Segunda Fase (Nível 2)

Escrito por Lucas Praça, Tiago Rocha, Vitor Takashi, Gustavo Globig, Paulo Vinícius, Felipe Alves, Caio Yamashita, Davi Tsuchie, Elias Barros

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Problema 1

Ao planejar o tempo necessário para uma viagem rodoviária, é importante considerar tanto a distância de cada trecho quanto a velocidade média efetivamente alcançada. Motoristas experientes costumam adaptar sua velocidade ao tipo de via: em geral, conseguem manter velocidades médias iguais a 50% da máxima permitida em trechos urbanos, 80% em estradas simples e 90% em autoestradas.

Considere que um motorista planeja realizar uma viagem composta por três trechos consecutivos: o primeiro trecho tem 160 \rm{km} e é feito rodovia simples; o segundo consiste em um percurso urbano de 40 \rm{km} que atravessa uma região metropolitana; o terceiro trecho ocorre em uma autoestrada de 210 \rm{km}. As velocidades máximas permitidas nesses trechos são, respectivamente, 80 \rm{km/h}, 60 \rm{km/h} e 100 \rm{km/h}.

Suponha que o motorista consiga manter, em cada trecho, a velocidade média compatível com o tipo de via, conforme descrito. Determine:

(a) o tempo total da viagem, em minutos.

(b) a velocidade média total da viagem, em km/h.

Assunto abordado

Cinemática

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Solução

(a) Primeiramente, vamos encontrar a velocidade do motorista em cada trecho:

v_{sim}= 0,8 \cdot 80 =  64 \rm{km/h}

v_{urb} = 0,5 \cdot 60 = 30 \rm{km/h}

v_{auto}= 0,9 \cdot 100 = 90 \rm{km/h}

Assim, podemos calcular o tempo para percorrer cada trecho por meio da equação:

\Delta S= v \Delta t

\Delta t = \dfrac{\Delta S}{v}

Dessa maneira, substituindo:

 t_1= \dfrac{160}{64} \rm{h}= 2,5 \cdot 60 \rm{min} = 150 \rm{min}

 t_2= \dfrac{40}{30} \rm{h}=\dfrac{4}{3} \cdot 60 \rm{min} = 80 \rm{min}

 t_3=\dfrac{210}{90} \rm{h}=\dfrac{7}{3} \cdot 60 \rm{min}= 140 \rm{min}

Assim, o tempo total é:

t = t_1+t_2+t_3= 370 \rm{min}

(b) A velocidade média total pode ser encontrada dividindo a distância total percorrida pelo tempo da viagem:

v_m = \dfrac{160+40+210}{370} \cdot 60 \rm{km/h} \approx 66,5  \rm{km/h}

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Gabarito

(a)  370 \rm{min}

(b)  66,5 \rm{km/h}

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Problema 2

Em um estudo sobre o tráfego em um trecho de estrada, foram registradas
as velocidades de veículos que passaram por um ponto de medição durante certo intervalo de tempo. O resultado foi agrupado nas classes de velocidade representadas no histograma
ao lado.

Cada barra do histograma representa o número de veículos que registraram velocidade v dentro do intervalo [v_i - 5\, \text{km/h}, v_i + 5\, \text{km/h}], em que vi é o valor central do respectivo intervalo, conforme indicado na figura.
Considerando o conjunto de veículos deste estudo, responda:
(a) Qual é a velocidade média, em \, \text{km/h}, dos veículos?
(b) Sabendo que a velocidade máxima permitida no trecho é de 80 \, \text{km/h}, com tolerância de 5 \, \text{km/h}, qual a porcentagem dos motoristas deste estudo que poderia ser multada por excesso de velocidade?

Assunto abordado

Cinemática

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Solução

A)

A partir do histograma, é possível observar a distribuição das velocidades v_i​ entre os 120 veículos analisados:

6 possuem v_i=40\, \text{km/h}

11 possuem v_i=50\, \text{km/h}

19 possuem v_i=60\, \text{km/h}

24 possuem v_i=70\, \text{km/h}

28 possuem v_i=80\, \text{km/h}

15 possuem v_i=90\, \text{km/h}

9 possuem v_i=100\, \text{km/h}

6 possuem v_i=110\, \text{km/h}

2 possuem v_1=120\, \text{km/h}

Agora para descobrir a velocidade média basta fazer uma média ponderada com os dados acima, assim obtendo:

v_{media} =\frac{(40 \times 6) + (50 \times 11) + (60 \times 19) + (70 \times 24) + (80 \times 28) + (90 \times 15) + (100 \times 9) + (110 \times 6) + (120 \times 2)}{120}

v_{media} =\frac{240 + 550 + 1140 + 1680 + 2240 + 1350 + 900 + 660 + 240}{120}

\boxed{v_{media} = \frac{9000}{120} = 75 \, \text{km/h}}

B)

Como o exercício fala que a uma tolerância de até 5\, \text{km/h} e só é permitido 80\, \text{km/h} irao ser multados os carros presentes nas colunas 90, 100, 110 e 120 \, \text{km/h}. Utilizando os dados previamente obtidos:

  • 15 possuem v_i=90\, \text{km/h}
  • 9 possuem v_i=100\, \text{km/h}
  • 6 possuem v_i=110\, \text{km/h}
  • 2 possuem v_1=120\, \text{km/h}

Então, a porcentagem de multas será:

\boxed{N_{multas}=\frac{15+9+6+2}{120}\approx 26,67\%}

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Gabarito

A)

\boxed{v_{media} = \frac{9000}{120} = 75 \, \text{km/h}}

B)

\boxed{N_{multas}\approx 26,67\%}

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Problema 3


Barcaças de transporte fluvial são cada vez mais utilizadas para o escoamento da produção agrícola da bacia do Tietê–Paraná, devido ao baixo custo do transporte hidroviário. Uma dessas barcaças, vazia, tem massa de 180 toneladas e dimensões externas de 60 m de comprimento por 11 m de largura, com paredes laterais verticais e altura suficiente para evitar transbordamentos. Considere um trecho do rio em que a profundidade máxima permitida para navegação segura é de 2,50 m.

a) Qual é a profundidade submersa da barcaça, em metros, quando ela está vazia?

b) Qual é a distância, em metros, entre o fundo da barcaça carregada e o limite de profundidade permitido para navegação segura? Considere que a barcaça transporta uma carga de cana-de-açúcar com volume total de 400 m³ e densidade média de 700 kg/m³.

Assunto abordado

Hidrostática

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Solução

No comeco, o estado de equilíbrio é quando o empuxo se iguala ao peso

(a) Barcaça vazia:

Pelo princípio de Arquimedes:

 \rho_{\text{a}} \cdot g \cdot V_{\text{sub}} = m_{\text{barc}} \cdot g
Cancelando a gravidade

 \rho_{\text{a}} \cdot V_{\text{sub}} = m_{\text{barc}}
Dados:  \rho_{\text{a}} = 1000\ \text{kg/m}^3 ,  m_{\text{barc}} = 180\ \text{t} = 180000\ \text{kg}
Área da base:  A = 60 \times 11 = 660\ \text{m}^2
 1000 \cdot (660 \cdot h) = 180000
 h = \frac{180000}{1000 \cdot 660} \approx 0{,}273\ \text{m}

Resposta:  h \approx 0{,}273\ \text{m} de profundidade submersa.

(b) Barcaça carregada:

Agora o empuxo equivale ao peso máximo carregado, a diferenca é que agora temos que contar a nova massa e cana de acúcar

Massa da carga:  m_{\text{carga}} = \rho_{\text{carga}} \cdot V_{\text{carga}} = 700 \cdot 400 = 280000\ \text{kg}
Massa total:  m_{\text{total}} = 180000 + 280000 = 460000\ \text{kg}
 1000 \cdot (660 \cdot h_{\text{carregada}}) = 460000
 h_{\text{carregada}} = \frac{460000}{1000 \cdot 660} \approx 0{,}697\ \text{m}
Distância até o limite de profundidade de 2,50 m:  2{,}50 - 0{,}697 \approx 1{,}803\ \text{m}

Resposta: sobra  \approx 1{,}80\ \text{m} para navegação segura.

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Gabarito

Resposta: sobra  \approx 1{,}80\ \text{m} para navegação segura.

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Problema 4



Para ilustrar uma aula de cinemática, duas estudantes de Física decidem usar um pequeno carro de controle remoto. No pátio plano da escola, elas estendem uma fita métrica longa (do tipo usado para medição de terrenos), criando uma escala linear de referência.
Em seguida, filmam o movimento do carrinho ao longo dessa escala durante um intervalo de 50 segundos. Após a filmagem, analisam o vídeo e convertem as posições observadas na trena em valores de posição ao longo do tempo, construindo o gráfico mostrado acima. Com base no gráfico, determine a velocidade média, em m/s, do carrinho, durante os seguintes intervalos:
(a) de todo o experimento;
(b) de movimento regressivo (movimento no sentido negativo de );
(c) de movimento progressivo (movimento no sentido positivo de ).

Assunto abordado

Cinemática

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Solução

Para calcular a velocidade média, basta calcularmos o tempo total de movimento junto com o deslocamento total, para os três casos. Analisando o gráifico temoss

x_t=22,00\;\rm{m}

x_r=-6,00\;\rm{m}

x_p=28,00\;\rm{m}

t_t=50,00\;\rm{s}

t_r=12,00\;\rm{s}

t_p=28,00\;\rm{s}

E portanto
(a)  v_{\text{med, total}} = \frac{\Delta x_{\text{total}}}{\Delta t_{\text{total}}} = \frac{2}{50} = 0{,}44\ \text{m/s}
(b)  v_{\text{med, reg}} = \frac{\Delta x_{\text{reg}}}{\Delta t_{\text{reg}}} = \frac{-6}{12} = -0{,}5\ \text{m/s}
(c)  v_{\text{med, prog}} = \frac{\Delta x_{\text{prog}}}{\Delta t_{\text{prog}}} = \frac{28}{28} = 1{,}0\ \text{m/s}

Resultados finais: (a)  0{,}44\ \text{m/s} , (b)  -0{,}5\ \text{m/s} , (c)  1{,}0\ \text{m/s}

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Gabarito

Gabarito:a)0,44 m/s b)-0,5m/s c)1,0 m/s

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Problema 5

Um estudante de Física está em uma quadra poliesportiva plana, na qual há uma bola em repouso sobre o piso, a uma distância de d = 12,0 m de uma parede lateral vertical. Ele chuta a bola, que inicialmente se desloca com velocidade V_0 em direção a um ponto P, localizado a uma altura H =5,00 m na parede (veja a figura fora de escala ao lado).

Sabendo que a bola atinge a parede em um ponto de altura h = 1,00 m, determine:
(a) O módulo da velocidade inicial V_0, em m/s, que a bola adquire imediatamente após o
chute.
(b) A máxima altura h_{max}, em m, que a bola atinge.

Assunto abordado

Cinemática

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Solução

A) Para resolver esse exercício, iremos decompor a velocidadev_0 no eixo x e y e escreveremos as equações horárias do espaço:

s = s_0 + v \cdot t \Leftrightarrow 12=v_0\cdot \cos(\theta) \cdot t

s = s_0 + v_0 \cdot t + \frac{1}{2} a t^2 \Leftrightarrow 1=v_0\sin(\theta)\cdot t -\frac{gt^2}{2}

Conseguimos descobrir o \sin(\theta) e \cos(\theta), podemos usar o triângulo retângulo formado pela altura H da parede, a distância d e a linha tracejada. Para encontrar a hipotenusa, utilizamos o teorema de Pitágoras:

x^2=5^2+12^2 \Leftrightarrow x=13


Após calcularmos a hipotenusa e sabermos o valor dos catetos, conseguimos descobrir o seno e o cosseno:

\sin(\theta)=\frac{5}{13}

\cos(\theta)=\frac{12}{13}

Dessa forma, podemos substituir nas equações horárias:

2=v_0\cdot \frac{12}{13} \cdot t \Leftrightarrow v_0=\frac{13}{t}

1=v_0\cdot \frac{5}{13}\cdot t -\frac{gt^2}{2} \Leftrightarrow

\frac{5\cdot 13t}{13t}-5t^2=1 \Leftrightarrow t=\frac{2\sqrt{5}}{5}\Leftrightarrow

\boxed{v_0=\frac{13\cdot 5}{2\sqrt{5}} \approx 14,3\, \text{m/s}}

B) Utilizando a fórmula da altura máxima:

H_{max}=\frac{(v_0\sin(\theta))^2}{2g} \Leftrightarrow

\boxed{H_{max}=\frac{(\frac{13\sqrt{5}}{2}\cdot \frac{5}{13})^2}{20}\approx 1.56 m}

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Gabarito

A)

\boxed{v_0\approx 14,3\, \text{m/s}}

B)

\boxed{H_{max}\approx 1.56 m}

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Problema 6

Uma garrafa térmica com isolamento razoável contém inicialmente 200\;\rm{g} de gelo a 0\;\rm{^{\circ}C}. A tabela ao lado mostra a taxa média com que a garrafa absorve calor do ambiente P, em função da temperatura de seu conteúdo, quando mantida em uma sala à temperatura constante de 25\;\rm{^{\circ}C}. Os dados correspondem a condições típicas de uso, com a garrafa tampada e sem agitação do conteúdo.

Dica. Quando P = 8\ \mathrm{J/s} a garrafa térmica absorve 8\;\rm{J} de calor do ambiente a cada segundo.

Admita que não há trocas de calor entre o conteúdo da garrafa e o seu suporte físico (tampa, paredes internas, etc), e que todo o calor absorvido pelo sistema é utilizado exclusivamente para o derretimento do gelo e o aquecimento da água resultante.

Determine, em minutos, os intervalos de tempo (contados a partir do instante inicial) necessários para que:

(a) todo o gelo esteja completamente derretido;

(b) toda a água atinja a temperatura de 25\;\rm{^{\circ}C}.

Assunto abordado

Calorimetria

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Solução

(a) Para que todo o gelo esteja derretido, é preciso que toda a massa de gelo se transforme em água por fusão. Vale ressaltar que durante esse processo, a temperatura da mistura gelo + água permanece em 0\;\rm{^{\circ}C}. Logo, durante o derretimento do gelo, a garrafa absorve uma taxa média de calor igual a P=8\;\rm{J/s} (olhe a tabela)

Para encontrar o tempo necessário ao derretimento completo, calculamos o calor necessário para a fusão total:

Q_1=m_{gelo}L_{fus\tilde{a}o}

Do enunciado, m_{\text{gelo}} = 200\;\rm{g} e, no início da prova, foi dado L_{fus\tilde{a}o} = 80\;\rm{cal/g}. Assim:

Q_1=200\cdot 80

Q_1=16000\;\rm{cal}

Convertendo para Joules (1\;\rm{cal}=4{,}2\;\rm{J}):

Q_1=16000\cdot 4{,}2

Q_1=67200\;\rm{J}

Considerando que taxa média com que a garrafa absorve calor do ambiente é P=8\;\rm{J/s}, o tempo necessário para derreter o gelo é:

P=\dfrac{Q_1}{t_1}

t_1=\dfrac{Q_1}{P}

t_1=\dfrac{67200}{8}

t_1=8400\;\rm{s}

Convertendo para minutos (1\;\rm{min}=60\;\rm{s}):

t_1=\dfrac{8400}{60}

\boxed{t_1=140\;\rm{min}}

(b) Já calculamos anteriormente o tempo necessário para o derretimento completo do gelo: t_1=140\;\rm{min}.

Agora, após o gelo derreter, temos m=200\;\rm{g} de água inicialmente a 0\;\rm{^{\circ}C}. Queremos o tempo (contado desde o instante inicial) para que essa água atinja 25\;\rm{^{\circ}C}.

Como a taxa de absorção de calor muda entre os intervalos 0\;\rm{^{\circ}C} à 10\;\rm{^{\circ}C} e 10\;\rm{^{\circ}C} à 25\;\rm{^{\circ}C} (veja a tabela), vamos tratar separadamente cada etapa.

Para primeira etapa, devemos calcular o calor necessário para aumentar a temperatura da água até 10\;\rm{^{\circ}C}:

Q_2=mc_{\acute{a}gua}\Delta T

No início da prova, foi dado c_{\acute{a}gua} = 1\;\rm{cal/g^{\circ}C}. Assim:

Q_2=200\cdot 1 \cdot (10-0)

Q_2=2000\;\rm{cal}

Q_2=8400\;\rm{J}

Considerando que taxa média com que a garrafa absorve calor do ambiente é P=6\;\rm{J/s}, o tempo necessário para derreter o gelo é:

t_2=\dfrac{Q_2}{P}

t_2=\dfrac{8400}{6}

t_2=1400\;\rm{s}

t_2=\dfrac{70}{3}\;\rm{min}

t_2\approx 23{,}33\;\rm{min}

Para segunda etapa, devemos calcular o calor necessário para aumentar a temperatura da água até 25\;\rm{^{\circ}C}:

Q_3=mc_{\acute{a}gua}\Delta T

Q_3=200\cdot 1 \cdot (25-10)

Q_3=3000\;\rm{cal}

Q_3=12600\;\rm{J}

Considerando que taxa média com que a garrafa absorve calor do ambiente é P=2\;\rm{J/s}, o tempo necessário para derreter o gelo é:

t_3=\dfrac{Q_3}{P}

t_3=\dfrac{12600}{2}

t_3=6300\;\rm{s}

t_3=105\;\rm{min}

Logo, como o enunciado pede o intervalo contado a partir do instante inicial, somamos t_1 (derretimento) com t_2 (aquecimento até 10\;\rm{^{\circ}C}) e t_3 (aquecimento até 25\;\rm{^{\circ}C}):

t=t_1+t_2+t_3

t=140+23,33+105

\boxed{t=268{,}33\;\rm{min}}

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Gabarito

(a) \boxed{t_1=140\;\rm{min}}

(b) \boxed{t=268{,}33\;\rm{min}}

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Problema 7

Na figura ao lado, o bloco de massa M = 300 \ \text{g} está apoiado sobre uma superfície horizontal perfeitamente lisa (sem atrito) e preso a uma mola de constante elástica k.

Um segundo bloco, de massa m = 200 \ \text{g}, está simplesmente apoiado sobre o bloco M. O coeficiente de atrito estático entre os blocos é \mu = 0{,}3.

Deseja-se fazer o sistema oscilar com uma amplitude máxima de 10{,}0 \ \text{cm}.

Determine o maior valor possível da constante elástica k, em \text{N/m}, que garante que o bloco m não escorregue sobre o bloco M durante o movimento.

Assunto abordado

Dinâmica

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Solução

O bloco pequeno m não escorrega sobre M se a força máxima de atrito estático for suficiente para fornecer a força inercial m \cdot a_{\text{max}} durante a oscilação. A aceleração máxima do movimento harmônico simples é

a_{\text{max}} = A \cdot \omega^2

Para o sistema oscilando solidariamente, \omega^2 = \frac{k}{M + m}. Portanto

a_{\text{max}} = \frac{A \cdot k}{M + m}

A condição para não haver deslizamento é

m \cdot a_{\text{max}} \leq \mu \cdot m \cdot g

Cancelando m:

a_{\text{max}} \leq \mu \cdot g

Substituindo a expressão de a_{\text{max}}:

\frac{A \cdot k}{M + m} \leq \mu \cdot g

Isolando k:

k \leq \frac{\mu \cdot g \cdot (M + m)}{A}

Substituindo os valores numéricos (com g = 10):

k \leq \frac{0{,}30 \cdot 10 \cdot (0{,}30 + 0{,}20)}{0{,}10}

k \leq \frac{0{,}30 \cdot 10 \cdot 0{,}50}{0{,}10} = 15 \ \text{N/m}

Logo, o maior valor possível da constante elástica que garante que m não escorregue é aproximadamente **15 N/m**.

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Gabarito

15\ \text{N/m}

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Problema 8

Panelas de fundo triplo, compostas por uma camada intermediária de cobre entre duas camadas de aço inox, são amplamente utilizadas em cozinhas profissionais. A camada de cobre, excelente condutor térmico, distribui o calor uniformemente, enquanto o aço inox oferece maior resistência mecânica e à oxidação. Considere uma situação típica em que uma panela está em uso com uma certa quantidade de água em ebulição em uma cozinha no nível do mar. A boca do fogão fornece uma potência de 1500 \rm{W}, e o fundo da panela tem área A=300 \rm{cm^2}. Cada uma das três camadas (aço+cobre+aço) do fundo da panela tem espessura l=1,0 \rm{mm}. A condutividade térmica do cobre é k_{Cu} = 400 \rm{W/(m \cdot K)} e a do aço inox é k_{Aco}= 20 \rm{W/(m \cdot K)}. Suponha que 80% da potência da chama seja transferida de forma uniforme para a base da panela.

(a) Determine a temperatura da face externa do fundo da panela, em contato com a chama, em ^{\circ} C.

(b) Determine o módulo da diferença de temperatura, em ^{\circ} C, entre as interfaces aço/cobre e cobre/aço.

Assunto abordado

Condução de calor

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Solução

(a) Para resolver essa questão, precisamos lembrar da Lei de Fourier:

 P = \dfrac{kA\Delta T}{l}

Onde P é a potência que atravessa a interface(80% de 1500 \rm{W}), k é a condutividade térmica do material, A é a área e l é o comprimento. Dessa forma, podemos calcular a diferença de temperatura causa por cada camada:

 \Delta T_{Aco} = \dfrac{P \cdot l}{k_{Aco} \cdot A} = 2 \rm{^{\circ} C}

 \Delta T_{Cu} = \dfrac{P \cdot l}{k_{Cu} \cdot A} = 0,1 \rm{^{\circ} C}

Assim, a diferença de temperatura total é:

 \Delta T= 2 \Delta T_{Aco}+ \Delta T_{Cu}= 4,1 \rm{^{\circ} C}

Como a água está em ebulição, sua temperatura é de:

T_0 = 100 \rm{^{\circ}C}

Assim, a temperatura no fundo da panela é:

T=T_0+\Delta T = \boxed{104,1 \rm{^{\circ}C} }

b) Como visto no item anterior, a camada de cobre causa uma diferença de temperatura de 0,1 \rm{^{\circ}C} entre sua interface inferior e exterior. Essas são as interfaces aço/cobre e cobre/aço. Logo, a diferença de temperatura buscada é de \Delta T_{Cu}=0,1 \rm{^{\circ}C}.

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Gabarito

(a) \boxed{ 104,1 \rm{^{\circ }C}}

(b)  \boxed{0,1 \rm{^{\circ}C}}

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Problema 9

Em um laboratório didático de Física, há um arranjo experimental para estudar um sistema de amortecimento composto por uma mola vertical de constante elástica k=20,0 \;\rm{N/m} e massa desprezível, que sustenta uma plataforma horizontal também de massa desprezível (veja a figura fora de escala).Um bloco de massa m=200 \;\rm{g} é abandonado do repouso a partir de uma altura h acima da plataforma. O estudante deseja determinar a deformação máxima d da mola após o impacto como bloco. Considere que o sistema se move apenas na direção vertical (a parte do equipamento que garante isso não é mostrada) e que não há dissipação de energia mecânica. Determine d, em cm, nos seguintes casos:

(a) h = 20 \;\rm{cm}

(b) h = 40 \;\rm{cm}

Assunto abordado

Conservação de Energia

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Solução

Antes e após a colisão do bloco com a mola, temos os seguintes diagramas:

Com isso, podemos conservar a energia mecânica, usando a linha inicial da plataforma como referencia:

mgh = \frac{kd^2}{2} - mgd

d^2 - \frac{2mg}{k}(h+d)=0

Resolvendo a equação do segundo grau e usando a raiz positiva (porque d é maior que zero):

d=\frac{mg}{k} + \sqrt{(\frac{mg}{k})^2+\frac{2mg}{k}h}

Substituindo os valores numéricos:

(a) \boxed{d = 32 \;\rm{cm}}

(b) \boxed{d = 40 \;\rm{cm}}

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Gabarito

(a) \boxed{d = 32 \;\rm{cm}}

(b) \boxed{d = 40 \;\rm{cm}}

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Problema 10

Uma fibra óptica cilíndrica de comprimento L = 1,50 \ \text{km} é composta por um núcleo central com índice de refração n_c = 1,40 e uma camada externa com índice de refração n_e = 1,19.

A figura ao lado mostra uma seção longitudinal de um segmento da fibra.

Um efeito indesejável que degrada a qualidade da informação transmitida é o alargamento do sinal, o qual pode ser estimado considerando as diferentes trajetórias percorridas pelos raios de luz.

Por exemplo:

A linha tracejada 1 representa o percurso de um raio luminoso que se propaga ao longo do eixo da fibra.

A linha tracejada 2 representa o caminho de outro raio que sofre reflexões sucessivas na interface entre o núcleo e a camada externa.

Considere os raios de luz que percorrem a fibra no menor intervalo de tempo possível t_1 e no maior intervalo de tempo possível t_2.

Suponha que o alargamento do sinal \Delta x possa ser estimado por:  \Delta x = (t_2 - t_1) \cdot v , onde v é a velocidade de propagação da luz na fibra.

Determine:

(a) t_1, em microssegundos (10^{-6} \ \text{s});

(b) t_2, em microssegundos (10^{-6} \ \text{s});

(c) \Delta x, em metros.

Assunto abordado

Óptica Geométrica

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Solução

((a) O menor tempo possível dar-se-á quando a luz simplesmente percorre paralelamente ao eixo da fibra. Estando num meio de índice de refração n, a velocidade da luz nesse meio é reduzida pelo fator n, logo:

 v = \frac{c}{n}

E pode-se dizer que, seja \Delta x o deslocamento:

 \frac{\Delta x}{v} = t

Assim, obtemos que:

 t_1 = \frac{L \cdot n}{c} = \frac{1500 \cdot 1,4}{3 \times 10^8} = 7,0 \ \mu s

(b) O maior tempo possível dar-se-á quando a luz sofre múltiplas reflexões totais, ou seja, incide na borda da fibra óptica de forma que esteja com o ângulo máximo de inclinação em relação ao normal, de forma que ainda não haja nenhuma perda por refração. O ângulo de inclinação é tal que:

 1,4 \cdot \sin \theta = 1,19

Logo:

 \sin \theta = 0,85

A nova distância percorrida pela luz será exatamente:

 \frac{L}{\sin \theta} = \frac{1500}{0,85}

E o tempo $t_2$ será:

 t_2 = \frac{L}{\sin \theta} \cdot \frac{n}{c} = \frac{1500 \cdot 1,4}{3 \times 10^8 \cdot 0,85} \approx 8,24 \ \mu s

(c) Fazendo a substituição numérica dada pelo enunciado:

 \Delta x = (t_2 - t_1) \cdot v

 \Delta x = \left[(8,24 - 7,0) \times 10^{-6}\right] \cdot \left(\frac{3,0 \times 10^8}{1,40}\right)

 \Delta x \approx 2,66 \times 10^2 \ m

Assim, o resultado final é aproximadamente 266 m.

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Gabarito

(a) 7 microssegundos

(b) 8,4 microssegundos

(c) 266 metros

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Problema 11

Em um laboratório didático de Física, um estudante investiga o funcionamento de um guindaste construído em
escala reduzida, representado na figura abaixo. A lança do guindaste é modelada por uma barra homogênea AB, de comprimento 80,0 \, \mathrm{cm} e massa m = 200 \, \mathrm{g}, que pode girar livremente em torno do ponto fixo C, que a conecta à torre vertical. Uma carga de massa M = 500 \, \mathrm{g} é suspensa por um fio ideal preso à extremidade B da barra.

A extremidade oposta da barra, ponto A, está sujeita a uma força externa de intensidade F, aplicada sempre perpendicularmente à barra AB. A distância entre os pontos A e C é de 16,0 \, \mathrm{cm}.

Considere situações de equilíbrio estático do sistema e determine:

(a) a intensidade da força F, em \mathrm{N}, quando \theta = 0^{\circ};
(b) a intensidade da força F, em \mathrm{N}, quando \theta = 60^{\circ};
(c) a intensidade da força que a torre exerce sobre o ponto C, em \mathrm{N}, quando \theta = 60^{\circ}.

Assunto

Estática

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Solução

Primeiramente, seja l o comprimento total da barra e d a distância do ponto A até ao ponto C.

Para que ocorra o equilíbrio, o torque e a força resultante precisam ser ambos nulos. Como não sabemos inicialmente a força de contato no ponto C, podemos escolher esse como o ponto de referência do torque, de forma que apenas \vec{F}, M\vec{g} e m\vec{g} possuírão torques relevantes.

Pontanto, sabendo que \vec{F} é sempre perpendicular a barra e utilizando o sentido anti-horário do torque como positivo, o torque da força \vec{F} é:

T_{\, F} = F \cdot d

Além disso, para calcular o torque das duas forças restantes, devemos primeiro achar o braço de cada uma das forças (ou seja, a menor distância entre a direção da força e o ponto de referência C) e substituirmos na fórmula do torque. Desse modo, sabendo que o peso da barra atua em seu centro de massa e usando um pouco de geometria, obtemos que o braço da força m\vec{g} é (l/2 - d) \cos{\theta} e da força M\vec{g} é (l - d) \cos{\theta}, assim:

T_{\, mg} = - mg \cdot (l/2 - d) \cos{\theta}

T_{\, Mg} = - Mg \cdot (l - d) \cos{\theta}

Onde o sinal negativo aparece devido ao sentido das forças na barra.

Portanto, usando que o torque resultante na barra é nulo, chegamos que:

T_{\, F} + T_{\, Mg} + T_{\, mg} = 0 \iff F \cdot d - Mg \cdot (l-d)\cos{\theta}  -  mg \cdot (l/2 - d) \cos{\theta} = 0

Ou seja:

F = Mg \dfrac{(l-d)\cos{\theta}}{d} + mg \dfrac{(l/2-d)\cos{\theta}}{d}

(a) No caso em que \theta = 0^{\circ}, \cos{\theta} = 1 e, portanto, temos que:

F = Mg \dfrac{(l-d)}{d} + mg \dfrac{(l/2-d)}{d} =  \left( 0,5 \cdot 10 \cdot \dfrac{(80 - 16)}{16} +  0,2 \cdot 10 \cdot \dfrac{(40 - 16)}{16} \right)\,  N

Desse modo, realizando as contas, chegamos em:

\boxed{F = 23 \, \mathrm{N}}

(b) No caso em que \theta = 60^{\circ}, \cos{\theta} = 1/2 e, portanto, temos que:

F = Mg \dfrac{(l-d)}{2 \cdot d} + mg \dfrac{(l/2-d)}{2 \cdot d} =  \left( 0,5 \cdot 10 \cdot \dfrac{(80 - 16)}{2 \cdot 16} +  0,2 \cdot 10 \cdot \dfrac{(40 - 16)}{2 \cdot 16} \right) \,  N

Desse modo, realizando as contas, chegamos em:

\boxed{F = 11,5 \, \mathrm{N}}

(c) Para descobrir a força de contato, que denominaremos \vec{f}, no ponto C, devemos utilizar que no equilíbrio a força resultante vertical e horizontal na barra devem ser nulas. Portanto, utilizando trignometria para decomposição da força \vec{F}, a condição de equilíbrio implica que:

 \left\lbrace \begin{array}{@{}l@{}} f_{y} - Mg - mg - F\cos{\theta} = 0  \\ F\sin{\theta} - f_{x} = 0 \end{array} \right.

Desse modo, substituindo os valores das constantes dadas no enuncuado, do ângulo \theta e da força \vec{F} de B, obtemos:

 \left\lbrace \begin{array}{@{}l@{}} f_{y}  = (0,2 \cdot 10 + 0,5 \cdot 10 + 11,5 \cdot 0,5) \, \mathrm{N} = 12,75 \, \mathrm{N}  \\ f_{x} = (11,5 \cdot 0,85) \, \mathrm{N} = 9,775 \, \mathrm{N} \end{array} \right.

Logo, a intensidade de \vec{f} é:

f = \sqrt{f_{x}^{2} + f_{y}^{2}} = \left( \sqrt{12,75^{2} + 9,775^{2}} \right) \, \mathrm{N} \Rightarrow \boxed{f =  16,07 \, \mathrm{N}}

Sendo possível obter resultados aproximados com a formula de aproximação dada no início da prova.

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Gabarito

(a)

F = 23 \, \mathrm{N}

(b)

F = 11,5 \, \mathrm{N}

(c)

f = 16,07 \, \mathrm{N}

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Problema 12

Durante uma excursão à Pedra da Boca, no interior da Paraíba, um estudante decide gritar a palavra “Eco”, voltado diretamente para a face rochosa de um paredão vertical. Ele percebe que, após gritar, ouve o eco aproximadamente 1,2 \;\rm{s} depois.

Considere que o som se propaga isotropicamente pelo ar, que a fonte sonora pode ser aproximada por uma fonte pontual, e despreze perdas por absorção, interferências e reflexões secundárias.

Sabendo que a potência média do grito é P_0 = 6\cdot 10^{-3}\;\rm{W}, estime:

(a) a distância, em metros, entre o estudante e o paredão rochoso;

(b) a intensidade média I1 da onda sonora (grito), em \rm{W/m^2}, quando está a 10 \;\rm{m} do estudante (fonte);

(c) a intensidade média Ie da onda sonora correspondente ao eco, em \rm{W/m^2}, ao chegar ao ouvido do estudante

Assunto abordado

Ondas e cinemática

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Solução

a):

Sabemos que a onda sonora leva 1,2 segundos para ir até o paredão, refletir e voltar. Logo, o tempo de ida será de 0,6 segundos.

Assumindo a velocidade do som como 340 m/s, temos:

d=v\cdot t \rightarrow

\boxed{d=340\cdot 0,6 \;\rm{m}=204\;\rm{m}}

b):

Sabemos que o som se propagará isotropicamente, logo, podemos considerar uma esfera para o cálculo da área.

 I= \frac{P}{A} \rightarrow

\boxed{I_1= \frac{P}{4 \pi r^2}=\frac{6\cdot 10^{-3}}{4\cdot 3 \cdot 10^2}=5\cdot 10^{-6} \;\rm{W/m^2}}

c):

Aplicando a mesma lógica do item b) só que agora para uma distância de 2d:

\boxed{I_e=\frac{6\cdot 10^{-3}}{4\pi (2d)^2}=\frac{6\cdot 10^{-3}}{4\cdot 3 (408)^2}\approx 3\cdot 10^{-9} \;\rm{W/m^2}}

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Gabarito

a) \boxed{d=204\;\rm{m}}

b) \boxed{I_1=5\cdot 10^{-6} \;\rm{W/m^2}}

c) \boxed{I_e= 3\cdot 10^{-9} \;\rm{W/m^2}}

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