

\sigma = Y \dfrac{\tau \sqrt{2gh}}{L_{0}} \iff h = \dfrac{1}{2g} \left( \dfrac{\sigma L_{0}}{Y \tau} \right)^{2}

Como as condições para o problema são \sigma \le \sigma_{y}, temos:

h_{max} = \dfrac{1}{2g} \left( \dfrac{\sigma_{y} L_{0}}{Y \tau} \right)^{2} \approx  \dfrac{1}{2 \cdot 10} \left( \dfrac{(400 \cdot 10^{6}) \cdot 0,6 }{(2 \cdot 10^{11}) \cdot (1,2 \cdot 10^{-4})} \right)^{2} \, \rm{m} \iff \boxed{h_{max} = 5 \, \rm{m}}

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Gabarito

(a)

\boxed{k = 1,2 \cdot 10^{7} \, \rm{N/m}}

(b)

\boxed{\tau = 1,2 \cdot 10^{-4} \, \rm{s}}

(c)

\boxed{h_{max} = 5 \, \rm{m}}

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Problema 9

Um estudante (E) está sentado a 500 m do ponto mais alto (A) de um trecho de estrada rural isolada e de baixo tráfego. Ele percebe que consegue ouvir veículos que se aproximam do outro lado da elevação antes de vê-los no alto da colina (veja o diagrama, fora de escala). Resolve então fazer um jogo de adivinhação, prevendo o instante em que um automóvel aparecerá.

Admita que as ondas sonoras produzidas pelo motor sejam audíveis por E para distâncias de até 1,20 km e que os automóveis trafeguem a 60 km/h.

(a) Qual é o intervalo de tempo entre a percepção do ronco do automóvel e o momento em que ele é visto no alto (A)?

(b) Que fenômeno ondulatório permite que a onda sonora "contorne" a elevação?

Assunto abordado

Ondas e cinemática

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Solução

Para a resolução, primeiro organizamos os dados do problema. A distância do estudante ao topo (AE) é de 500 m. A distância máxima que o som é audível é de 1,20 km, ou seja, 1200 m. A velocidade do automóvel é de 60 km/h, o que corresponde a 50/3 m/s.

A interpretação mais direta do problema, para que seja possível resolvê-lo com os dados fornecidos, é que a distância audível (1200 m) é o caminho que o som percorre sobre a superfície da estrada, desde o carro (C) até o estudante (E), passando pelo ponto mais alto (A). Matematicamente, a distância total do som é a soma da distância do carro ao topo (AC) e do topo ao estudante (AE).

d_{som}=d_{AC}+d_{AE}

A partir disso, calculamos a distância que o carro está do topo quando o estudante o ouve pela primeira vez:

1200\ \text{m} = d_{AC} + 500\ \text{m}

d_{AC}=700\ \text{m}

(a) Para resolver este item, devemos considerar o tempo que o som leva para viajar do carro até o estudante. O intervalo de tempo solicitado é a diferença entre o instante em que o carro é visto (quando ele chega ao ponto A) e o instante em que o som é percebido pelo estudante.

Primeiro, calculamos o tempo de viagem do carro para percorrer os 700 m até o topo (A), que chamaremos de \Delta t_{carro}.

\Delta t_{carro} = \dfrac{\text{distancia}}{\text{velocidade}} = \dfrac{700\ \text{m}}{\frac{50}{3}\ \text{m/s}} = 42\ \text{s}

Em seguida, calculamos o tempo que o som, emitido daquela posição inicial, leva para chegar ao estudante, que chamaremos de \Delta t_{som}. A distância total percorrida pelo som é de 1200 m e sua velocidade no ar é de aproximadamente 340 m/s.

\Delta t_{som} = \dfrac{\text{distancia}}{\text{velocidade}} = \dfrac{1200\ \text{m}}{340\ \text{m/s}} \approx 3,53\ \text{s}

O intervalo de tempo entre a percepção (ouvir) e a observação (ver) é a diferença entre esses dois tempos. O carro é visto 42 s após o som ser emitido, mas o som só é ouvido 3,53 s após ser emitido. Portanto, o intervalo entre os dois eventos é:

\Delta t = \Delta t_{carro} - \Delta t_{som}


\Delta t = 42\ \text{s} - 3,53\ \text{s} \approx 38,47\ \text{s}


\boxed{\Delta t \approx 38,5\ \text{s}}

(b) O fenômeno ondulatório que permite que uma onda contorne ou se espalhe ao encontrar um obstáculo é a difração, também conhecido como princípio de Huygens

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Gabarito

(a) \Delta t = 38,5\ \text{s}
(b) Difração ou princípio de Huygens.

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Problema 10

A Terra primitiva, há bilhões de anos, era coberta por magma. Com o passar do tempo, à medida que o calor foi conduzido à superfície e irridiado para o espaço, formou-se uma crosta sólida que cresceu progressivamente (veja esquema fora de escala). Atualmente, a crosta terrestre tem espessura média aproximada L = 35 \, \rm{km} e condutividade térmica média k = 2,5 \, \rm{Wm^{-1}K^{-1}}.

Considere a temperatura do magma no manto T_{magma} = 1200 \, ^{\circ}C e a tempeatura na superfície terrestre constante em T_{superficie} = 0  \, ^{\circ}C.

Sabe-se ainda que, ao se solidificar, 1 \, \rm{m^{3}} de magma libera aproximadamente 5 \times 10^{5} \, \rm{J} de energia.

(a) Estime a taxa de crescimento da crosta (em \rm{mm/ano}) associada à dissipação do calor por condução entre o manto e a superfície.

(b) Por simplicidade, suponha que essa taxa tenha permanecido constante desde a formação da Terra. Estime a ordem de grandeza do tempo em anos que a Terra possuía magma exposto na superfície.

Assunto abordado

Termodinâmica

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Solução

(a) Primeiramente, podemos utilizar a lei de condução de Fourier entre a camada externa e interna:

\dfrac{\Delta Q}{\Delta t} = \dfrac{kA\Delta T}{L}

Além disso, sendo L_{v} = 5 \cdot 10^{5} \, \rm{J/m^{3}} a capacidade térmica volumétrica da costa, o calor associado a um aumento \Delta L na crosta é:

\Delta Q = L_{v} \Delta V = L_{v} A \Delta L

Poranto, temos que:

L_{v} A \dfrac{\Delta L}{\Delta t} = \dfrac{kA\Delta T}{L} \iff \dfrac{\Delta L}{\Delta t} = \dfrac{k \Delta T}{L_{v}L}

Substituindo os valores do enunciado e convertendo as unidades:

\dfrac{\Delta L}{\Delta t} = \dfrac{2,5 \cdot 1200}{(5 \cdot 10^{5}) \cdot (35 \cdot 10^{3})} \cdot \dfrac{10^{3} \, \rm{mm}}{(3,1 \cdot 10^{7})^{-1} \, \rm{ano}} \iff \boxed{\dfrac{\Delta L}{\Delta t} = 5,3 \cdot 10^{3} \rm{mm/ano}}

(b) Considerando a taxa de crescimento constante, o tempo \tau desde o período que a Terra possuía magma exposto é:

\tau = \dfrac{L}{(\Delta L/\Delta t)} = \dfrac{35 \cdot 10^{6} \, \rm{mm}}{5,3 \cdot 10^{3} \rm{mm/ano}} \iff \boxed{\tau = 6,6 \cdot 10^{3} \sim 10^{4} \, \rm{anos}}

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Gabarito

(a)

\boxed{\\dfrac{\Delta L}{\Delta t} = 5,3 \cdot 10^{3} \rm{mm/ano}}

(b)

\boxed{\tau \sim 10^{4} \, \rm{anos}}

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Problema 11

Considere um prisma triangular de vidro cujo ângulo de abertura entre as duas faces refratoras é \alpha=30^\circ. Um feixe colimado de luz branca incide perpendicularmente sobre uma de suas faces e emerge da segunda sofrendo um desvio. Adote indice de refração do ar 1.0 e, para o vidro, indices com dispersão pequena em torno de 1.5. Os indices de refração nos extremos do espectro visivel são vermelho 1.48 e violeta 1.52. Nas respostas, exprima os ângulos em termos da função \arcsin. Determine:

(a) O desvio angular médio sofrido pelo raio de luz devido à presença do prisma triangular.

(b) O ângulo de abertura do feixe emergente entre as cores vermelho e violeta na saída do prisma.

Assunto abordado

Óptica geométrica

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Solução

(a) Observe o seguinte diagrama:

Veja que os ângulos marcados em azul são iguais a 30^\circ. Assim, pela lei de Snell:

n\sin(30^\circ)=\sin(\theta)

\theta=\arcsin\left(\dfrac{n}{2}\right)

Portanto, o desvio é dado por:

\boxed{\delta=\arcsin(0.75)-30^\circ}

(b) Basta tirar a diferença entre os valores extremos de \theta. Portanto,

\boxed{A=\arcsin(0.76)-\arcsin(0.74)}

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Gabarito

(a) \arcsin(0.75)-30^\circ

(b) \arcsin(0.76)-\arcsin(0.74)

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Problema 12

Um carretel de linha apoia-se sobre uma mesa horizontal com coeficientes de atrito estático e cinético iguais a \mu = 0,75 (ver figura). O tambor interno, sobre o qual a linha está enrolada, tem raior r=3,00 \, \rm{cm}; as coroas externas têm raio R = 5,00 \, \rm{cm}, com R > r. Considere que a toda a massa do carretel é 2m, modelada por duas massas m fixadas nos discos laterias, a uma distância r do centro.

Uma pessoa puxa a ponta da linha com força constante de módulo F = mg, formando um ângulo \theta com a horizontal.

Seja a a aceleração linear do centro de massa G (positiva para direita) e \alpha a aceleração angjular (positiva no sentido anti-horário).

(a) Determine a e \alpha quando \theta = 90^{\circ}.

(b) Determine a e \alpha quando \theta = 0^{\circ}.

(c) Determine o ângulo crítico \theta_{c} no qual o comportamento qualitativo do movimento muda do observado em (a) (para \theta < \theta_{c}) para o observado em (b) (para \theta>\theta_{c}).

(d) Determine a e \alpha quando \theta = \theta_{c} e F = 2mg.

Assunto abordado

Mecânica

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Solução

(a) Primeiramente, quando o carretel é puxado ele adquirá acelerações linear e angular não nulas, até enfim chegar no regime de rolamento perfeito ( quando não há deslizamento). Nesse regime, temos então que:

\begin{equation}v = \omega R \iff a = \alpha R \end{equation}

Assim, sendo f_{at} a força de atrito com o solo, podemos calcular a força e o torque resultante no carretel (usando o centro de massa G como referência para o torque) da seguinte forma:

 \left\lbrace \begin{array}{@{}l@{}}  N = 2mg - F \sin(\theta)\\ 2ma = F \cos(\theta) - f_{at} \\  (2mr^{2}) \alpha = Fr - f_{at}R \end{array} \right.

Logo, substituindo (1) na duas ultimas equações temos que

 \left\lbrace \begin{array}{@{}l@{}} 2mR^{2} \alpha = FR \cos(\theta) - f_{at}R, \\ 2mr^{2} \alpha = Fr - f_{at}R \end{array} \right. \; \Rightarrow \; \alpha = \dfrac{FR}{2m(R^{2}-r^{2})} \left( \cos(\theta) - \dfrac{r}{R} \right)

Nesse caso onde \theta = 90^{\circ} e F = mg, podemos substituir e achar:

\boxed{\alpha = - \dfrac{rg}{2(R^{2}-r^{2})} = - 93,75 \, \rm{rad/s^{2}}, \; \; \; a = \alpha R \approx 4,7 \, \rm{m/s^{2}}}

(b) Esse caso é análogo ao item (a), portanto basta substituir \theta = 0^{\circ} e F = mg na expressão para \alpha. Isso nos permite concluir que:

\boxed{\alpha = \dfrac{g}{2(R+r)} = 62,5 \, \rm{rad/s^{2}}, \; \; \; a = \alpha R \approx 3,1 \, \rm{m/s^{2}}}

(c) A diferença quantitativa das situações nos itens (a) e (b) é a diferença entre os sinais de \alpha e a. Portanto, podemos concluir da expressão de \alpha que a condição crítica é:

\alpha = \dfrac{FR}{2m(R^{2}-r^{2})} \left( \cos(\theta_{c}) - \dfrac{r}{R} \right) = 0 \iff \boxed{\theta_{c} = \arccos \left( \dfrac{3}{5} \right)}

Podemos ainda verificar que \theta < \theta_{c} \iff \alpha > 0 e \theta > \theta_{c} \iff \alpha < 0, de acordo com o enunciado.

(d) Primeiramente, vamos calcular a força de atrito máxima f_{at,max} nesse caso. Temos que:

f_{at,max} = \mu N = \mu (2mg - F \sin(\theta)) \iff f_{at,max} = \dfrac{3}{10} mg

Caso ocorrese rolamento perfeito, teríamos como vimos no item anterior:

\alpha = 0 \, \rm{rad/s} \iff 2mR \alpha = F \cos(\theta_{c}) - f_{at} = 0 \iff f_{at} = \dfrac{6}{5} mg > f_{at,max}

O que é um absurdo. Portanto, ocorre deslizamento e o atrito é cinético de módulo igual f_{at,max}. Assim:

 \left\lbrace \begin{array}{@{}l@{}} 2m a = 2mg \cdot \dfrac{3}{5} - \dfrac{3}{10}mg \\ 2mr \alpha = 2mg \cdot 3 - \dfrac{3}{10}mg \cdot 5 \end{array} \right. \; \Rightarrow \; \left\lbrace \begin{array}{@{}l@{}} a = 4,5 \, \rm{m/s^{2}} \\ \alpha = 7,5 \, \rm{rad/s^{2}} \end{array} \right.

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Gabarito

(a)

\alpha = - 93,75 \, \rm{rad/s^{2}}

a = - 4,7 \, \rm{m/s^{2}}

(b)

\alpha = 62,5 \, \rm{rad/s^{2}}

a = 3,1 \, \rm{m/s^{2}}

(c)

\theta_{c} = \arccos \left( \dfrac{3}{5} \right) \approx 53,13^{\circ}

(d)

\alpha = 7,5 \, \rm{rad/s^{2}}

a = 4,5 \, \rm{m/s^{2}}

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