Escrito por Akira Ito
Alguns problemas para você praticar a teoria estudada. O grau de dificuldade dos problemas está indicado com asteriscos (*). Problemas com 1 asterisco é o equivalente a um problema de primeira fase de OBF, 2 asteriscos (**) um de segunda fase, e 3 asteriscos (***) um de terceira fase.
Problema 01 *
Provavelmente todos os leitores do NOIC já tiveram dificuldade ao tentar abrir um pote de vidro com uma tampa metálica (azeitonas, palmito, etc). Alguns recorrem à força bruta, mas outros utilizam uma técnica mais elegante: aquecer a tampa (com um secador de cabelo, chama, etc). Após esse aquecimento, é possível abrir o pote com facilidade. Explique o fenômeno.
Quando a tampa é aquecida, ela dilata levemente e diminui o atrito com a boca do pote. Dessa forma, a força necessária para retirar a tampa diminui.
Problema 02 *
(OBF) O coeficiente de dilatação térmico do titânio é de
. Qual é, aproximadamente, a variação no comprimento de
de titânio quando a temperatura variar de
a
?
Utilizando a expressão para dilatação linear de um corpo, temos:

Aplicando os valores,
,
e
, obtemos:


Problema 03 ***
Uma lâmina bimetálica é constituída por uma junção de duas lâminas retilíneas que têm o mesmo comprimento quando estão à temperatura
. Ao aumentar sua temperatura para
a lâmina se curva, formando um arco de circunferência de espessura total
. Supondo que os coeficientes de dilatação linear das lâminas sejam iguais a
e
em que
da junção entre as lâminas. Encontre também o ângulo do arco formado. Desconsidere a dilatação da espessura da lâmina.
Vamos dizer que a distância do ponto até o “centro” das duas placas vale “R”, que é o valor do raio de curvatura, pela figura temos que o valor do arco gerado pela curvatura das placas é:


Em que o novo comprimento da placa é dado pela expressão
, para a parte mais “abaixo”, pois ela é a que menos sofre do efeito de interação com a outra placa, que vai mudar a deformação original. Dividindo as duas equações temos:


E substituindo nosso valor de
na expressão original, temos que:

Se o valor de
se inverter, aparecerá um valor de
negativo, o que significa que a placa vai se encurvar, contudo para o outro lado.


Problema 04 **
O pêndulo de um relógio é feito de cobre e possui período
no inverno. No verão, a temperatura média do relógio aumenta em
e, por conta disso, o período do relógio sofre uma leve alteração (e portanto sua medida de tempo também sofre um desvio). Calcule o novo período do pêndulo sabendo que o coeficiente de dilatação linear do cobre vale
. Diga também se o relógio atrasa ou adianta sua marcação.
O período de oscilação de um pêndulo vale:

Em que
é comprimento do fio e
é a aceleração da gravidade. Assim, no inverno temos que:

No verão, a temperatura média do pêndulo aumenta em
, de forma que o fio metálico dilata e o período de oscilação aumenta. Utilizando a expressão do novo comprimento do fio
, temos:

Note que podemos reescrever a expressão da seguinte maneira:

Como o novo período do pêndulo é maior, ao longo de um dia, ele oscilará menos vezes que o esperado, de forma que ele marcará um valor de tempo menor que o correto. Dessa forma, o relógio atrasa.

O relógio atrasa.
Problema 05 *
Entre duas paredes rígidas são colocadas duas barras metálicas diferentes. Elas possuem comprimentos
e
à temperatura ambiente e coeficientes de dilatação linear
e
, respectivamente. Calcule a variação de temperatura necessária para que as barras se encostem. A distância entre as paredes vale 

Para que as barras se encostem, elas devem preencher o espaço entre as paredes, ou seja:

Em que
e
são os comprimentos das barras após o aquecimento. Podemos utilizar a expressão da dilatação linear das barras:


Assim, temos:


Problema 06 *
Tsuchie possui um triângulo isósceles que é constituído de dois tipos diferentes de arames metálicos. Os lados de comprimento
possuem coeficiente de dilatação linear
enquanto o lado de comprimento
possui um coeficiente
. Calcule qual deve ser a variação de temperatura
que Tsuchie deve fornecer ao sistema para que o triângulo se torne equilátero.
Após a dilatação, os lados devem possui comprimentos iguais. Ou seja:


Igualando as expressões, temos:



Problema 07 **
Mostre que a relação comentada na aula teórica é verdadeira para um paralelepípedo (caixa) feito de material isotrópico:

Em que
é o coeficiente de dilatação volumétrica e
é o coeficiente de dilatação linear do mesmo material.
Suponha que a caixa possui dimensões
,
e
inicialmente. Seu volume é, portanto:

Após o aquecimento do sistema, o volume passará a ser:

Mas também suas dimensões serão alteradas da seguinte forma:



Ou seja, temos que:


Como
e, em geral, as variações de temperatura
não são tão grandes, podemos fazer a seguinte aproximação:

Logo, fazendo algumas simplificações, provamos que:

Problema 08 *
Considere uma esfera de massa
e coeficiente de dilatação linear
. Seu raio vale
quando a temperatura é
. Calcule a densidade dessa esfera em função de uma variação de temperatura
.
Uma consequência interessante do fenômeno da dilatação dos materiais é a alteração de densidade. Pela conservação de massa, um sistema isolado não pode ter sua massa alterada, então, se o seu volume aumenta por meio de um aumento de temperatura, sua densidade será alterada.
Temos a seguinte relação:

Comparando os estados final com inicial, temos:

O volume vale inicialmente
, e, após o aquecimento, ele passa a ser
. Logo:



Problema 09 **
Laerte realizou o seguinte experimento em laboratório. Ele decide encher uma panela cilíndrica de altura
com um líquido de coeficiente de dilatação volumétrica
. Após aquecer o sistema em
graus centígrados, ele esperava que parte do líquido fosse derramar da panela, ele esperava que parte do líquido fosse transbordar da panela pois seu volume aumentaria devido à dilatação volumétrica do fluído. No entanto, ele constatou que, na realidade, a altura do líquido desceu
em relação à borda do recipiente.
Explique o fenômeno e calcule o coeficiente de dilatação volumétrico da panela utilizada por Laerte. Considere que não há perda de massa de água por evaporação.
Quando o sistema é aquecido, pode parecer que o líquido deveria transbordar a primeira vista. No entanto, tanto o líquido quanto a panela esquentam, de forma que ambos dilatam. Nesse sistema, é possível perceber que a panela possui um maior
que o líquido, por isso há uma "sobra" de volume.
A diferença entre o volume final da panela com o volume final do líquido é o espaço vazio da panela, ou seja:

O volume final da panela vale
, em que
é o coeficiente de dilatação volumétrica da panela. O volume final do líquido vale
. Assim, temos:

Resolvendo e simplificando a equação acima, temos:


Problema 10 *
(OBF) Uma placa de metal retangular de espessura constante possui uma abertura quadrada em seu centro. A figura abaixo mostra a placa na temperatura ambiente.
Quando a placa é aquecida homogeneamente, a figura que melhor a representa dilatata é:
Existem duas coisas principais que devemos perceber para marcar o item correto. Primeiramente, devemos notar que o tamanho do buraco aumentará, e isso vale para qualquer formato. Um jeito simples de ver isso é imaginar que o buraco fosse preenchido (ou que fizemos um corte na placa e não retiramos o pedaço interior à ele). A figura abaixo ilustra a situação para um buraco circular. À esquerda, temos a placa sem o furo, apenas com a região circular demarcada em destaque. As linhas vermelhas tracejadas indicam as fronteiras das superfícies após o aumento de temperatura. À direita, temos a mesma situação, mas a região circular não é mais preenchida, deixando um buraco na placa. Perceba que o fato da região não estar preenchida não altera o fato de que suas fronteiras irão expandir da mesma forma que o fariam caso não houvesse o buraco, como mostra a imagem à esquerda. Desse modo, concluímos que o tamanho do buraco deve aumentar.
Em segundo, quando a placa é aquecida de forma homogênea, a dilatação na grande maioria dos materiais ocorre de forma isotrópica; isto é, o coeficiente de dilatação linear é o mesmo em todas as direções. Isso significa que todos os lados do quadrado (de mesmo comprimento) aumentam igualmente de tamanho, e portanto seu formato final ainda deve ser o de um quadrado. Por fim, vemos então que o único item a obedecer tais condições é o Item (d), no qual o buraco mantém seu formato inicial e aumenta em tamanho.
Item (d)
Problema 11 *
Um arame é encurvado em forma de um aro circular de raio
, tendo, porém, um uma forlga
entre suas extremidades, conforme indica a figura abaixo.
Ao aquecer esse arame, é correto afirmar que a medida de
e
, respectivamente:
a) aumentará - não se alterará
b) aumentará - aumentará
c) aumentará - diminuirá
d) não se alterará - aumentará
e) não se alterará - diminuirá
Conforme foi demonstrado no problema anterior, tanto o "buraco" quanto o objeto dilatam quando há um aumento na temperatura, dessa forma,
e
aumentam na mesma proporção. Portanto item b).
Item b)
Problema 12 ***
O Calor nos Aproxima ou nos Afasta?
(Problemas da Semana 167) Daniel é um ávido leitor que adora ler livros de romance. Em muitos desses livros ele vê o calor entre 2 pessoas como sendo algo importante na história que altera as relações dos protagonistas. Ele quer investigar isso na física e para esse fim ele decide adquirir 2 esferas de aço de raio
e decide fazer um experimento com elas: ele deixa uma suspensa e outra no chão, conforme a figura, e fornece a mesma quantidade de calor
para as 2.
Sabendo que o coeficiente de dilatação térmico linear do aço vale
e o calor específico vale
, diga se após o aquecimento as bolas se afastam ou se aproximam, e o quanto se afastam ou aproximam. Você pode desconsiderar os efeitos da gravidade, mas vale a pena pensar como a gravidade influenciaria nesse experimento!
Problema 13 *
A gasolina é vendida por litro, mas em sua utilização como combustível, a massa é o que importa. Um aumento da temperatura do ambiente leva a um aumento no volume da gasolina. Para diminuir os efeitos práticos dessa variação, os tanques dos postos de gasolina são subterrâneos. Se os tanques não fossem subterrâneos:
I. Você levaria vantagem ao abastecer o carro na hora mais quente do dia pois estaria comprando mais massa por litro de combustível.
II. Abastecendo com a temperatura mais baixa, você estaria comprando mais massa de combustível para cada litro.
III. Se a gasolina fosse vendida por kg em vez de por litro, o problema comercial decorrente da dilatação da gasolina estaria resolvido.
Identifique as proposições corretas.
Vamos analisar cada uma das proposições individualmente:
I. Falsa. Conforme foi visto anteriormente nessa lista de exercícios, um aumento na temperatura de um corpo implica uma diminuição na sua densidade (isto é, o objeto se torna "mais leve"). Em um dia quente, a gasolina ficaria menos densa e, portanto, o consumidor pagaria mais do que deveria.
II. Verdadeira. A razão é a mesma da proposição anterior: em um dia frio, a gasolina aumentaria de densidade e o consumidor pagaria menos do que deveria.
III. Verdadeira. A massa de um objeto não varia com a temperatura.
As proposições II e III são corretas.
Problema 14 ***
Até agora assumimos que o coeficiente de dilatação dos materiais é constante, independente da temperatura. No entanto, na vida real, o valor de
pode variar. Suponha que o coeficiente de dilatação linear de um deterinado material varia conforma a seguinte expressão:

Calcule a variação de comprimento de uma barra que foi aquecida da temperatura
até uma temperatura
. O comprimento da barra vale
inicialmente.
Dica: uma pequena variação de comprimento da barra pode ser calculada com a expressão
.
Uma pequena variação no comprimento da barra pode ser calculada como:


Podemos integrar dos dois lados para obter a expressão:
![{\Delta l = l_0 \left[ \alpha_0(T-T_0) + \dfrac{\eta}{2}(T^2-T_0^2) \right] }](https://i0.wp.com/noic.com.br/wp-content/plugins/latex/cache/tex_4328969b6f36c22f9c3c958f11cf3836.gif?ssl=1)
OBS: A solução apresentada utiliza cálculo, mas é possível resolver esse problema com a fórmula da área de um trapézio (assim como a demonstração a expressão horária da posição do MRUV
).
Note que, para valores pequenos de
, a expressão acima se aproxima da fórmula clássica
.
![{\Delta l = l_0 \left[ \alpha_0(T-T_0) + \dfrac{\eta}{2}(T^2-T_0^2) \right] }](https://i0.wp.com/noic.com.br/wp-content/plugins/latex/cache/tex_4328969b6f36c22f9c3c958f11cf3836.gif?ssl=1)
Problema 15 ***
Um termômetro de mercúrio é composto por um bulbo, onde grande parte do mercúrio fica guardado, e de um tubo capilar de paredes de vidro pela qual o mercúrio passa quando dilata. Considere que o volume do mercúrio no seu interior vale
quando a temperatura ambiente é
. Nessa temperatura, a secção transversal de área do tubo vale
.
Seja
o coeficiente de dilatação volumétrica do mercúrio e
o coeficiente de dilatação linear do vidro do qual as paredes do termômetro são feitas. Calcule a altura da coluna de mercúrio
para uma variação de temperatura
.
Após o aquecimento, o volume de mercúrio vale:

Após o aquecimento, a variação do volume de mercúrio vale:

Se o vidro não dilatasse, a altura da coluna de mercúrio seria simplesmente a altura de um prisma de base
e volume
. A expressão incorreta então seria:
(Errado)
Aplicando os valores
,
,
,
,
(todos os valores estão em SI) para obter uma estimativa numérica, encontramos:

No entanto, o vidro também dilata e precisamos levar isso em consideração para obter um termômetro preciso. Assim, o volume do bulbo vale:

Logo, um volume de mercúrio
será expelido para fora do bulbo e formará a coluna do termômetro. Deve-se lembrar também que o diâmetro do tubo dilata, de forma que sua área passa a ser:

Logo, a coluna de mercúrio real vale:

Utilizando os mesmos valores de antes, encontramos:

Note como há um desvio de meio centímetro em relação à situação simplificada!








