Escrito por Lucas Praça, Vitor Takashi, Felipe Alves, Paulo Vinicius, Tiago Rocha, Caio Yamashita, Davi Tsuchie
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Problema 1
A série de tamanhos de papel A tem como característica que cada formato possui metade da área do anterior e mantém a mesma proporção de lados. Na figura, a área sombreada de dimensões
representa uma folha de papel
. Dividindo transversalmente essa folha ao meio, obtêm-se duas folhas de papel
, com lados
e
. Repetindo esse processo, obtêm-se as folhas
,
,
e assim sucessivamente.

Considere que se deseja formar um bloco de anotações A6 a partir de uma única folha
.
Sabendo que
tem uma área de
e espessura de
, determine:
(a) a altura e largura, em mm, de uma folha do bloco de anotações;
(b) a espessura do bloco de anotações.
Conceitos Matemáticos
(a) Como foi dito no enunciado, deseja-se formar um bloco de anotações com folhas
a partir de uma folha
. Logo, devemos analisar como a folha
difere de uma folha
.
Considerando que a folha
tem dimensões
e
, podemos seguir a lógica apresentada pelo enunciado e concluir que:
- A folha A1 tem dimensões
e
. - A folha A2 tem dimensões
e
. - A folha A3 tem dimensões
e
. - A folha A4 tem dimensões
e
. - A folha A5 tem dimensões
e
. - A folha A6 tem dimensões
e
.
Sabemos que a folha
possui uma área de
. Portanto,
.
Então, basta mais uma equação para podermos descobrir
e
. Para isso, vamos usar o dado do enunciado que as proporções se preservam. Assim, comparando um folha
com uma folha
, podemos escrever:


Então, juntando os resultados, obtemos:


Dessa maneira, os valores buscados são:


Uma dificuldade possivelmente relacionada a essa questão é computar
, até porque a aproximação para raízes genéricas não foi fornecida pela prova NJR, apesar de ser fornecida em outros níveis.
(b) Primeiramente, devemos calcular a área de um bloco de anotações. Para isso, podemos recorrer as suas dimensões
e
. Obtendo que sua área é:


Como foi dito no item anterior que
, obtemos que a área de um bloco de anotação (papel A6) é:

Além disso, podemos calcular o volume inicial de papel, já que como nenhum papel é criado e nem perdido, temos que o volume de papel A0 deve ser o mesmo do que o volume do bloco de anotação.
O enunciado diz que a folha A0 tem área de
e espessura de
. Logo, seu volume deve ser de:

Considerando que o bloco de anotação tem uma espessura
, podemos concluir que o volume é:

Como os volumes são iguais:


Transformando em
:

(a) altura:
; largura: 
(b) 
Problema 2
Eratóstenes de Cirene (séc. III a.C.) determinou o raio da Terra a partir de uma observação e de duas hipóteses. O fenômeno que lhe chamou a atenção é que, no mesmo instante, a direção de incidência dos raios solares varia com a latitude do ponto de observação. Para explicá-lo, ele assumiu que os raios solares são paralelos e que a Terra é esférica. Inspirados nessa abordagem, estudantes de Macapá (M) e Porto Alegre (P), cidades aproximadamente no mesmo meridiano, decidiram reproduzir o experimento.
Macapá está praticamente sobre o Equador e Porto Alegre próxima ao paralelo 30° Sul. Um voo direto, pela rota mais curta, entre as duas cidades percorre a distância de 
O experimento será realizado ao meio-dia do equinócio, quando o Sol incide perpendicularmente em Macapá.
(a) Determine o raio da Terra considerando as hipóteses de Eratóstenes e os resultados do experimento.
(b) A mesma observação pode ser explicada por um modelo de Terra plana no qual o Sol é uma fonte de luz pontual a uma altura (H) acima do plano terrestre e está exatamente sobre Macapá ao meio-dia do equinócio. Determine (H).
(c) Se o modelo de Terra plana é capaz de explicar a diferença de ângulo de incidência dos raios solares em diferentes cidades, por que ele não é adotado?
Conceitos Matemáticos
(a) O ângulo entre as cidades é de
isto é:

Sabendo que o comprimento do arco é dado por

obtemos:

Adotando



(b) No modelo plano, o Sol estaria verticalmente sobre Macapá e faria um ângulo de 
com a vertical em Porto Alegre. Assim:

Sabendo que


Aproximando



(c) O modelo de Terra plana não é adotado porque ele entra em contradição com as premissas do modelo esférico, que são comprovadas por observação. No modelo esférico, que já podemos assumir como o certo, a distância (d) é calculada como
, o que significa que a distância aumenta proporcionalmente com a latitude (
).
Ao tentar aplicar essa distância real no cálculo da altura (
) do Sol no modelo plano (onde
), surge uma inconsistência fundamental. O modelo plano, ao ser confrontado com distâncias de latitudes diferentes, faria com que a altura calculada do Sol (
) mudasse drasticamente.
Essa grande diferença na altura do Sol de acordo com a latitude do observador demonstra que os dois modelos são incompatíveis e que o modelo plano falha em descrever a realidade de forma coerente. Por exemplo, enquanto a observação de um ponto a
de latitude resulta em uma altura
de aproximadamente
, a observação de um ponto a
de latitude resultaria em uma altura H de
.
(a) 
(b) 
(c) O modelo plano, ao ser aplicado a locais de diferentes latitudes, implicaria que a altura calculada do Sol (
) variaria drasticamente com a latitude, o que contradiz as observações reais.
Problema 3
Dois satélites estão em órbitas aproximadamente circulares em torno da Terra, coplanares e passando pelos polos. O período orbital do satélite A é
, e o do satélite B
. Em certo instante, ambos estão alinhados e posicionados sobre o Polo Norte da Terra. Considere o intervalo de tempo até que os satélites retornem a mesma posição(alinhados sobre o Polo Norte da Terra). Determine:
(a) quantas órbitas o satélite A completa nesse intervalo;
(b) quantas vezes os satélites A e B ficaram alinhados com a Terra abaixo deles nesse intervalo(sem contar os alinhamentos inicial e final);
(c) quantas vezes os satélites A e B ficaram alinhados com a Terra entre eles nesse intervalo.
Movimento circular
(a) Primeiramente, vamos calcular quanto tempo irá demorar para que os planetas se alinhem novamente sobre o Polo Norte. O tempo necessário será o Mínimo Múltiplo Comum(MMC) entre os dois períodos, pois nesse momento ambos estarão juntos na origem do movimento(Polo Norte). O MMC entre
e
é
, então esse é o tempo buscado. Assim, o número de voltas que o planeta A fará será:

(b) Vamos considerar o ângulo transladado por cada planeta:


Assim, queremos encontrar todos os valores positivos de
que satisfaçam a seguinte equação até
:

Em
, a diferença entre os ângulos será:

Ou seja, existem soluções de n de 1 até 3 no intervalo pedido. Porém, como o enunciado pede para desconsiderarmos o alinhamento final, o número de alinhamentos será 2.

(c) Analogamente, queremos os valores ímpares de m que solucionam:

Como vimos no item anterior, o valor máximo para a diferença entre esses ângulos é
. Assim, as soluções existentes para m são 1, 3 e 5. Ou seja, tal alinhamento ocorreu 43vezes.

(a) 
(b) 
(c) 
Problema 4
Um cubo de material homogêneo, de aresta
e densidade
, flutua em um recipiente com água pura, com uma das suas faces paralela ao fundo. Em seguida, acrescenta-se lentamente sobre a água uma camada de óleo, de densidade
e espessura h(óleo e água não se misturam). Considere
a distância vertical do topo do cubo ao nível da água(positiva quando o topo está acima do nível). Determine:
a) A altura
sem a camada de óleo(
).
b) A altura
quando
.
c) A espessura
necessária para que a superfície do óleo atinja o topo do cubo.
Hidrostática
a) Podemos traçar a condição do equilíbrio hidrostático:

Onde
é o volume do cubo,
é a densidade da água e
o volume submerso do cubo. Substituindo os valores, obtemos
. Assim, o volume do cubo que fica acima do nível da água é
. Por um outro lado, esse volume é igual a altura buscada vezes a área de uma das faces do cubo:


b) Agora, a condição de equilíbrio será:

Onde
é o lado do cubo e
é a profundidade de água em torno do cubo. Então podemos encontrar
. Assim, podemos encontrar
:

c) Perceba que a altura do topo do cubo com respeito ao óleo é
. Então, vamos utilizar as expressões encontradas no item passado:

Isolando h, encontramos:

a) 
b) 
c) 
Problema 5
Um menino de massa M = 50,0 kg sustenta uma carga de massa m por meio de um sistema de polias, conforme a figura ao lado. A polia pequena está fixa ao teto e a polia grande é móvel, com a carga m presa ao seu eixo. O cabo passa pelas duas polias; uma extremidade é puxada pelo menino e a outra está presa ao teto. Considere polias e cabo ideais (inextensíveis e de massa desprezível). Analise o equilíbrio estático.
(a) Qual é a força que o menino exerce no cabo quando m = 15 kg?
(b) Qual é a força que o menino exerce sobre o piso quando m = 15 kg?
(c) Qual é o maior valor de m que o menino consegue sustentar em equilíbrio estático com esse sistema?
mecânica
((a) Força que o menino exerce no cabo (F)
O sistema de polia móvel oferece uma vantagem mecânica. A carga de peso
é sustentada por duas seções do mesmo cabo. A força que o menino exerce,
, é igual à tensão nesse cabo. Para o equilíbrio da polia móvel:

O peso da carga
é dado por:
Portanto, a força
é:
Substituindo os valores para
:

(b) Força que o menino exerce sobre o piso (Força Normal N)
Para encontrar a força que o menino exerce no piso, precisamos analisar as forças verticais que atuam sobre o menino. As forças são:
- Seu peso
, para baixo. - A força de tração do cabo
, para cima (o cabo o puxa para cima). - A força Normal
do piso, para cima.
No equilíbrio, a soma das forças para cima é igual à soma das forças para baixo:

O peso do menino
é:
Agora, podemos isolar e calcular a Normal
:


Pela Terceira Lei de Newton, a força que o menino exerce sobre o piso é igual em módulo à força Normal.
(c) Maior valor de m que o menino consegue sustentar
O maior valor de massa
que o menino pode sustentar ocorre na situação limite em que ele está prestes a sair do chão. Nesse momento, a força que o piso exerce sobre ele é nula.

Analisando novamente as forças sobre o menino nessa condição:


Isso significa que a força máxima que ele pode aplicar no cabo é igual ao seu próprio peso. Agora, usamos a relação do item (a) para encontrar a massa correspondente a essa força máxima:





(a) 
(b)
(c)
Problema 6
Considere uma geladeira ou freezer doméstico cujo gabinete possui vedação elástica quase hermética: o sistema de borrachas reduz muito a troca com o exterior, mas não a elimina completamente. Responda as questões a seguir, justificando com conceitos e leis da termodinâmica:
(a) Em um dia quente, por que tentar abrir a porta logo após tê-la fechado pode parecer bem difícil do que da primeira vez? Por que, após algum tempo, essa dificuldade desaparece?
(b) Se deixarmos a porta da geladeira aberta por muito tempo, a cozinha esfria, aquece ou fica igual?
(c) Por que colocar um recipiente destampado com comida quente dentro da geladeira aumenta o consumo de energia e pode favorecer a formação de gelo em modelos sem degelo automático?
(d) O que é a “fumaça branca” que sai do congelador quando ele é aberto? Por que ela desce?
Termodinâmica
a) Ao fechar a porta da geladeira em um dia quente, o ar quente do ambiente entra no interior do refrigerador. Esse ar, ao ser rapidamente resfriado pelas superfícies internas frias, sofre uma queda de pressão conforme a equação dos gases ideais (
)
Como a temperatura (T) diminui, e o volume (V) é constante, a pressão interna (P) também diminui. Isso gera uma diferença de pressão entre o interior da geladeira e o ambiente externo, dificultando a reabertura da porta logo em seguida.
Com o passar do tempo, essa diferença de pressão se reduz gradualmente devido a pequenas trocas de ar pela vedação da porta, e a dificuldade para abrir a porta desaparece.
b) A cozinha aquece. A geladeira é um dispositivo que realiza trabalho para transferir calor de um corpo mais frio (seu interior) para um mais quente (o ambiente externo). Isso contraria o fluxo natural do calor, que vai espontaneamente do quente para o frio. Por isso, esse processo exige fornecimento de energia.
De acordo com a Segunda Lei da Termodinâmica, não é possível construir um sistema que funcione em ciclo e transfira calor de uma fonte fria para uma fonte quente sem o fornecimento de trabalho externo.
Quando a porta da geladeira permanece aberta, o ar quente do ambiente entra continuamente. O compressor tenta compensar essa troca, funcionando por mais tempo e consumindo mais energia. Como consequência, mais calor é liberado na cozinha.
c) Colocar comida quente na geladeira eleva a temperatura interna, fazendo com que mais energia tenha que ser utilizada para restaurar a temperatura ideal, o que aumenta o consumo de energia.
A umidade liberada pela evaporação do alimento quente se espalha no interior do refrigerador. Essa umidade tende a condensar e congelar nas superfícies, favorecendo a formação de gelo.
d) Ao abrir o congelador, o ar quente e úmido do ambiente entra em contato com o ar frio do interior. A umidade condensa rapidamente, formando gotículas visíveis de água. Ou seja, a “fumaça branca” é névoa. A névoa desce pois ela é mais fria (e portanto mias denso) do que o ar do ambiente. Como ela é mais densa, a “fumaça branca” desce.
Veja na solução
Problema 7
Um avião
se desloca com para leste com velocidade constante
, em uma rota que passa a
ao norte de uma estação de monitoramento
. A estação está programada para alertar movimentos de aeronaves que estejam a menos de
dela.

(a) Por quantos minutos o movimento dessa aeronave permanece em alerta?
(b) Seja
a velocidade radial média do avião com relação a B(média da taxa de variação temporal da em distância r em relação a
). Determine
, em km/h, entre o primeiro alerta e o ponto de máxima aproximação de
.
Cinemática
(a) Primeiramente, devemos encontrar em qual região o avião é alertado. Para isso, devemos recorrer a geometria do problema:

Utilizando o Teorema de Pitágoras, podemos encontrar a distância
:



Entretanto, não podemos afirmar que o avião fica alerta durante
já que a situação é simétrica, ou seja, também existe uma outra distância
do outro lado.

Logo, o avião fica alerta durante
. Considerando que o avião se move a uma velocidade
, podemos encontrar o tempo:




Transformando em minutos:


(b) Sendo,


Como o enunciado pede entre o primeiro alerta e o ponto de máxima aproximação, devemos calcular a distância
nesses casos e calcular o intervalo de tempo entre eles.
Como já foi descrito no item anterior, a distância
do primeiro alerta é
. No ponto de máxima aproximação, temos:

Logo, o
nesse caso é
. Como foi visto no exercício anterior, a distância entre esses dois instantes é
. Logo, como a velocidade
, podemos afirmar que o intervalo de tempo entre esses dois instantes é:




Logo,




(a) 
(b) 
Problema 8
Um estudante (E) está sentado a 500 m do ponto mais alto (A) de um trecho de estrada rural isolada e de baixo tráfego. Ele percebe que consegue ouvir veículos que se aproximam do outro lado da elevação antes de vê-los no alto da colina (veja o diagrama, fora de escala). Resolve então fazer um jogo de adivinhação, prevendo o instante em que um automóvel aparecerá.
Admita que as ondas sonoras produzidas pelo motor sejam audíveis por E para distâncias de até 1,20 km e que os automóveis trafeguem a 60 km/h.
(a) Qual é o intervalo de tempo entre a percepção do ronco do automóvel e o momento em que ele é visto no alto (A), admitindo propagação instantânea do som?
(b) Qual é o intervalo de tempo entre a percepção do ronco do automóvel e o momento em que ele é visto no alto (A), considerando que o som se propaga no ar a 340 m/s?
Ondas e cinemática
Primeiramente, vamos organizar os dados e converter as unidades para o Sistema Internacional (SI) para facilitar os cálculos. A distância do estudante ao topo (AE) é de 500 m. A distância máxima audível é de 1,20 km, ou seja, 1200 m. A velocidade do automóvel é de 60 km/h, que equivale a 50/3 m/s. A velocidade do som a ser usada no item (b) é de 340 m/s.
A interpretação mais direta do problema é que a distância audível (1200 m) corresponde à distância percorrida pelo som ao longo da superfície da estrada, do carro (C) até o estudante (E), passando pelo topo (A).
Com isso, podemos descobrir a que distância do topo o carro está quando o som é emitido pela primeira vez:


Esta é a distância que o carro precisa percorrer até ser visto no ponto A.

(a) Intervalo de tempo com propagação instantânea do som
Se a propagação do som é instantânea, o estudante ouve o carro no exato momento em que ele está a 700 m do topo. O intervalo de tempo que ele precisa esperar é simplesmente o tempo que o carro leva para percorrer essa distância. Usando a equação do movimento uniforme:



(b) Intervalo de tempo considerando a velocidade do som
Neste caso, o estudante só ouve o som um tempo depois que ele foi emitido. O intervalo de tempo entre ouvir e ver será o tempo de viagem do carro menos o tempo de viagem do som. O tempo de viagem do carro, já calculado no item (a), é de 42 s. O tempo de viagem do som é o tempo que ele leva para percorrer a distância total de 1200 m até o estudante.


O evento “ver” ocorre 42 s após a emissão do som, enquanto o evento “ouvir” ocorre aproximadamente 3,53 s após a mesma emissão. O intervalo de tempo final é, portanto, a diferença entre eles:



