A ideia de que os seres vivos mudam ao longo do tempo nem sempre foi bem aceita. Por muitos séculos, a explicação dominante sobre a origem da vida baseava-se no fixismo, que afirmava que todas as espécies foram criadas de forma definitiva e imutável por uma entidade divina. Essa visão predominou até o século XVIII.
No entanto, o desenvolvimento da geologia e da paleontologia trouxe questionamentos. O naturalista francês Georges Cuvier, defensor do catastrofismo, sugeriu que a história da Terra foi marcada por grandes catástrofes naturais, responsáveis por extinções em massa. Apesar de reconhecer a extinção de espécies, Cuvier ainda acreditava que novas formas de vida surgiam prontas, rejeitando a ideia de transformação gradual dos seres vivos.
Foi nesse contexto que surgiram as primeiras teorias transformistas, que propunham que as espécies não são fixas, mas evoluem com o tempo. Dentre essas propostas, duas se destacaram: Lamarckismo e Darwinismo.
Lamarck
Em 1809, Jean-Baptiste de Lamarck propôs a primeira teoria evolutiva coerente. Segundo ele, os organismos sofrem modificações em resposta direta ao ambiente e transmitem essas alterações aos seus descendentes. Sua teoria baseava-se em dois pilares:
- Uso e desuso: estruturas muito utilizadas se desenvolvem; pouco utilizadas se atrofiam.
- Herança dos caracteres adquiridos: essas modificações seriam transmitidas à próxima geração.
Embora elegante, a teoria falha ao supor que características adquiridas durante a vida são herdáveis — algo que a genética moderna demonstrou ser falso.

Darwin
Cinquenta anos depois, em 1859, Charles Darwin apresentou uma explicação muito mais robusta para a evolução: a seleção natural. Para Darwin, as variações já existem nas populações, de forma aleatória, e o ambiente atua selecionando os indivíduos mais aptos, ou seja, os que melhor sobrevivem e se reproduzem.
Principais ideias:
- As populações apresentam variações naturais entre os indivíduos.
- Há uma luta pela sobrevivência: nem todos os indivíduos conseguem se reproduzir.
- Os mais aptos deixam mais descendentes.
- Com o tempo, essas características vantajosas se acumulam e a população evolui.
Darwin não sabia exatamente como essas características eram herdadas (a genética mendeliana ainda não havia sido redescoberta), mas sua teoria se mostrou consistente com observações de campo e com os registros fósseis.

Neodarwinismo
Com o avanço da ciência no século XX, a teoria de Darwin foi expandida e consolidada na chamada Teoria Sintética da Evolução, ou Neodarwinismo. Essa teoria combina os princípios da seleção natural com os conhecimentos da genética populacional, mutações, recombinação genética, deriva genética e fluxo gênico. A partir dela, entendemos que a evolução consiste na alteração das frequências alélicas de uma população ao longo do tempo. Assim, o Neodarwinismo corrige e complementa a teoria de Darwin ao explicar como surgem as variações hereditárias — por mutações e recombinação — e como elas se propagam ou desaparecem nas populações.
Lamarckismo vs Darwinismo
| Critério | Lamarckismo | Darwinismo (e Neodarwinismo) |
|---|---|---|
| Fonte da variação | Variação induzida pelo ambiente | Variações naturais (hoje sabemos: mutações e recombinação) |
| Mecanismo de adaptação | Uso e desuso + herança de caracteres adquiridos | Seleção natural sobre variações existentes |
| Papel do ambiente | Provoca mudanças | Seleciona mudanças |
| Hereditariedade | Características adquiridas são herdadas | Apenas características geneticamente herdáveis |
| Tempo de mudança | Mais rápida e direcionada | Mais lenta, baseada na reprodução diferencial |
| Exemplo do pescoço da girafa | Esticar o pescoço causa o alongamento | Girafas com pescoços naturalmente maiores sobrevivem mais |
Aula elaborada por Carolina Fujimoto
