Soluções – Astronomia Semana 111

por

Escrito por Lucas Cavalcante

Iniciante

O Sol é um ácido ?

Primeiramente, devemos determinar a quantidade de hidrogênio presente atualmente no Sol. Sabemos que a massa do Sol é composta por 70\% de hidrogênio. Portanto:

N_{H,a} = \dfrac{0,7M_{\odot}}{m_H} \approx 1,4 \cdot 10^{33}

onde m_H é a massa de 1 mol de hidrogênio, equivalente a 1 \; g. Além disso, a principal reação de fusão que ocorre no interior do Sol é:

4 \; ^1\text{H}^+ + 2 \; e^- \rightarrow \; ^4\text{He}^{2+} + 2 \; \nu_e

Uma parte da energia emitida por essa reação é convertida em luminosidade. Assim, podemos encontrar uma expressão para o número de reações que ocorrem (N_r) ao longo da vida do Sol:

L = \dfrac{\Delta E}{\Delta t}

\Delta E = L\Delta t = N_r \times 0,977 \times 26,73 \cdot 10^6 \cdot 1,6 \cdot 10^{-19}

N_r = \dfrac{L \Delta t}{0,977 \times 26,73 \cdot 10^6 \cdot 1,6 \cdot 10^{-19}} \approx 1,3 \cdot 10^{55}

Para cada reação, 4 mols de hidrogênio são convertidos em hélio. Logo, a quantidade total de hidrogênio (N_H) que foi transformada em hélio é:

N_H = 4 N_r = 5,32 \cdot 10^{55}

Por fim, a quantidade de hidrogênio na formação do Sol, considerando o número atual de hidrogênio e a quantidade perdida durante sua vida, é:

N_{H,0} = N_H + N_{H,a} = 5,32 \cdot 10^{55}

O pH do Sol na sua formação, definido como pH = -\log[H^{+}], será dado por:

pH_0 = -\log\left(\dfrac{N_{H,0}}{V}\right) = -\log\left(\dfrac{N_{H,0}}{\dfrac{4\pi R_{\odot}^3 \times 1000}{3}}\right)

\boxed{pH_0 \approx -25,58}

Intermediário

Observação de Obazs Rotieh

a) Conservando a energia e o momento no processo de decaimento, temos as seguintes expressões:

E = E_1 + E_2

p = p_1 \cos\theta_1 + p_2 \cos\theta_2

p_1 \sin\theta_1 = p_2 \sin\theta_2

Podemos encontrar uma relação entre \cos\theta_1 e \cos\theta_2 a partir da conservação do momento na vertical:

p_1 \sin\theta_1 = p_2 \sin\theta_2 \Rightarrow p_1^2 (1 - \cos^2\theta_1) = p_2^2 (1 - \cos^2\theta_2)

\cos^2\theta_2 = 1 -\left(\dfrac{p_1}{p_2}\right)^2 + \left(\dfrac{p_1}{p_2}\right)^2\cos^2\theta_1

Substituindo a expressão obtida e a conservação de energia na conservação do momento na horizontal, sabendo que E_1 = p_1c e que pc = \sqrt{E^2 - (m_0c^2)^2}:

p = p_1 \cos\theta_1 + p_2 \cos\theta_2 \Rightarrow p^2 - 2pp_1\cos\theta_1 + p_1^2\cos^2\theta_1 = p_2^2 - p_1^2 + p_1^2\cos^2\theta_1

E^2 - (m_0c^2)^2 - 2\sqrt{E^2 - (m_0c^2)^2} E_1 \cos\theta_1 = E_2^2 - E_1^2

E^2 - (m_0c^2)^2 - 2\sqrt{E^2 - (m_0c^2)^2} E_1 \cos\theta_1 = (E - E_1)^2 - E_1^2

\boxed{E_1 = \dfrac{m_0^2c^4}{2}\dfrac{1}{E - \cos\theta_1\sqrt{E^2 - (m_0c^2)^2}}}

Analogamente, para o segundo fóton:

\boxed{E_2 = \dfrac{m_0^2c^4}{2}\dfrac{1}{E - \cos\theta_2\sqrt{E^2 - (m_0c^2)^2}}}

b) As condições de energia máxima e mínima ocorrem quando \cos \theta_1 = 1 e \cos \theta_2 = -1, resultando em:

E_{max} = \dfrac{m_0^2c^4}{2}\dfrac{1}{E - \sqrt{E^2 - (m_0c^2)^2}}

E_{min} = \dfrac{m_0^2c^4}{2}\dfrac{1}{E + \sqrt{E^2 - (m_0c^2)^2}}

Dividindo a primeira expressão pela segunda, obtemos:

\dfrac{E_{max}}{E_{min}} = \dfrac{E + \sqrt{E^2 - (m_0c^2)^2}}{E - \sqrt{E^2 - (m_0c^2)^2}}

Como a energia de uma partícula pode ser escrita como E = \gamma m_0c^2, a expressão \sqrt{E^2 - m_0c^2} = pc e o momento pode ser expresso como p = \gamma m_0 v:

\dfrac{E_{max}}{E_{min}} = \dfrac{\gamma m_0c^2 + \gamma m_0vc}{\gamma m_0c^2 - \gamma m_0vc}

\dfrac{E_{max}}{E_{min}} = \dfrac{c + v}{c - v}

\boxed{v = \dfrac{E_{max} - E_{min}}{E_{max} + E_{min}}}

Avançado

Vetores

a) O produto escalar entre dois vetores pode ser escrito como:

\boxed{\vec{A} \cdot \vec{B} = |\vec{A}||\vec{B}|\cos\theta}

onde \theta é o ângulo entre os vetores. Alternativamente, essa operação pode ser expressa como:

\boxed{\vec{A} \cdot \vec{B} = x_A x_B + y_A y_B + z_A z_B}

com x_i, y_i e z_i representando as coordenadas do vetor i nos eixos x, y e z, respectivamente.

Para o produto vetorial, ele também pode ser expresso de duas maneiras:

\boxed{|\vec{A} \times \vec{B}| = |\vec{A}||\vec{B}|\sin\theta}

\boxed{\vec{A} \times \vec{B} = \begin{vmatrix}\hat{x} & \hat{y} & \hat{z} \\x_A & y_A & z_A \\x_B & y_B & z_B\end{vmatrix} = (y_Az_B-y_Bz_A)\hat{x} + (x_Bz_A - x_Az_B)\hat{y} + (x_Ay_B - x_By_A)\hat{z}}

Para determinar a direção do vetor resultante na primeira expressão, deve-se usar a regra da mão direita, indicando que o vetor resultante será perpendicular a ambos os vetores \vec{A} e \vec{B}. Na segunda expressão, como os versores indicam diretamente as componentes nos eixos x, y e z, a direção do vetor resultante é definida pelas coordenadas calculadas.

b) Para encontrar as coordenadas do vetor posição no plano cartesiano, primeiro devemos representá-las no plano:

A partir da imagem, as componentes nos eixos x, y e z são:

\boxed{x = \cos\delta\cos\alpha}

\boxed{y = \cos\delta\sin\alpha}

\boxed{z = \sin\delta}

c) A distância angular entre duas estrelas no céu é o ângulo formado entre os vetores posição das estrelas. A forma mais simples de encontrar esse ângulo é usando o produto escalar, pois assim não é necessário calcular o determinante de uma matriz. Para determinar o ângulo, calculamos o produto escalar a partir da expressão das componentes dos vetores nos eixos x, y e z, obtidas no item \textbf{b}, considerando que os módulos dos vetores são unitários (raio da esfera celeste).

\vec{A} \cdot \vec{B} = |\vec{A}||\vec{B}|\cos\theta

\cos\theta = x_A x_B + y_A y_B + z_A z_B

\cos\theta = \cos\delta_A\cos\alpha_A\cos\delta_B\cos\alpha_B + \cos\delta_A\sin\alpha_A\cos\delta_B\sin\alpha_B + \sin\delta_A\sin\delta_B

Essa expressão é equivalente à fórmula da trigonometria esférica, pois \cos(A - B) = \cos A\cos B + \sin A\sin B. Substituindo esse resultado:

\boxed{\cos\theta = \cos\delta_A\cos\delta_B\cos(\alpha_A - \alpha_B) + \sin\delta_A\sin\delta_B}

d) No caso em que as coordenadas utilizadas são horizontais, as expressões para as componentes dos vetores são semelhantes às coordenadas equatoriais, substituindo \delta por h e \alpha por A. Suponha que utilizamos os vetores \vec{A}, \vec{B}, \vec{C} e \vec{D}, com componentes x_i, y_i e z_i. Para encontrar os pontos em que as trajetórias dos asteroides se cruzam, podemos analisar a situação considerando os planos definidos por essas trajetórias. Os pontos de interseção entre esses planos são determinados pela reta que forma a interseção e tem módulo unitário, já que representa um ponto na esfera celeste.

Para encontrar essa interseção, devemos calcular o produto vetorial entre os vetores normais aos planos. Um vetor normal é perpendicular ao plano e, portanto, ao calcular o produto vetorial de dois vetores posição que pertencem ao plano, obtemos um vetor normal:

\vec{N_1} = \vec{A} \times \vec{B} = (y_A z_B - y_B z_A)\hat{x} + (x_B z_A - x_A z_B)\hat{y} + (x_A y_B - x_B y_A)\hat{z}

\vec{N_2} = \vec{C} \times \vec{D} = (y_C z_D - y_D z_C)\hat{x} + (x_D z_C - x_C z_D)\hat{y} + (x_C y_D - x_D y_C)\hat{z}

Para determinar os pontos de encontro, calculamos o produto vetorial entre \vec{N_1} e \vec{N_2}. Como a reta de interseção está nos dois planos, ela é perpendicular a ambos os vetores normais:

\vec{I} = \vec{N_1} \times \vec{N_2} = (y_1 z_2 - y_2 z_1)\hat{x} + (x_2 z_1 - x_1 z_2)\hat{y} + (x_1 y_2 - x_2 y_1)\hat{z}

Agora, substituímos as expressões dos componentes x_i, y_i e z_i para as coordenadas horizontais:

x = \cos h \cos A, \quad y = \cos h \sin A, \quad z = \sin h

Finalmente, obtemos:

\boxed{\sin h = (y_A z_B - y_B z_A)(x_D z_C - x_C z_D) - (y_C z_D - y_D z_C)(x_B z_A - x_A z_B)}

\boxed{\cos A = \dfrac{(x_B z_A - x_A z_B)(x_C y_D - x_D y_C) - (x_D z_C - x_C z_D)(x_A y_B - x_B y_A)}{\cos h}}

onde x_A = \cos h_1 \cos A_1, y_A = \cos h_1 \sin A_1, z_A = \sin h_1, e assim por diante para os outros vetores.