Escrito por Lucas Praça, Tiago Rocha, Vitor Takashi, Gustavo Globig, Paulo Vinícius, Felipe Alves, Caio Yamashita, Davi Tsuchie, Elias Barros
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Problema 1
Em um laboratório didático de Física, há um arranjo experimental para estudar um sistema de amortecimento composto por uma mola vertical de constante elástica
e massa desprezível, que sustenta uma plataforma horizontal também de massa desprezível (veja a figura fora de escala).Um bloco de massa
é abandonado do repouso a partir de uma altura
acima da plataforma. O estudante deseja determinar a deformação máxima
da mola após o impacto como bloco. Considere que o sistema se move apenas na direção vertical (a parte do equipamento que garante isso não é mostrada) e que não há dissipação de energia mecânica. Determine
, em cm, nos seguintes casos:

(a) 
(b) 
Conservação de Energia
Antes e após a colisão do bloco com a mola, temos os seguintes diagramas:
Com isso, podemos conservar a energia mecânica, usando a linha inicial da plataforma como referencia:


Resolvendo a equação do segundo grau e usando a raiz positiva (porque
é maior que zero):

Substituindo os valores numéricos:
(a) 
(b) 
(a) 
(b) 
Problema 2
Na figura ao lado, o bloco de massa
está apoiado sobre uma superfície horizontal perfeitamente lisa (sem atrito) e preso a uma mola de constante elástica
.

Um segundo bloco, de massa
, está simplesmente apoiado sobre o bloco
. O coeficiente de atrito estático entre os blocos é
.
Deseja-se fazer o sistema oscilar com uma amplitude máxima de
.
Determine o maior valor possível da constante elástica
, em
, que garante que o bloco
não escorregue sobre o bloco
durante o movimento.
Dinâmica
O bloco pequeno
não escorrega sobre
se a força máxima de atrito estático for suficiente para fornecer a força inercial
durante a oscilação. A aceleração máxima do movimento harmônico simples é

Para o sistema oscilando solidariamente,
. Portanto

A condição para não haver deslizamento é

Cancelando
:

Substituindo a expressão de
:

Isolando
:

Substituindo os valores numéricos (com
):


Logo, o maior valor possível da constante elástica que garante que
não escorregue é aproximadamente **15 N/m**.

Problema 3
Um grupo de estudantes está em um acampamento em um dia chuvoso e decide fazer um experimento com duas lanternas de bolso idênticas. Cada lanterna é alimentada por duas pilhas de
ligadas em série e possui uma pequena lâmpada incandescente cujo soquete indica
e
. Os estudantes desmontam as lanternas e, no espírito “MacGyver” (o grupo gosta de física experimental e dessa antiga série de TV), montam dois circuitos usando fios e materiais improvisados. Em ambos os casos, a fonte é o conjunto de duas pilhas em série (as pilhas são idênticas). Caso 1: uma única lâmpada é ligada ao conjunto de pilhas. Observa-se potência dissipada P1. Caso 2: duas lâmpadas idênticas são ligadas em paralelo entre si e, em seguida, ao mesmo conjunto de pilhas. Observa-se que cada lâmpada dissipa potência
, ligeiramente menor que
. Se as pilhas fossem ideais, as potências seriam iguais (
=
). Como não são, concluíram que cada pilha possui resistência interna r não desprezível. Usando aplicativos instalados nos celulares, que medem intensidade luminosa, o grupo estimou que a queda de potência foi de
, ou seja,
. Considerando que eles estão corretos, determine:
(a) A resistência
, em
, de cada lâmpada.
(b) A resistência interna
, em
, de cada pilha.
Circuitos
(a) 
(b) 
Problema 4
Panelas de fundo triplo, compostas por uma camada intermediária de cobre entre duas camadas de aço inox, são amplamente utilizadas em cozinhas profissionais. A camada de cobre, excelente condutor térmico, distribui o calor uniformemente, enquanto o aço inox oferece maior resistência mecânica e à oxidação. Considere uma situação típica em que uma panela está em uso com uma certa quantidade de água em ebulição em uma cozinha no nível do mar. A boca do fogão fornece uma potência de
, e o fundo da panela tem área
. Cada uma das três camadas (aço+cobre+aço) do fundo da panela tem espessura
. A condutividade térmica do cobre é
e a do aço inox é
. Suponha que 80% da potência da chama seja transferida de forma uniforme para a base da panela.
(a) Determine a temperatura da face externa do fundo da panela, em contato com a chama, em
.
(b) Determine o módulo da diferença de temperatura, em
, entre as interfaces aço/cobre e cobre/aço.
Condução de calor
(a) Para resolver essa questão, precisamos lembrar da Lei de Fourier:

Onde P é a potência que atravessa a interface(80% de
), k é a condutividade térmica do material, A é a área e l é o comprimento. Dessa forma, podemos calcular a diferença de temperatura causa por cada camada:


Assim, a diferença de temperatura total é:

Como a água está em ebulição, sua temperatura é de:

Assim, a temperatura no fundo da panela é:

b) Como visto no item anterior, a camada de cobre causa uma diferença de temperatura de
entre sua interface inferior e exterior. Essas são as interfaces aço/cobre e cobre/aço. Logo, a diferença de temperatura buscada é de
.
(a) 
(b) 
Problema 5
Uma fibra óptica cilíndrica de comprimento
é composta por um núcleo central com índice de refração
e uma camada externa com índice de refração
.
A figura ao lado mostra uma seção longitudinal de um segmento da fibra.
Um efeito indesejável que degrada a qualidade da informação transmitida é o alargamento do sinal, o qual pode ser estimado considerando as diferentes trajetórias percorridas pelos raios de luz.
Por exemplo:
A linha tracejada 1 representa o percurso de um raio luminoso que se propaga ao longo do eixo da fibra.
A linha tracejada 2 representa o caminho de outro raio que sofre reflexões sucessivas na interface entre o núcleo e a camada externa.

Considere os raios de luz que percorrem a fibra no menor intervalo de tempo possível
e no maior intervalo de tempo possível
.
Suponha que o alargamento do sinal
possa ser estimado por:
, onde
é a velocidade de propagação da luz na fibra.
Determine:
(a)
, em microssegundos (
);
(b)
, em microssegundos (
);
(c)
, em metros.
Óptica Geométrica
((a) O menor tempo possível dar-se-á quando a luz simplesmente percorre paralelamente ao eixo da fibra. Estando num meio de índice de refração
, a velocidade da luz nesse meio é reduzida pelo fator
, logo:

E pode-se dizer que, seja
o deslocamento:

Assim, obtemos que:

(b) O maior tempo possível dar-se-á quando a luz sofre múltiplas reflexões totais, ou seja, incide na borda da fibra óptica de forma que esteja com o ângulo máximo de inclinação em relação ao normal, de forma que ainda não haja nenhuma perda por refração. O ângulo de inclinação é tal que:

Logo:

A nova distância percorrida pela luz será exatamente:

E o tempo $t_2$ será:

(c) Fazendo a substituição numérica dada pelo enunciado:

![\Delta x = \left[(8,24 - 7,0) \times 10^{-6}\right] \cdot \left(\frac{3,0 \times 10^8}{1,40}\right)](https://i0.wp.com/noic.com.br/wp-content/plugins/latex/cache/tex_d1560c5af166049002087d8e308fb351.gif?ssl=1)

Assim, o resultado final é aproximadamente 266 m.
(a) 7 microssegundos
(b) 8,4 microssegundos
(c) 266 metros
Problema 6
A figura ao lado mostra duas configurações de uma espira composta por duas semicircunferências de raios
e
, articuladas em torno de um eixo formado por dois segmentos retilíneos. Observe que uma configuração pode ser obtida da outra por uma rotação de
do semicírculo menor em torno do eixo pontilhado. Adote um sistema de referência no qual a direção
positiva é perpendicular e para fora do plano do papel (ou da tela do dispositivo). Sejam
e
as componentes
do campo magnético no ponto
gerado pela espira quando percorrida por uma corrente
(no sentido indicado na figura), nas configurações 1 e 2, respectivamente. Determine a variação relativa do campo magnético no ponto
, dada por
, causada pela mudança da espira da configuração 1 para a 2.

Magnetismo
Sabemos que o campo de um espira circular é
. Assim, para o esquema do problema, basta dividir esse valor por
e somar a contribuição de cada um dos loops, pois os segmentos retos não contribuem para o campo no centro. Além disso, sabemos que a corrente no sentido anti-horário gera um
positivo. Logo,

Para a outra espira, precisamos inverter um dos sinais, pois a corrente roda no sentido horário:

Portanto, a variação relativa é dada por:


Problema 7
Em um laboratório didático de Física, um estudante investiga o funcionamento de um guindaste construído em
escala reduzida, representado na figura abaixo. A lança do guindaste é modelada por uma barra homogênea
, de comprimento
e massa
, que pode girar livremente em torno do ponto fixo
, que a conecta à torre vertical. Uma carga de massa
é suspensa por um fio ideal preso à extremidade
da barra.

A extremidade oposta da barra, ponto
, está sujeita a uma força externa de intensidade
, aplicada sempre perpendicularmente à barra
. A distância entre os pontos
e
é de
.
Considere situações de equilíbrio estático do sistema e determine:
(a) a intensidade da força
, em
, quando
;
(b) a intensidade da força
, em
, quando
;
(c) a intensidade da força que a torre exerce sobre o ponto
, em
, quando
.
Estática
Primeiramente, seja
o comprimento total da barra e
a distância do ponto
até ao ponto
.
Para que ocorra o equilíbrio, o torque e a força resultante precisam ser ambos nulos. Como não sabemos inicialmente a força de contato no ponto
, podemos escolher esse como o ponto de referência do torque, de forma que apenas
,
e
possuírão torques relevantes.
Pontanto, sabendo que
é sempre perpendicular a barra e utilizando o sentido anti-horário do torque como positivo, o torque da força
é:

Além disso, para calcular o torque das duas forças restantes, devemos primeiro achar o braço de cada uma das forças (ou seja, a menor distância entre a direção da força e o ponto de referência
) e substituirmos na fórmula do torque. Desse modo, sabendo que o peso da barra atua em seu centro de massa e usando um pouco de geometria, obtemos que o braço da força
é
e da força
é
, assim:


Onde o sinal negativo aparece devido ao sentido das forças na barra.
Portanto, usando que o torque resultante na barra é nulo, chegamos que:

Ou seja:

(a) No caso em que
,
e, portanto, temos que:

Desse modo, realizando as contas, chegamos em:

(b) No caso em que
,
e, portanto, temos que:

Desse modo, realizando as contas, chegamos em:

(c) Para descobrir a força de contato, que denominaremos
, no ponto
, devemos utilizar que no equilíbrio a força resultante vertical e horizontal na barra devem ser nulas. Portanto, utilizando trignometria para decomposição da força
, a condição de equilíbrio implica que:

Desse modo, substituindo os valores das constantes dadas no enuncuado, do ângulo
e da força
de
, obtemos:

Logo, a intensidade de
é:

Sendo possível obter resultados aproximados com a formula de aproximação dada no início da prova.
(a)

(b)

(c)

Problema 8
Durante uma excursão à Pedra da Boca, no interior da Paraíba, um estudante decide gritar a palavra “Eco”, voltado diretamente para a face rochosa de um paredão vertical. Ele percebe que, após gritar, ouve o eco aproximadamente
depois.

Considere que o som se propaga isotropicamente pelo ar, que a fonte sonora pode ser aproximada por uma fonte pontual, e despreze perdas por absorção, interferências e reflexões secundárias.
Sabendo que a potência média do grito é
, estime:
(a) a distância, em metros, entre o estudante e o paredão rochoso;
(b) a intensidade média I1 da onda sonora (grito), em
, quando está a
do estudante (fonte);
(c) a intensidade média Ie da onda sonora correspondente ao eco, em
, ao chegar ao ouvido do estudante
Ondas e cinemática
a):
Sabemos que a onda sonora leva 1,2 segundos para ir até o paredão, refletir e voltar. Logo, o tempo de ida será de 0,6 segundos.
Assumindo a velocidade do som como 340 m/s, temos:


b):
Sabemos que o som se propagará isotropicamente, logo, podemos considerar uma esfera para o cálculo da área.


c):
Aplicando a mesma lógica do item b) só que agora para uma distância de 2d:

a) 
b) 
c) 












