A ONFIL é uma olimpíada distinta de qualquer outra na medida em que a proposta é da escrita de um ensaio filosófico. Essa abordagem se difere de exercícios de física, linguística ou até filosofia porque permite avaliar a criatividade do autor, bem como suas capacidades redacionais.
Um ensaio filosófico nos moldes da Onfil consiste, essencialmente, em um texto que parte de uma citação para desenvolver uma tese autoral. Ela pode concordar, discordar ou complexificar a citação inicial – o movimento não necessariamente precisa encerrar em uma verdade absoluta.
Em um artigo sobre a Olimpíada Internacional de Filosofia, traduzido pela equipe da Onfil, temos um resumo sobre o ensaio que procuram:
“Na IPO, sua principal tarefa e desafio é escrever um ensaio persuasivo em resposta a um de quatro tópicos filosóficos. Um tópico filosófico, como o apresentado pela IPO, é normalmente um enunciado que pode ser verdadeiro ou falso, mas que é ao menos provocativo; seu propósito é causar uma reação. Se você concorda com o enunciado, sua reação pode ser desenvolver um argumento em sua defesa; se discorda, você pode desenvolver um argumento de oposição ou de crítica ao enunciado do tópico. Talvez você perceba que tem argumentos válidos tanto a favor quanto contra o enunciado filosófico e poderá avaliar os argumentos de ambos os lados. Quer concorde quer discorde, você também pode escolher discutir as consequências do seu argumento ou propor uma posição alternativa. Você pode até mesmo escolher discutir uma perspectiva completamente diferente que possa melhor explicar a tese. Independentemente do tipo de resposta escolhida, você deve demonstrar que compreende plenamente o enunciado do tópico. A partir disso, poderá desenvolver sua posição de forma aprofundada.” (MURPHY, Frank et al. Como escrever um ensaio de Filosofia: um guia para participantes da IPO. Tradução: equipe da ONFIL, 2016. )
Ganha-se também uma liberdade estilística à medida em que o ensaio permite a transparência do subjetivo do autor – ele permite, por exemplo, exemplos pessoais (que não revelem quem está escrevendo). Ainda que seja necessário manter um tom sério ao longo da escrita, são permitidas interjeições, indagações, exclamações, e outros artifícios linguísticos que permitam o autor a expressar a sua própria tese. Essa possibilidade dialoga com o gênero “ensaio”, pois permite diversos movimentos de pensamentos: podem ser usadas perguntas para provocar o leitor, ou para conduzir o fio da argumentação, etc.
Há, contudo, alguns limites. O ensaio precisa ter alguma coerência em relação ao tópico de escolha. Dentro desse tema, é necessário haver uma tese (uma opinião), que se embase em repertório externos e argumentos próprios. Além disso, tipicamente, deve-se seguir uma estrutura com introdução, desenvolvimento e conclusão.
Pronto, agora você sabe o básico sobre um ensaio filosófico! Mas, para aprender a estruturá-lo com uma boa tese, é necessário conferir nossa próxima aula do Curso NOIC de Escrita de Ensaios!
Outras aulas:
Aula 1 – Construção de Tese
Aula 2 – Organização de Argumentos
