Soluções – Semana 123

por

Escrito por Luís Fernando

Iniciante

Grupo Local

Para a resolução dessa questão, considere a seguinte geometria:

Sendo d_{M31} a distância de M31 à Terra, d_{M33} a distância de M33 à Terra e d_{M31,M33} a distância de M31 a M33, podemos obter d_{M31,M33} a partir da lei dos cossenos:

d_{M31,M33}=\sqrt{d_{M31}^2+d_{M33}^2-2d_{M31}d_{M33} \cos(\theta)}


Agora, por lei dos senos, podemos calcular o ângulo requisitado (\beta):

\frac{\sin(\beta)}{d_{M31}} =\frac{\sin(\theta)}{d_{M31,M33}} \implies \sin(\beta) = \frac{d_{M31} \sin(\theta)}{\sqrt{d_{M31}^2+d_{M33}^2-2d_{M31}d_{M33} \cos(\theta)}}


Com isso:

 \boxed{\beta \approx 67{,}1^\circ}

Intermediário

Ponto Brilhante

Considerando que em ambos os instantes o objeto se encontrava em seu latus rectum e que em m_1 e m_2 estava em oposição e em conjunção, respectivamente, podemos desenhar geometricamente a situação da seguinte forma (fora de escala):

Em que P_1 e P_2 são os pontos em que o objeto se localiza ao estar com magnitude m_1 e m_2. Ademais, l representa o valor do semi-latus rectum da órbita.


Como foi dado o período, podemos calcular o valor do semi-eixo maior do objeto:

a=P^{\frac{2}{3}} \implies a=4\,\text{UA}

Agora, para calcularmos a excentricidade, é importante entendermos que o fluxo luminoso do objeto na Terra depende de dois fatores: a sua distância em relação ao Sol (d_\odot) e sua distância em relação à Terra (d_\oplus). Considerando a lei do inverso do quadrado da distância, podemos escrever tal relação da seguinte forma:

F \propto d_\odot^{-2}d_\oplus^{-2}

E, pela lei de Pogson, podemos obter a seguinte expressão:

\Delta m=5 \log \left ( \frac{d_{\odot,2} d_{\oplus_2}}{d_{\odot_1} d_{\oplus_1}} \right)=4\,\text{mag}

Tal expressão implica que \Delta m>0″ /></span><script type='math/tex'>\Delta m>0</script> uma vez que <span class='MathJax_Preview'><img data-recalc-dims=. Ademais, pela geometria exposta na imagem:

d_{\oplus_2}=l+a_\oplus \,\,\,\text{e} \,\,\,d_{\oplus_2}=l-a_\oplus

Inserindo tal expressão na equação obtida e isolando o logaritmando:

\frac{l+a_\oplus}{l-a_\oplus}=10^{\frac{4}{5}}

Resolvendo para l:

l= \frac{10^{\frac{4}{5}}+1}{10^{\frac{4}{5}}-1}a_\oplus

l \approx 1{,}38\,\text{UA}

Com isso:

l=a(1-e^2) \implies e =\sqrt{1-\frac{l}{a}}


\boxed{e \approx 0{,}81}

Avançado

Somewhere Over the Multiverse II

Pela definição de magnitude superficial, podemos obter a magnitude aparente total do céu:

\mu-m=-2.5\log \left(\frac{F}{\Omega} \frac{1}{F} \right)

m=\mu + 2.5 \log(\Omega) \implies m =  -9.32

Pela equação de Pogson, podemos relacionar tal magnitude com o fluxo total recebido:

m - m_{\odot} = -2.5 \log \left( \frac{F}{F_{\odot}}\right)

Em que F_{\odot} = \frac{L_{\odot}}{4 \pi a_{\oplus}^2}. Podemos obter uma expressão para F considerando, inicialmente, o fluxo recebido por conta de uma casca esférica de espessura \Delta r e, após isso, somando todas essas contribuições. Sendo n a densidade numérica de estrelas, temos que a luminosidade em uma casca será:

\Delta L = 4 \pi r^2 nL_{\odot} \Delta r

Com isso:

\frac{\Delta L}{4 \pi r^2} = \Delta F = nL_{\odot} \Delta r


F = \sum nL_{\odot} \, \Delta r \implies F=nL_{\odot}R_0

Desse modo, podemos substituir a expressão de F na equação (3) e manipular a expressão para obter n:

m - m_{\odot} = -2.5 \log \left( \frac{nL_{\odot}R_0} {F_{\odot}}\right) \implies n = \frac{10^{\frac{m-m_{\odot}}{-2.5}}}{4 \pi a_{\oplus}^2 R_0}

n \approx 1.46 \cdot 10^{-8} \; \text{estrelas/pc}^3

A distância mínima requisitada pode ser estimada como sendo o comprimento da aresta de um cubo que possui uma estrela em seu interior:

1 = nd^3 \implies d = \frac{1}{n^{\frac{1}{3}}}


\boxed{d \approx 409 \, \text{pc}}

Internacional

Recombinação

a) Nesse caso, a energia da CMB será igual à \chi_H:

 k_B T = 13.6\,\text{eV}= k_BT_0(1+z)

 \boxed{z \approx 57900}

b) Sabendo o parâmetro de densidade da matéria bariônica, podemos multiplicá-lo pela densidade crítica e dividir pela massa do próton:

 n_b = \frac{\rho_{b,0}}{m_p} = \frac{\Omega_{b,0}\rho_{c,0}}{m_p} = \frac{3 \Omega_{b,0} H_0^2}{8 \pi m_pG}


Com isso:

 n_b \approx 0{,}22\,\text{barions/m}^3


Calculando, a partir da fórmula fornecida, a densidade numérica de fótons para T = 2{,}725\,\text{K}:

 n_{\nu} \approx 4{,}1 \cdot 10 ^8\,\text{fotons/m}^3


Sendo \eta a razão bário-fóton, temos:

 \boxed{\eta \approx 5{,}4 \cdot 10^{-10}}

c) Considerando o Universo como sendo eletricamente neutro, a densidade numérica de prótons se torna igual à densidade numérica de elétrons. Ademais, a densidade numérica de bárions é em grande parte devido à prótons. Como tais partículas podem estar livres ou em forma de hidrogênio neutro, podemos, por aproximação, considerar que:

 n_b \approx n_p + n_H \approx n_e + n_H


Desenvolvendo a equação fornecida:

 \frac{1-X}{X^2}= \frac{1-\frac{n_p}{n_b}}{(\frac{n_p}{n_b})^2} = \frac{1-\frac{n_e}{n_b}}{(\frac{n_e}{n_b})^2} = \frac{n_b(n_b - n_e)}{(n_e)^2} = {\frac{n_H n_b}{n_e^2}}

d) Considerando que a massa do elétron é muito menor que a de um próton, temos m_H \approx m_p, de forma que:

 \frac{n_H}{n_e^2} = \left( \frac{1}{m_e} \frac{2\pi \hbar^2}{kT} \right)^{\frac{3}{2}} e^{\frac{\chi_H}{kT}}


Pode-se substituir o primeiro membro da equação acima por \frac{1-X_e}{X_e^2 n_b}, de modo que:

 \frac{1-X_e}{X_e^2} = n_b \left( \frac{1}{m_e} \frac{2\pi \hbar^2}{kT} \right)^{\frac{3}{2}} e^{\frac{\chi_H}{kT}} = 5.4 \cdot 10^{-10}\frac{2\zeta(3)}{\pi^2} \left(\frac{kT}{\hbar c} \right)^3\ \left( \frac{1}{m_e} \frac{2\pi \hbar^2}{kT} \right)^{\frac{3}{2}} e^{\frac{\chi_H}{kT}}


Considerando o momento da recombinação como tendo X = \frac{1}{2}, conseguimos, enfim, resolver essa equação transcendental por iteração, de modo a obter:

 T_{Rec} \approx 4240\,\text{K}


Que corresponde a um redshift:

 \boxed{z_{Rec} \approx 1560}


Que é, evidentemente, uma ótima aproximação!

Comentários

Comente