Terceira Fase (Nível 3)

Escrito por Lucas Praça, Vitor Takashi, Felipe Alves, Paulo Vinicius, Tiago Rocha, Caio Yamashita, Davi Tsuchie

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Problema 1

Eratóstenes de Cirene (séc. III a.C.) determinou o raio da Terra a partir de uma observação e de duas hipóteses. O fenômeno que lhe chamou a atenção é que, no mesmo instante, a direção de incidência dos raios solares varia com a latitude do ponto de observação. Para explicá-lo, ele assumiu que os raios solares são paralelos e que a Terra é esférica. Inspirados nessa abordagem, estudantes de Macapá (M) e Porto Alegre (P), cidades aproximadamente no mesmo meridiano, decidiram reproduzir o experimento.

Macapá está praticamente sobre o Equador e Porto Alegre próxima ao paralelo 30° Sul. Um voo direto, pela rota mais curta, entre as duas cidades percorre a distância de d = 3300\ \rm{km}.

O experimento será realizado ao meio-dia do equinócio, quando o Sol incide perpendicularmente em Macapá.

(a) Qual é aproximadamente o ângulo de incidência dos raios solares em Porto Alegre?

(b) Determine o raio da Terra sob as hipóteses de Eratóstenes e os resultados experimentais. Justifique seu resultado através de um diagrama.

(c) A mesma observação pode ser explicada por um modelo de Terra plana no qual o Sol é uma fonte de luz pontual a uma altura H acima do plano terrestre e está exatamente sobre Macapá ao meio-dia no equinócio. Determine H. Justifique seu resultado através de um diagrama.

(d) Se o modelo de Terra plana é capaz de explicar a diferença de ângulo de incidência dos raios solares em diferentes cidades, por que ele não é adotado?

Assunto abordado

Conceitos Matemáticos

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Solução

(a) Conforme o primeiro enunciado, a cidade de Macapá (M) está no Equador (latitude 0°) e Porto Alegre (P) está na latitude 30° Sul. No equinócio, ao meio-dia, os raios solares incidem perpendicularmente em Macapá. Pela hipótese de Eratóstenes de que os raios solares chegam paralelos à Terra, o ângulo de incidência em Porto Alegre é igual à diferença de latitude entre as cidades.

\boxed{alpha = 30^\circ}

(b) O ângulo entre as cidades é de 30^\circ isto é:

\theta = 30^\circ = \dfrac{\pi}{6}\ \text{rad}

Sabendo que o comprimento do arco é dado por

d = R\theta,


obtemos:

R = \dfrac{d}{\theta} = \dfrac{3300}{\pi/6} = \dfrac{3300 \times 6}{\pi}

Adotando

\pi \approx 3

R \approx \dfrac{19800}{3} = 6600\ \text{km}

\boxed{R \approx 6{,}6 \times 10^3\ \text{km}}


No diagrama ficaria assim:

C)No modelo plano, o Sol estaria verticalmente sobre Macapá e faria um ângulo de 30^\circ
com a vertical em Porto Alegre. Assim:

\tan 30^\circ = \dfrac{d}{H} \Rightarrow H = \dfrac{d}{\tan 30^\circ}

Sabendo que

\tan 30^\circ = \dfrac{1}{\sqrt{3}}

H = 3300\sqrt{3}

Aproximando

\sqrt{3} \approx 1{,}7

H \approx 3300 \times 1{,}7 = 5610\ \text{km}

\boxed{H \approx 5{,}6 \times 10^3\ \text{km}}


O diagrama ficaria assim:

Diagrama do experimento de Eratóstenes para o cálculo do raio da Terra

(d) O modelo de Terra plana não é adotado porque ele entra em contradição com as premissas do modelo esférico, que são comprovadas por observação. No modelo esférico, que já podemos assumir como o certo, a distância (d) é calculada como d=R\theta, o que significa que a distância aumenta proporcionalmente com a latitude (\theta). Ao tentar aplicar essa distância real no cálculo da altura (H) do Sol no modelo plano (onde H = \frac{d}{tan(\theta)}), surge uma inconsistência fundamental. O modelo plano, ao ser confrontado com distâncias de latitudes diferentes, faria com que a altura calculada do Sol (H) mudasse drasticamente. Essa grande diferença na altura do Sol de acordo com a latitude do observador demonstra que os dois modelos são incompatíveis e que o modelo plano falha em descrever a realidade de forma coerente. Por exemplo, enquanto a observação de um ponto a 30^\circ de latitude resulta em uma altura H de aproximadamente 5700 km, a observação de um ponto a 45^\circ de latitude resultaria em uma altura H de 4950 km.

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Gabarito

(a)

\boxed{30^\circ}


(b)

\boxed{R \approx 6{,}6 \times 10^3\ \text{km}}


(c)

\boxed{H \approx 5{,}6 \times 10^3\ \text{km}}


(d) O modelo plano, ao ser aplicado a locais de diferentes latitudes, implicaria que a altura calculada do Sol (H) variaria drasticamente com a latitude, o que contradiz as observações reais.

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Problema 2

Considere uma barra de aço orientada verticalmente, de comprimento inicial L_{0} = 0,6 \, \rm{m}, densidade \rho = 8,00 \times 10^{3} \, \rm{Kg/m^{3}} e área de seção transversal A = 36 \, \rm{mm}^{2}. A barra é solta sobre um piso idealmente rígido desde uma altura h medida em relação à sua base.

Define-se tensão normal e deformação axial por

\sigma= \dfrac{F}{A} \, \, (Pa), \; \; \; \;  \varepsilon = \dfrac{\Delta L}{L} \, \, (\text{adimensional})

em que F é a força axial (positiva em tração e negativa em compressão), aplicada ao longo do eixo da barra e perpendicular à sua seção transversaç de área A, e \Delta L é a variação do comprimento da barra. O comportamento elástico linear do material é descrito pela Lei de Hooke uniaxial:

\sigma = Y \varepsilon ,

Onde Y é o módulo de Young do material. Para o aço, use Y = 2,00 \times 10^{11} \, \rm{N/m^{2}}. Um material sofre uma deformação permanente quando \lvert \sigma \rvert ultrapassa seu limite de elasticidade \sigma_{y}. Para o aço, use \sigma_{y} = 400 \, \rm{MPa}.

No impacto com o piso, considere que a base da barra para e surge, junto a ela, uma onda de compressão que se propaga para cima com velocidade v_{s} = \sqrt{Y/\rho}. Enquanto isso, o topo da barra segue movendo-se para baixo com velocidade v_{0} (igual à da barra imediatamente antes do impacto) até o encontro com a frente de onda (a aceleração da gravidade pode ser desprezada neste curto intervalo de tempo).

(a) Estime o intervalo de tempo \tau para que o topo pare de se mover.

(b) Qual a maior altura de soltura h que não acarreta uma deformação permanente da barra.[

Assunto abordado

Mecânica

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Solução

(a) A velocidade relativa de aproximação entre o topo e a onda de compressão é v_{0} + v_{s}, logo o tempo \tau para que o topo pare de se mover é:

\tau = \dfrac{L_{0}}{v_{0} + v_{s}}

Primeiramente, podemos calcular v_{s} por:

v_{s} = \sqrt{\dfrac{Y}{\rho}} = \sqrt{\dfrac{2 \cdot 10^{11}}{8 \cdot 10^{3}}} \iff v_{s} = 5 \cdot 10^{3} \, \rm{m/s}

Além disso, por conservação de energia, podemos escrever:

v_{0} = \sqrt{2gh}

Para alturas na ordem de 10 \, \rm{m}, temos que v_{0} \sim 10^{1} \, \rm{m/s} \ll 5 \cdot 10^{3} \, \rm{m/s} = v_{s} . Portanto, no cálculo de \tau, podemos estimar v_{0} + v_{s} \approx v_{s}, o que implica:

\tau \approx \dfrac{L_{0}}{v_{s}} = \dfrac{0,6 \, \rm{m}}{5 \cdot  10^{3} \, \rm{m/s}} \iff \boxed{\tau = 1,2 \cdot 10^{-4} \, \rm{s}}

(b) A fim de encontrar a condição limite, podemos primeiramente perceber que a diferença no comprimento da barra é \Delta L = v_{0} \tau = \tau \sqrt{2gh}. Assim, a Lei de Hooke uniaxial se torna:

\sigma = Y \dfrac{\tau \sqrt{2gh}}{L_{0}} \iff h = \dfrac{1}{2g} \left( \dfrac{\sigma L_{0}}{Y \tau} \right)^{2}

Como as condições para o problema são \sigma \le \sigma_{y}, temos:

h_{max} = \dfrac{1}{2g} \left( \dfrac{\sigma_{y} L_{0}}{Y \tau} \right)^{2} \approx  \dfrac{1}{2 \cdot 10} \left( \dfrac{(400 \cdot 10^{6}) \cdot 0,6 }{(2 \cdot 10^{11}) \cdot (1,2 \cdot 10^{-4})} \right)^{2} \, \rm{m} \iff \boxed{h_{max} = 5 \, \rm{m}}

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Gabarito

(a)

\tau = 1,2 \cdot 10^{-4} \, \rm{s}

(b)

h_{max} = 5 \, \rm{m}

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Problema 3

Durante uma trilha na selva, dois estudantes de Física precisam cruzar um riacho usando uma corda presa ao alto de uma árvore. O desafio é decidir quando soltar a corda para alcançar a maior distância horizontal na outra margem.

Eles modelam a situação como um pêndulo simples: fio ideal de comprimento L, inextensível e de massa desprezível, com uma pequena esfera na extremidade(ver figura). Considere o ponto mais baixo da trajetória como nível y=0(mesmo nível da margem de chegada).

No instante t_0 a esfera é solta do repouso a partir y=L (fio horizontal). No instante t_1 o fio está vertical e a esfera passa por x=0 (sobre o meio do riacho). No instante t_2, quando o fio faz um ângulo \theta_2 = 30^\circ com a vertical, a esfera é liberada. No instante t_3 ela atinge a outra margem na coordenada horizontal x_3.

a) Determine a coordenada x_3(45^\circ) alcançada quando a esfera é liberada em \theta_2=45^\circ.

b) Determine a função x_3(\theta_2)(Alcance horizontal x_3 para dado ângulo de liberação \theta_2), que é contínua no domínio 0<= \theta_2<90^\circ. Prove que esta função apresenta um máximo no intervalo 0^\circ<\theta_2<45^\circ. Pode ser útil utilizar as aproximações de 1^a ordem(para \delta pequeno, em rad):

sen(\theta_2+\delta) \approx sen(\theta_2)+cos(\theta_2) \delta

cos(\theta_2+\delta) \approx cos(\theta_2)-sen(\theta_2) \delta

(cos(\theta_2+\delta))^\alpha \approx (cos(\theta_2))^\alpha - \alpha (cos(\theta_2))^{1-\alpha} sen(\theta_2) \delta

\sqrt{u_0+\epsilon} \approx \sqrt{u_0}+ \frac{\epsilon}{2\sqrt{u_0}} \text{(em particular, \sqrt{1-C\delta} \approx 1 - \frac{C}{2}\delta).}

Assunto abordado

Cinemática

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Solução

a) Para encontrar a velocidade da esfera em t_2, basta conservamos a energia mecânica do sistema:

mgLcos\theta_2 = \frac{mv^2}{2}

v= \sqrt{2gLcos\theta_2}

Após a esfera ser liberada do pêndulo, o movimento vira um lançamento oblíquo. Assim, podemos equacionar o movimento em cada eixo:

\Delta x = v cos \theta_2 \Delta t

\Delta y = -L(1-cos\theta)= vsen\theta_2 \Delta t - \frac{g(\Delta t)^2}{2}

A partir da segunda equação, podemos resolver a equação do segundo grau para obter uma expressão para \Delta t:

\Delta t = \frac{vsen \theta_2 + \sqrt{v^2sen^2 \theta_2+2gL(1-cos\theta_2)}{g}

Assi, podemos encontrar \Delta x. O valor de x_3 é o valor x_2=Lsen\theta_2 em t_2 mais \Delta x. Assim, substituindo a expressão para o \Delta t e v, obtemos:

x_3=L(sen\theta_2 + 2cos^2\theta_2 (2 cos \theta_2 sen \theta_2 +\sqrt{4cos^2 \theta_2 sen^2 \theta_2+2(1-cos\theta_2)})) \approx \boxed{2,41 \rm{m}}

b) Já temos a função pelo item anterior:

x_3=L(sen\theta_2 + 2cos^2\theta_2 (2 cos \theta_2 sen \theta_2 +\sqrt{4cos^2 \theta_2 sen^2 \theta_2+2(1-cos\theta_2)}))

Agora, para provarmos que existe um máximo no intervalo pedido, vamos usar a seguinte estratégia: adicionar um pequeno ângulo(podendo ser negativo) \delta em \theta_2= 45^\circ e \theta_2= 0^\circ. Se a função aumenta para um \delta positivo em \theta_2= 0^\circ e aumenta para um \delta negativo em \theta_2= 45^\circ, então a função teve pelo menos um máximo no intervalor pedido. Utilizando as aproximações dadas no enunciado, podemos obter:

x_3(\theta+\delta) \approx L(sen\theta_2+cos\theta_2 \delta + 2(cos^2\theta_2 - sen(2\theta_2) \delta)(sen(2\theta)+cos(2\theta) 2\delta ) +\sqrt{(sen(2\theta)^2+2sen(4\theta)\delta +2(1-cos\theta_2+sen\theta_2 \delta)}))

Assim, para \theta_2= 45^\circ, obtemos:

x_3 \approx 0,7(1+4,82 \cdot 0,7) + \delta (0,7-4,82+\dfrac{0,7^3}{4})

Como o termo que acompanha \delta é negativo, então a função aumenta para valores negativos de delta, como requerido.

Para \theta_2= 0^\circ, obtemos:

x_3 \approx 5 \delta

Como o termo que acompanha \delta é positivo, então a função aumenta para valores positivos de delta, como requerido. Logo o resultado está provado.

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Gabarito

a)2,41 \rm{m}

b) x_3=L(sen\theta_2 + 2cos^2\theta_2 (2 cos \theta_2 sen \theta_2 +\sqrt{4cos^2 \theta_2 sen^2 \theta_2+2(1-cos\theta_2)}))

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Problema 4

Um feixe de luz vermelha monocromática, linearmente polarizada na direção vertical, incide sobre um polarizador linear cuja direção de transmissão está inclinada de 30^\circ em relação à vertical. A intensidade inicial do feixe é I_0 = 12.0\;\rm{mW/m^2} e o comprimento de onda da luz vermelha utilizada é \lambda = 630\;\rm{nm}.

(a) Determine a intensidade da luz transmitida pelo polarizador.

(b) Sabendo que a área da seção transversal do feixe é A = 1.0\;\rm{cm^2}, calcule o número de fótons por segundo que incidem sobre o polarizador.

(c) Comente o que acontece quando um único fóton incide sobre o polarizador.

Assunto abordado

Óptica física

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Solução

(a) Pela Lei de Malus:

I=I_0\cos^2 30^\circ=\frac{3I_0}{4}=\boxed{9.0\;\rm{mW/m^2}}

(b) Sendo N o valor pedido pelo enunciado, temos que N multiplicado pela energia de um fóton é igual à potência total incidente no polarizador, ou seja:

N\times \frac{hc}{\lambda}=I_0\times A

\boxed{N=3.8\cdot 10^{12}}

(c) A Lei de Malus não fornece a ``perda de energia'' de um fóton. Na verdade, ela determina a probabilidade de um fóton atravessar o polarizador. Assim, ou o fóton será totalmente absorvido ou será totalmente transmitido.

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Gabarito

(a) 9.0\;\rm{mW/m^2}

(b) 3.8\cdot 10^{12}

(c) Absorção ou transmissão total

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Problema 5

A Terra primitiva, há bilhões de anos, era coberta por magma. Com o passar do tempo, à medida que o calor foi conduzido à superfície e irridiado para o espaço, formou-se uma crosta sólida que cresceu progressivamente (veja esquema fora de escala). Atualmente, a crosta terrestre tem espessura média aproximada L = 35 \, \rm{km} e condutividade térmica média k = 2,5 \, \rm{Wm^{-1}K^{-1}}.

Considere a temperatura do magma no manto T_{magma} = 1200 \, ^{\circ}C e a tempeatura na superfície terrestre constante em T_{superficie} = 0  \, ^{\circ}C.

Sabe-se ainda que, ao se solidificar, 1 \, \rm{m^{3}} de magma libera aproximadamente 5 \times 10^{5} \, \rm{J} de energia.

(a) Estime a taxa de crescimento da crosta (em \rm{mm/ano}) associada à dissipação do calor por condução entre o manto e a superfície.

(b) Por simplicidade, suponha que essa taxa tenha permanecido constante desde a formação da Terra. Estime a ordem de grandeza do tempo em anos que a Terra possuía magma exposto na superfície.

Assunto abordado

Termodinâmica

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Solução

(a) Primeiramente, podemos utilizar a lei de condução de Fourier entre a camada externa e interna:

\dfrac{\Delta Q}{\Delta t} = \dfrac{kA\Delta T}{L}

Além disso, sendo L_{v} = 5 \cdot 10^{5} \, \rm{J/m^{3}} a capacidade térmica volumétrica da costa, o calor associado a um aumento \Delta L na crosta é:

\Delta Q = L_{v} \Delta V = L_{v} A \Delta L

Poranto, temos que:

L_{v} A \dfrac{\Delta L}{\Delta t} = \dfrac{kA\Delta T}{L} \iff \dfrac{\Delta L}{\Delta t} = \dfrac{k \Delta T}{L_{v}L}

Substituindo os valores do enunciado e convertendo as unidades:

\dfrac{\Delta L}{\Delta t} = \dfrac{2,5 \cdot 1200}{(5 \cdot 10^{5}) \cdot (35 \cdot 10^{3})} \cdot \dfrac{10^{3} \, \rm{mm}}{(3,1 \cdot 10^{7})^{-1} \, \rm{ano}} \iff \boxed{\dfrac{\Delta L}{\Delta t} = 5,3 \cdot 10^{3} \rm{mm/ano}}

(b) Considerando a taxa de crescimento constante, o tempo \tau desde o período que a Terra possuía magma exposto é:

\tau = \dfrac{L}{(\Delta L/\Delta t)} = \dfrac{35 \cdot 10^{6} \, \rm{mm}}{5,3 \cdot 10^{3} \rm{mm/ano}} \iff \boxed{\tau = 6,6 \cdot 10^{3} \sim 10^{4} \, \rm{anos}}

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Gabarito

(a)

\dfrac{\Delta L}{\Delta t} = 5,3 \cdot 10^{3} \rm{mm/ano}

(b)

\tau \sim 10^{4} \, \rm{anos}

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Problema 6

Em linhas de transmissão de energia (como na figura), utiliza-se corrente alternada (CA) em diferentes fases para elevar a potência entregue, mantendo as correntes nos condutores dentro de limites seguros. Considere um sistema trifásico com três condutores (a, b, c) com tensão de pico V_3 e defasagens mútuas de 2\pi/3:

\quad V_a(t)= V_3 \cos(\omega t),

\quad V_b(t)=V_3 \cos\left(\omega t-\frac{2\pi}{3}\right),

\quad V_c(t)=V_3 \cos\left(\omega t+\frac{2\pi}{3}\right).

Diferentes tensões instantâneas podem ser obtidas ligando pares de fases a cargas puramente resistivas, todas de resistência R (sistema balanceado).

(a) Escreva as très tensões de linha (pico) obtidas ao ligar os pares de fases (a, b), (b, c) e (c, a), mostrando que podem ser escritas na forma V \cos(\omega t+\phi) na qual V e \phi o dependem de V_3 e das defasagens.

(b) Calcule a potência média total transmitida no arranjo trifásico balanceado, P, em termos de V_3 e R.

Dica: \overline{\cos^2(\omega t)} = 1/2 (média em um período).

Assunto abordado

Circuitos

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Solução

(a)Ao ligar as fases V_a e V_b, cria-se uma diferença de fase \Delta V=V_a-V_b. Podemos representar isso com o seguinte diagrama de fasores:

Veja que \Delta V estará na bissetriz entre V_a e -V_b, ou seja, possuirá fase \pi/6 constante em relação a a. Aplicando a lei dos cossenos para vetores com \theta=\pi/3, temos que a tensão de pico é \boxed{V_3\sqrt{3}}. Os outros casos são análogos e resultam no mesmo valor.

(b) Usando P=\Delta V^2/R:

P=\frac{(V_3\sqrt{3}\cos(\omega t+\pi/6))^2}{R}

\overline{P}=\frac{3V_3^2}{R}\overline{\cos(\omega t+\pi/6)^2}

Usando o valor médio fornecido pela dica:

\boxed{\overline{P}=\frac{3V_3^2}{2R}}

e os outros casos são análogos.

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Gabarito

(a) V_3\sqrt{3}

(b) \dfrac{3V_3^2}{2R}

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Problema 7

Considere um prisma triangular de vidro cujo ângulo de abertura entre as duas faces refratoras é \alpha=30^\circ. Um feixe colimado de luz branca incide perpendicularmente sobre uma de suas faces e emerge da segunda sofrendo um desvio. Adote indice de refração do ar 1.0 e, para o vidro, indices com dispersão pequena em torno de 1.5. Os indices de refração nos extremos do espectro visivel são vermelho 1.48 e violeta 1.52. Nas respostas, exprima os ângulos em termos da função \arcsin. Determine:

(a) O desvio angular médio sofrido pelo raio de luz devido à presença do prisma triangular.

(b) O ângulo de abertura do feixe emergente entre as cores vermelho e violeta na saída do prisma.

Assunto abordado

Óptica geométrica

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Solução

(a) Observe o seguinte diagrama:

Veja que os ângulos marcados em azul são iguais a 30^\circ. Assim, pela lei de Snell:

n\sin(30^\circ)=\sin(\theta)

\theta=\arcsin\left(\dfrac{n}{2}\right)

Portanto, o desvio é dado por:

\boxed{\delta=\arcsin(0.75)-30^\circ}

(b) Basta tirar a diferença entre os valores extremos de \theta. Portanto,

\boxed{A=\arcsin(0.76)-\arcsin(0.74)}

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Gabarito

(a) \arcsin(0.75)-30^\circ

(b) \arcsin(0.76)-\arcsin(0.74)

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Problema 8

Um carretel de linha apoia-se sobre uma mesa horizontal com coeficientes de atrito estático e cinético iguais a \mu = 0,75 (ver figura). O tambor interno, sobre o qual a linha está enrolada, tem raior r=3,00 \, \rm{cm}; as coroas externas têm raio R = 5,00 \, \rm{cm}, com R > r. Considere que a toda a massa do carretel é 2m, modelada por duas massas m fixadas nos discos laterias, a uma distância r do centro.

Uma pessoa puxa a ponta da linha com força constante de módulo F = mg, formando um ângulo \theta com a horizontal.

Seja a a aceleração linear do centro de massa G (positiva para direita) e \alpha a aceleração angjular (positiva no sentido anti-horário).

(a) Determine a e \alpha quando \theta = 90^{\circ}.

(b) Determine a e \alpha quando \theta = 0^{\circ}.

(c) Determine o ângulo crítico \theta_{c} no qual o comportamento qualitativo do movimento muda do observado em (a) (para \theta < \theta_{c}) para o observado em (b) (para \theta>\theta_{c}).

(d) Determine a e \alpha quando \theta = \theta_{c} e F = 2mg.

Assunto abordado

Mecânica

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Solução

(a) Primeiramente, quando o carretel é puxado ele adquirá acelerações linear e angular não nulas, até enfim chegar no regime de rolamento perfeito ( quando não há deslizamento). Nesse regime, temos então que:

\begin{equation}v = \omega R \iff a = \alpha R \end{equation}

Assim, sendo f_{at} a força de atrito com o solo, podemos calcular a força e o torque resultante no carretel (usando o centro de massa G como referência para o torque) da seguinte forma:

 \left\lbrace \begin{array}{@{}l@{}}  N = 2mg - F \sin(\theta)\\ 2ma = F \cos(\theta) - f_{at} \\  (2mr^{2}) \alpha = Fr - f_{at}R \end{array} \right.

Logo, substituindo (1) na duas ultimas equações temos que

 \left\lbrace \begin{array}{@{}l@{}} 2mR^{2} \alpha = FR \cos(\theta) - f_{at}R, \\ 2mr^{2} \alpha = Fr - f_{at}R \end{array} \right. \; \Rightarrow \; \alpha = \dfrac{FR}{2m(R^{2}-r^{2})} \left( \cos(\theta) - \dfrac{r}{R} \right)

Nesse caso onde \theta = 90^{\circ} e F = mg, podemos substituir e achar:

\boxed{\alpha = - \dfrac{rg}{2(R^{2}-r^{2})} = - 93,75 \, \rm{rad/s^{2}}, \; \; \; a = \alpha R \approx 4,7 \, \rm{m/s^{2}}}

(b) Esse caso é análogo ao item (a), portanto basta substituir \theta = 0^{\circ} e F = mg na expressão para \alpha. Isso nos permite concluir que:

\boxed{\alpha = \dfrac{g}{2(R+r)} = 62,5 \, \rm{rad/s^{2}}, \; \; \; a = \alpha R \approx 3,1 \, \rm{m/s^{2}}}

(c) A diferença quantitativa das situações nos itens (a) e (b) é a diferença entre os sinais de \alpha e a. Portanto, podemos concluir da expressão de \alpha que a condição crítica é:

\alpha = \dfrac{FR}{2m(R^{2}-r^{2})} \left( \cos(\theta_{c}) - \dfrac{r}{R} \right) = 0 \iff \boxed{\theta_{c} = \arccos \left( \dfrac{3}{5} \right)}

Podemos ainda verificar que \theta < \theta_{c} \iff \alpha > 0 e \theta > \theta_{c} \iff \alpha < 0, de acordo com o enunciado.

(d) Primeiramente, vamos calcular a força de atrito máxima f_{at,max} nesse caso. Temos que:

f_{at,max} = \mu N = \mu (2mg - F \sin(\theta)) \iff f_{at,max} = \dfrac{3}{10} mg

Caso ocorrese rolamento perfeito, teríamos como vimos no item anterior:

\alpha = 0 \, \rm{rad/s} \iff 2mR \alpha = F \cos(\theta_{c}) - f_{at} = 0 \iff f_{at} = \dfrac{6}{5} mg > f_{at,max}

O que é um absurdo. Portanto, ocorre deslizamento e o atrito é cinético de módulo igual f_{at,max}. Assim:

 \left\lbrace \begin{array}{@{}l@{}} 2m a = 2mg \cdot \dfrac{3}{5} - \dfrac{3}{10}mg \\ 2mr \alpha = 2mg \cdot 3 - \dfrac{3}{10}mg \cdot 5 \end{array} \right. \; \Rightarrow \; \left\lbrace \begin{array}{@{}l@{}} a = 4,5 \, \rm{m/s^{2}} \\ \alpha = 7,5 \, \rm{rad/s^{2}} \end{array} \right.

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Gabarito

(a)

\alpha = - 93,75 \, \rm{rad/s^{2}}

a = - 4,7 \, \rm{m/s^{2}}

(b)

\alpha = 62,5 \, \rm{rad/s^{2}}

a = 3,1 \, \rm{m/s^{2}}

(c)

\theta_{c} = \arccos \left( \dfrac{3}{5} \right) \approx 53,13^{\circ}

(d)

\alpha = 7,5 \, \rm{rad/s^{2}}

a = 4,5 \, \rm{m/s^{2}}

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