Escrito por Luís Fernando
Iniciante
Pulsar do Caranguejo
O Catálogo Messier é um dos mais famosos catálogos astronômicos existentes. O primeiro objeto registrado por Charles Messier, seu criador, foi a Nebulosa do Caranguejo (M1). Esse objeto corresponde a um remanescente de supernova – resultado da explosão catastrófica de uma estrela massiva observada no ano 1054. No centro da nebulosa, encontra-se o Pulsar do Caranguejo, uma estrela extremamente compacta com raio
e massa
.
Uma curiosidade interessante desse pulsar é que, diferentemente de estrelas convencionais, grande parte de sua luminosidade origina-se da perda de energia de rotação (a qual se transforma em radiação eletromagnética), e não de fusões nucleares. Com base nisso, e sabendo que o pulsar completa uma rotação em torno de seu próprio eixo a cada incríveis
(
), com um aumento diário de período de
(
), estime a luminosidade do Pulsar do Caranguejo.
Dados: A expressão matemática para a energia rotacional de uma esfera homogênea de raio R, massa M e período rotacional P é:


Intermediário
Somewhere Over the Multiverse
Em 1929, Edwin Hubble descobriu que as galáxias estão se afastando umas das outras, revelando que o universo está em expansão. Ele estabeleceu que a velocidade de afastamento (v) é proporcional à distância (d), com
(constante de Hubble) relacionando as duas grandezas. Com base nisso, a Lei de Hubble pode ser escrita da seguinte forma:

A partir dessa expressão, e considerando que
não mude com o tempo, podemos obter uma outra fórmula, que relaciona a distância inicial (
) e a distância final (
) – após a expansão – entre dois objetos, além do intervalo de tempo (
) entre esses dois instantes:

A expansão do universo em si é um assunto complexo, mas podemos imaginá-la geometricamente considerando um espaço plano que se “estica” com o tempo.
Agora, imagine um universo alternativo, em que a Lei de Hubble continua sendo válida, mas com
tendo um valor diferente do convencional. A seguir, temos duas imagens: a primeira representa duas galáxias em uma grade em um determinado instante de tempo, e a outra representa as mesmas galáxias mas após uma certa expansão do universo. O intervalo de tempo entre as duas situações é
bilhões de anos. Ambas as imagens estão em uma mesma escala, em que um quadrado representa
.

Com base no que foi dito, estime o valor da constante de Hubble deste universo (em km/s/Mpc) e calcule qual será a velocidade de afastamento
entre as galáxias (em km/s)
bilhões de anos após o instante da figura à direita .
Dados: Pode ser útil saber que 
Avançado
Satélite em Órbita Polar
Os satélites em órbita polar são uma categoria especial de satélites artificiais que percorrem uma trajetória próxima aos polos da Terra, permitindo uma cobertura global e detalhada do planeta.
Em determinado momento, o cientista Jurgão, em sua visita anual ao Polo Norte, avista um satélite em órbita polar, e percebe que o mesmo se move perpendicularmente ao Equador Celeste. Sabendo que o satélite possui formato esférico com raio
e que, no momento da observação, o objeto estava a uma altura
e com um raio angular
, ajude Jurgão a descobrir o tempo que esse satélite levará para alcançar o zênite, considerando que a órbita é circular.
Dados: Raio da Terra: 
Internacional
O Satélite do Tio Klafkar
O grande astrônomo Klafkar, com o objetivo de mapear por completo a órbita de um satélite (isto é, obter todos os seus principais elementos orbitais), mediu, em um curto intervalo de tempo, os seguintes vetores posição:
Ele, no entanto, pensou que tais dados não seriam o suficiente para cumprir sua missão. O seu objetivo nessa questão é mostrar que ele está errado.
Parte I: Ferramentário
De início, é importante obtermos expressões matemáticas para o cálculo dos elementos orbitais. Para isso, considere um sistema de coordenadas cartesiano de mão direita com o eixo x apontando para o ponto Vernal e o eixo z apontando para o Polo Celeste Norte.
Importante: Todos os itens a seguir utilizam vetores. Para resolvê-los, pense: qual vetor conhecido posso obter a partir dos dados fornecidos? como posso utilizar as propriedades das operações vetoriais para obter tais elementos?
a) Obtenha uma expressão para a inclinação da órbita (i).
b) Obtenha um novo vetor que aponte para a direção da linha dos nodos da órbita, no sentido do nodo ascendente. Chame-o de
(vetor nodal).
c) Obtenha, partindo do resultado do item anterior, uma expressão para a longitude do nodo ascendente (
).
Agora, para continuarmos, podemos utilizar um interessante resultado da Mecânica Celeste. Partindo de uma grandeza conservada em órbitas keplerianas (o chamado Vetor Laplace-Runge-Lenz), podemos obter o vetor excentricidade, dado pela seguinte expressão:

Tal vetor tem módulo igual à excentricidade orbital e aponta para o periastro da órbita.
d) Obtenha uma expressão para o argumento do periastro (
).
Parte II: Mapeando o Satélite
Por fim, podemos partir para o nosso objetivo. Considere, para isso, que o intervalo de tempo entre as medições dos vetores posição foi de
.
e) Calcule o semi-eixo maior, a excentricidade e o período da órbita.
f) Calcule a inclinação e a longitude do nodo ascendente.
g) Calcule, por fim, o argumento do perigeu.
h) Com base nos valores obtidos, responda: dentre China, Rússia, Japão e Índia, qual o mais provável país de origem desse satélite?


