Escrito por Lucas Praça, Vitor Takashi, Felipe Alves, Paulo Vinicius, Tiago Rocha, Caio Yamashita, Davi Tsuchie
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Problema 1
Eratóstenes de Cirene (séc. III a.C.) determinou o raio da Terra a partir de uma observação e de duas hipóteses. O fenômeno que lhe chamou a atenção é que, no mesmo instante, a direção de incidência dos raios solares varia com a latitude do ponto de observação. Para explicá-lo, ele assumiu que os raios solares são paralelos e que a Terra é esférica. Inspirados nessa abordagem, estudantes de Macapá (M) e Porto Alegre (P), cidades aproximadamente no mesmo meridiano, decidiram reproduzir o experimento.
Macapá está praticamente sobre o Equador e Porto Alegre próxima ao paralelo 30° Sul. Um voo direto, pela rota mais curta, entre as duas cidades percorre a distância de 
O experimento será realizado ao meio-dia do equinócio, quando o Sol incide perpendicularmente em Macapá.
(a) Qual é aproximadamente o ângulo de incidência dos raios solares em Porto Alegre?
(b) Determine o raio da Terra sob as hipóteses de Eratóstenes e os resultados experimentais. Justifique seu resultado através de um diagrama.
(c) A mesma observação pode ser explicada por um modelo de Terra plana no qual o Sol é uma fonte de luz pontual a uma altura H acima do plano terrestre e está exatamente sobre Macapá ao meio-dia no equinócio. Determine H. Justifique seu resultado através de um diagrama.
(d) Se o modelo de Terra plana é capaz de explicar a diferença de ângulo de incidência dos raios solares em diferentes cidades, por que ele não é adotado?
Conceitos Matemáticos
(a) Conforme o primeiro enunciado, a cidade de Macapá (M) está no Equador (latitude 0°) e Porto Alegre (P) está na latitude 30° Sul. No equinócio, ao meio-dia, os raios solares incidem perpendicularmente em Macapá. Pela hipótese de Eratóstenes de que os raios solares chegam paralelos à Terra, o ângulo de incidência em Porto Alegre é igual à diferença de latitude entre as cidades.

(b) O ângulo entre as cidades é de
isto é:

Sabendo que o comprimento do arco é dado por

obtemos:

Adotando



No diagrama ficaria assim:

C)No modelo plano, o Sol estaria verticalmente sobre Macapá e faria um ângulo de 
com a vertical em Porto Alegre. Assim:

Sabendo que


Aproximando



O diagrama ficaria assim:

(d) O modelo de Terra plana não é adotado porque ele entra em contradição com as premissas do modelo esférico, que são comprovadas por observação. No modelo esférico, que já podemos assumir como o certo, a distância (d) é calculada como
, o que significa que a distância aumenta proporcionalmente com a latitude (
). Ao tentar aplicar essa distância real no cálculo da altura (
) do Sol no modelo plano (onde
), surge uma inconsistência fundamental. O modelo plano, ao ser confrontado com distâncias de latitudes diferentes, faria com que a altura calculada do Sol (
) mudasse drasticamente. Essa grande diferença na altura do Sol de acordo com a latitude do observador demonstra que os dois modelos são incompatíveis e que o modelo plano falha em descrever a realidade de forma coerente. Por exemplo, enquanto a observação de um ponto a
de latitude resulta em uma altura
de aproximadamente
, a observação de um ponto a
de latitude resultaria em uma altura H de
.
(a)

(b)

(c)

(d) O modelo plano, ao ser aplicado a locais de diferentes latitudes, implicaria que a altura calculada do Sol (
) variaria drasticamente com a latitude, o que contradiz as observações reais.
Problema 2
Considere uma barra de aço orientada verticalmente, de comprimento inicial
, densidade
e área de seção transversal
. A barra é solta sobre um piso idealmente rígido desde uma altura
medida em relação à sua base.
Define-se tensão normal e deformação axial por

em que
é a força axial (positiva em tração e negativa em compressão), aplicada ao longo do eixo da barra e perpendicular à sua seção transversaç de área
, e
é a variação do comprimento da barra. O comportamento elástico linear do material é descrito pela Lei de Hooke uniaxial:

Onde Y é o módulo de Young do material. Para o aço, use
. Um material sofre uma deformação permanente quando
ultrapassa seu limite de elasticidade
. Para o aço, use
.
No impacto com o piso, considere que a base da barra para e surge, junto a ela, uma onda de compressão que se propaga para cima com velocidade
. Enquanto isso, o topo da barra segue movendo-se para baixo com velocidade
(igual à da barra imediatamente antes do impacto) até o encontro com a frente de onda (a aceleração da gravidade pode ser desprezada neste curto intervalo de tempo).
(a) Estime o intervalo de tempo
para que o topo pare de se mover.
(b) Qual a maior altura de soltura
que não acarreta uma deformação permanente da barra.[
Mecânica
(a) A velocidade relativa de aproximação entre o topo e a onda de compressão é
, logo o tempo
para que o topo pare de se mover é:

Primeiramente, podemos calcular
por:

Além disso, por conservação de energia, podemos escrever:

Para alturas na ordem de
, temos que
. Portanto, no cálculo de
, podemos estimar
, o que implica:

(b) A fim de encontrar a condição limite, podemos primeiramente perceber que a diferença no comprimento da barra é
. Assim, a Lei de Hooke uniaxial se torna:

Como as condições para o problema são
, temos:

(a)

(b)

Problema 3
Durante uma trilha na selva, dois estudantes de Física precisam cruzar um riacho usando uma corda presa ao alto de uma árvore. O desafio é decidir quando soltar a corda para alcançar a maior distância horizontal na outra margem.
Eles modelam a situação como um pêndulo simples: fio ideal de comprimento
, inextensível e de massa desprezível, com uma pequena esfera na extremidade(ver figura). Considere o ponto mais baixo da trajetória como nível
(mesmo nível da margem de chegada).

No instante
a esfera é solta do repouso a partir
(fio horizontal). No instante
o fio está vertical e a esfera passa por
(sobre o meio do riacho). No instante
, quando o fio faz um ângulo
com a vertical, a esfera é liberada. No instante
ela atinge a outra margem na coordenada horizontal
.
a) Determine a coordenada
alcançada quando a esfera é liberada em
.
b) Determine a função
(Alcance horizontal
para dado ângulo de liberação
), que é contínua no domínio
. Prove que esta função apresenta um máximo no intervalo
. Pode ser útil utilizar as aproximações de
ordem(para
pequeno, em rad):
sen(\theta_2+\delta) \approx sen(\theta_2)+cos(\theta_2) \delta
cos(\theta_2+\delta) \approx cos(\theta_2)-sen(\theta_2) \delta
(cos(\theta_2+\delta))^\alpha \approx (cos(\theta_2))^\alpha - \alpha (cos(\theta_2))^{1-\alpha} sen(\theta_2) \delta
\sqrt{u_0+\epsilon} \approx \sqrt{u_0}+ \frac{\epsilon}{2\sqrt{u_0}} \text{(em particular,
).}
Cinemática
a) Para encontrar a velocidade da esfera em
, basta conservamos a energia mecânica do sistema:
mgLcos\theta_2 = \frac{mv^2}{2}
v= \sqrt{2gLcos\theta_2}
Após a esfera ser liberada do pêndulo, o movimento vira um lançamento oblíquo. Assim, podemos equacionar o movimento em cada eixo:
\Delta x = v cos \theta_2 \Delta t
\Delta y = -L(1-cos\theta)= vsen\theta_2 \Delta t - \frac{g(\Delta t)^2}{2}
A partir da segunda equação, podemos resolver a equação do segundo grau para obter uma expressão para
:
\Delta t = \frac{vsen \theta_2 + \sqrt{v^2sen^2 \theta_2+2gL(1-cos\theta_2)}{g}
Assi, podemos encontrar
. O valor de
é o valor
em
mais
. Assim, substituindo a expressão para o
e
, obtemos:
x_3=L(sen\theta_2 + 2cos^2\theta_2 (2 cos \theta_2 sen \theta_2 +\sqrt{4cos^2 \theta_2 sen^2 \theta_2+2(1-cos\theta_2)})) \approx \boxed{2,41 \rm{m}}
b) Já temos a função pelo item anterior:
x_3=L(sen\theta_2 + 2cos^2\theta_2 (2 cos \theta_2 sen \theta_2 +\sqrt{4cos^2 \theta_2 sen^2 \theta_2+2(1-cos\theta_2)}))
Agora, para provarmos que existe um máximo no intervalo pedido, vamos usar a seguinte estratégia: adicionar um pequeno ângulo(podendo ser negativo)
em
e
. Se a função aumenta para um
positivo em
e aumenta para um
negativo em
, então a função teve pelo menos um máximo no intervalor pedido. Utilizando as aproximações dadas no enunciado, podemos obter:
x_3(\theta+\delta) \approx L(sen\theta_2+cos\theta_2 \delta + 2(cos^2\theta_2 - sen(2\theta_2) \delta)(sen(2\theta)+cos(2\theta) 2\delta ) +\sqrt{(sen(2\theta)^2+2sen(4\theta)\delta +2(1-cos\theta_2+sen\theta_2 \delta)}))
Assim, para
, obtemos:
x_3 \approx 0,7(1+4,82 \cdot 0,7) + \delta (0,7-4,82+\dfrac{0,7^3}{4})
Como o termo que acompanha
é negativo, então a função aumenta para valores negativos de
, como requerido.
Para
, obtemos:
x_3 \approx 5 \delta
Como o termo que acompanha
é positivo, então a função aumenta para valores positivos de
, como requerido. Logo o resultado está provado.
a)
b) 
Problema 4
Um feixe de luz vermelha monocromática, linearmente polarizada na direção vertical, incide sobre um polarizador linear cuja direção de transmissão está inclinada de
em relação à vertical. A intensidade inicial do feixe é
e o comprimento de onda da luz vermelha utilizada é
.
(a) Determine a intensidade da luz transmitida pelo polarizador.
(b) Sabendo que a área da seção transversal do feixe é
, calcule o número de fótons por segundo que incidem sobre o polarizador.
(c) Comente o que acontece quando um único fóton incide sobre o polarizador.
Óptica física
(a) Pela Lei de Malus:

(b) Sendo
o valor pedido pelo enunciado, temos que
multiplicado pela energia de um fóton é igual à potência total incidente no polarizador, ou seja:


(c) A Lei de Malus não fornece a ``perda de energia'' de um fóton. Na verdade, ela determina a probabilidade de um fóton atravessar o polarizador. Assim, ou o fóton será totalmente absorvido ou será totalmente transmitido.
(a) 
(b) 
(c) Absorção ou transmissão total
Problema 5
A Terra primitiva, há bilhões de anos, era coberta por magma. Com o passar do tempo, à medida que o calor foi conduzido à superfície e irridiado para o espaço, formou-se uma crosta sólida que cresceu progressivamente (veja esquema fora de escala). Atualmente, a crosta terrestre tem espessura média aproximada
e condutividade térmica média
.
Considere a temperatura do magma no manto
e a tempeatura na superfície terrestre constante em
.
Sabe-se ainda que, ao se solidificar,
de magma libera aproximadamente
de energia.
(a) Estime a taxa de crescimento da crosta (em
) associada à dissipação do calor por condução entre o manto e a superfície.
(b) Por simplicidade, suponha que essa taxa tenha permanecido constante desde a formação da Terra. Estime a ordem de grandeza do tempo em anos que a Terra possuía magma exposto na superfície.
Termodinâmica
(a) Primeiramente, podemos utilizar a lei de condução de Fourier entre a camada externa e interna:

Além disso, sendo
a capacidade térmica volumétrica da costa, o calor associado a um aumento
na crosta é:

Poranto, temos que:

Substituindo os valores do enunciado e convertendo as unidades:

(b) Considerando a taxa de crescimento constante, o tempo
desde o período que a Terra possuía magma exposto é:

(a)

(b)

Problema 6
Em linhas de transmissão de energia (como na figura), utiliza-se corrente alternada (CA) em diferentes fases para elevar a potência entregue, mantendo as correntes nos condutores dentro de limites seguros. Considere um sistema trifásico com três condutores
com tensão de pico
e defasagens mútuas de
:



Diferentes tensões instantâneas podem ser obtidas ligando pares de fases a cargas puramente resistivas, todas de resistência
(sistema balanceado).
(a) Escreva as très tensões de linha (pico) obtidas ao ligar os pares de fases
,
e
, mostrando que podem ser escritas na forma
na qual
e
o dependem de
e das defasagens.
(b) Calcule a potência média total transmitida no arranjo trifásico balanceado, P, em termos
de
e
.
Dica:
(média em um período).
Circuitos
(a)Ao ligar as fases
e
, cria-se uma diferença de fase
. Podemos representar isso com o seguinte diagrama de fasores:

Veja que
estará na bissetriz entre
e
, ou seja, possuirá fase
constante em relação a
. Aplicando a lei dos cossenos para vetores com
, temos que a tensão de pico é
. Os outros casos são análogos e resultam no mesmo valor.
(b) Usando
:


Usando o valor médio fornecido pela dica:

e os outros casos são análogos.
(a) 
(b) 
Problema 7
Considere um prisma triangular de vidro cujo ângulo de abertura entre as duas faces refratoras é
. Um feixe colimado de luz branca incide perpendicularmente sobre uma de suas faces e emerge da segunda sofrendo um desvio. Adote indice de refração do ar
e, para o vidro, indices com dispersão pequena em torno de
. Os indices de refração nos extremos do espectro visivel são vermelho
e violeta
. Nas respostas, exprima os ângulos em termos da função
. Determine:
(a) O desvio angular médio sofrido pelo raio de luz devido à presença do prisma triangular.
(b) O ângulo de abertura do feixe emergente entre as cores vermelho e violeta na saída do prisma.
Óptica geométrica
(a) 
(b) 
Problema 8
Um carretel de linha apoia-se sobre uma mesa horizontal com coeficientes de atrito estático e cinético iguais a
(ver figura). O tambor interno, sobre o qual a linha está enrolada, tem raior
; as coroas externas têm raio
, com
. Considere que a toda a massa do carretel é
, modelada por duas massas
fixadas nos discos laterias, a uma distância
do centro.
Uma pessoa puxa a ponta da linha com força constante de módulo
, formando um ângulo
com a horizontal.
Seja
a aceleração linear do centro de massa
(positiva para direita) e
a aceleração angjular (positiva no sentido anti-horário).
(a) Determine
e
quando
.
(b) Determine
e
quando
.
(c) Determine o ângulo crítico
no qual o comportamento qualitativo do movimento muda do observado em (a) (para
) para o observado em (b) (para
).
(d) Determine
e
quando
e
.
Mecânica
(a) Primeiramente, quando o carretel é puxado ele adquirá acelerações linear e angular não nulas, até enfim chegar no regime de rolamento perfeito ( quando não há deslizamento). Nesse regime, temos então que:
\begin{equation}v = \omega R \iff a = \alpha R \end{equation}
Assim, sendo
a força de atrito com o solo, podemos calcular a força e o torque resultante no carretel (usando o centro de massa
como referência para o torque) da seguinte forma:

Logo, substituindo (1) na duas ultimas equações temos que

Nesse caso onde
e
, podemos substituir e achar:

(b) Esse caso é análogo ao item (a), portanto basta substituir
e
na expressão para
. Isso nos permite concluir que:

(c) A diferença quantitativa das situações nos itens (a) e (b) é a diferença entre os sinais de
e
. Portanto, podemos concluir da expressão de
que a condição crítica é:

Podemos ainda verificar que
e
, de acordo com o enunciado.
(d) Primeiramente, vamos calcular a força de atrito máxima
nesse caso. Temos que:

Caso ocorrese rolamento perfeito, teríamos como vimos no item anterior:

O que é um absurdo. Portanto, ocorre deslizamento e o atrito é cinético de módulo igual
. Assim:

(a)


(b)


(c)

(d)







