Soluções – Astronomia 128

por

Iniciante 

Leis de Kepler (12 pontos)

I. Verdadeiro, as Leis de Kepler também são válidas fora do sistema solar, é tanto que elas são utilizadas para fazer estudos cientifícos de outros sistemas, permitindo várias descobertas como a detecção de exoplanetas.

II. Falso, o Sol não está no centro da elipse, mas sim em um dos seus focos.

III. Verdadeiro, a taxa de variação da área varrida pelo tempo pode ser escrita como $$\frac{\Delta A}{\Delta t}=\frac{L}{2m}$$, sendo L o momento angular do objeto. Ou seja, se o momento angular se conserva, o corpo varre áreas iguais em tempos iguais, que é a segunda Lei de Kepler!

IV. Falso, para que a segunda Lei de Kepler seja válida, basta que o momento angular seja conservado, o que também ocorre para órbitas parabólicas e hiperbólicas, ou para qualquer trajetória gerada exclusivamente por uma força central (por exemplo, a força gravitacional).

V. Verdadeiro, a área varrida por um planeta em sua trajetória aumenta com a distância até a estrela e  com a distância percorrida pelo planeta. Ou seja, para que a área varrida seja sempre a mesma em um dado intervalo de tempo, é necessário que a distância percorrida ao longo da elipse seja maior quando o planeta estiver mais próximo e menor quando o planeta estiver mais distante. Portanto, a velocidade diminui com a distância até a estrela, estando a afirmação verdadeira.

Critérios de correção

+2 pontos para cada afirmação corretamente julgada.

Intermediário

Órbita de Marte (18 pontos)

Utilizando a segunda lei de Kepler

$$\frac{\Delta A}{\Delta t}=\frac{A}{T}$$

Onde $$\Delta A$$ é a área varrida, $$A=\pi ab$$ é a área total da elipse e $$T$$ é o período orbital. Para determinamos o tempo $$\Delta t$$, devemos calcular a área varrida $$\Delta A$$ para cada caso.

i) Primeira passagem por um ponto de semi-eixo menor (Ponto A)

Nesse caso, o $$\Delta A$$ será a área hachurada em preto, que pode ser obtida subtraindo a área do quarto de elipse $$\frac{\pi ab}{4}$$ da área do triângulo ACF $$\frac{bc}{2}$$

$$\Delta A = \frac{\pi ab}{4}-\frac{bc}{2}$$

$$\Delta t=\frac{\Delta A}{A}T=(\frac{1}{4}-\frac{e}{2\pi})T$$

O período pode ser calculado com a terceira lei de kepler

$$T^2=a^3\rightarrow T=a^{3/2}$$

Mas antes disso, deve-se calcular o semi-eixo maior

$$a(1-e)=d \rightarrow a=\frac{d}{1-e}=1,524 \;\rm{UA}$$

$$T=1,88\;\rm{anos}$$

Portanto

$$\boxed{\Delta t =0,44\;\rm{anos}}$$

ii) Segunda passagem por um ponto de semi-eixo menor (Ponto B)

Agora, o $$\Delta A$$ será 3/4 da área da elipse mais a área do triângulo BCF

$$\Delta A=\frac{3\pi ab}{4}+\frac{bc}{2}$$

$$\Delta t =(\frac{3}{4}+\frac{e}{2\pi})T$$

$$\boxed{\Delta t = 1,44\;\rm{anos}}$$

Critérios de correção

Cálculo do semi-eixo maior: +1 pontos

Cálculo do período orbital: +1 ponto

Identificação do uso da segunda Lei de Kepler: +3 pontos

Área total da elipse = $$\pi a b$$: +1 ponto

Cálculo da área varrida para a primeira situação: +4 pontos

Cálculo da área varrida para a segunda situação: +4 pontos

Aplicação correta da segunda Lei de Kepler para a primeira situação: +1 ponto

Aplicação correta da segunda Lei de Kepler para a segunda situação: +1 ponto

Valor correto para a primeira situação: +1 ponto

Valor correto para a segunda situação: +1 ponto

Avançado

Elipse Degenerada (40 Pontos)

a) Como a altura de queda $$h$$ é muito menor que o raio da Terra, é válido adotar a aproximação de que a aceleração gravitacional é constante e igual à aceleração na superfície $$g=\frac{GM_T}{R_T^2}$$

Utilizando a equação de cinemática clássica

$$h=\frac{gt^2}{2}\rightarrow t=\sqrt{\frac{2h}{g}}$$

$$\boxed{t=R_T\sqrt{\frac{2h}{GM_T}}}$$

b) A elipse degenerada pode ser esquematizada da seguinte maneira

O objeto parte do repouso do ponto A, que seria o afélio da elipse degenerada, e atinge a superfície da terra em um ponto relativamente próximo ao que seria o periélio (pode-se adotar essa aproximação pois a distância r é muito maior que o raio da Terra. Portanto $$\Delta t = \frac{T}{2}$$

Mas para determinar $$T$$, deve-se descobrir quem é o semi-eixo maior $$a$$, pela figura, tem-se que $$2a=r$$, portanto $$a=\frac{r}{2}$$.

Pela terceira Lei de Kepler 

$$\frac{T^2}{a^3}=\frac{4\pi^2}{GM_T}\rightarrow T=2\pi\sqrt{\frac{GM_T}{a^3}}$$

$$\boxed{\Delta t = \pi \sqrt{\frac{8GM_T}{r^3}}}$$

c) Agora, como a distância inicial é comparável ao raio da Terra, não é mais válido adotar as aproximações usadas anteriormente

Pela figura, $$2a=2R_T\rightarrow a=R_T$$, ou seja, quando o objeto colidir com a superfície da Terra, ele estará a uma distância $$R_T=a$$ do centro da terra, que corresponde ao foco da elipse degenerada. Isso ocorre quando o objeto está no semi-eixo menor da elipse, o que deixa o problema mais simples de resolver, devido à simetria encontrada.

Aplicando a segunda Lei de Kepler, a área varrida será dada por

$$\Delta A =\frac{\pi ab}{4}+\frac{bc}{2}$$

$$t=\frac{\Delta A}{\pi ab}T=(\frac{1}{4}+\frac{c}{2\pi a})T$$

Como a elipse é degenerada, $$e=1\rightarrow c=a$$

Utilizando a terceira Lei de Kepler $$T=2\pi \sqrt{\frac{R^3}{GM}}$$

$$\boxed{\Delta t=\left(\frac{\pi}{2}+1\right)\sqrt{\frac{R_T^3}{GM_T}}}$$

Critérios de correção

a) 

Entender que a situação pode ser modelada com aceleração gravitacional constante: +3 pontos.

$$g=\frac{GM}{R^2}$$: +1 ponto

Identificação de equação da cinemática clássica (MRUV): +1 ponto

Expressão final correta: +1 Ponto

b) 

Entender que a elipse degenerada possui semi-eixo maior $$a=r/2$$: +3 pontos

Entender que o tempo de queda é aproximadamente metade do período: +8 pontos

Aplicação da Terceira Lei de Kepler: +1 ponto

Resposta final correta: +2 pontos

c)

Entender que a elipse degenerada possui semi-eixo maior $$a=R_T$$: +3 pontos

Identificar que o corpo atinge a superfície da terra no ponto de semi-eixo menor: +8 pontos

Cálculo da área varrida: +6 pontos

Aplicação da Terceira Lei de Kepler para encontrar o período: +1 ponto

Expressão final correta: +2 pontos

Internacional

a) A soma das distâncias de cada ponto da elipse aos dois focos é constante e igual a $$2a$$

Aplicando uma lei dos cossenos no triângulo $$PF_1F_2$$

$$(2a-r)^2=(2ea)^2+r^2-2(r)(2ea)cos(180-\theta)$$

$$4a^2-4ar+r^2=4e^2a^2+r^2+4earcos\theta$$

$$a^2-ar=e^2a^2+earcos\theta$$

$$\boxed{r=\frac{a(1-e^2)}{1+ecos\theta}}$$

b) Pela figura fornecida, podemos escrever

$$a\cos(E)=r\cos(\theta)+ae$$

$$a\sin(E)=r\sin(\theta)\frac{a}{b}$$

Onde o fator $$\frac{a}{b}$$ vem do fato das coordenadas y da elipse serem iguais às coordenadas y do círculo, mas multiplicadas por um fator de $$b/a$$, isolando os termos em $$\theta$$

$$r\cos(\theta)=a(\cos(E)-e)$$

$$rsin(\theta)=a\sqrt{1-e^2}\sin(E)$$

Assim:

$$r^2=a^2(cos(E)-e)^2+a^2(1-e^2)\sin^2(E)$$

Utilizando que $$\cos^2(E)+\sin^2(E)=1$$

$$r^2=a^2(1-2e\cos(E)+e^2\cos^2(E))$$

$$r^2=a^2(1-e\cos(E))^2$$

$$\boxed{r=a(1-e\cos(E))}$$

c) Aplicando as condições estabelecidas no enunciado

i) A anomalia média cresce linearmente com o tempo

$$M=k \Delta t$$

ii) Após um período orbital, ela retorna ao mesmo valor

$$M+2\pi =k(\Delta t + T)$$

Subtraindo as equações

$$2\pi = kT \rightarrow k=\frac{2\pi}{T}$$

$$\boxed{M=\frac{2\pi}{T}\Delta t}$$

d) Para calcular a área $$A_2$$, deve-se subtrair a área do setor circular de ângulo $$E$$ da área do triângulo.

$$A_2=\frac{Ea^2}{2}-\frac{a^2\cos(E)\sin(E)}{2}$$

Já a área $$A_1$$, por sua vez, pode ser obtida integrando a equação da elipse

$$\frac{x^2}{a^2}+\frac{y^2}{b^2}\rightarrow y=b\sqrt{1-\frac{x^2}{a^2}}$$

$$A_1=\int_{a\cos(E)}^ab\sqrt{1-\frac{x^2}{a^2}}dx$$

Avaliando o limite superior da integral

$$\frac{a}{2}\arcsin{\frac{a}{a}}+\frac{a}{2}\sqrt{1-\frac{a^2}{a^2}}=\frac{\pi a}{4}$$

Avaliando o limite inferior

$$\frac{a}{2}\arcsin(\cos(E))+\frac{a\cos(E)}{2}\sqrt{1-\cos^2(E)}$$

Subtraindo os limites…

$$\frac{a}{2}\left(\frac{\pi}{2}-\arcsin(\cos(E))-\cos(E)\sin(E)\right)$$

Utilizando a propriedade trigonométrica $$\frac{\pi}{2}-\arcsin(\cos(E))=\arccos(\cos(E))=E$$

Assim

$$A_1=\frac{Eab}{2}-\frac{ab\cos(E)\sin(E)}{2}$$

Portanto

$$\boxed{\frac{A_1}{A_2}=\frac{b}{a}}$$

(e) A área varrida na elipse em função da anomalia excêntrica é dada por

$$A=A_1+ A_3$$

Onde a área $$A_1$$ é a área do setor elíptico deduzida no item anterior

$$A_1=\frac{ab}{2}\left(E-\sin(E)\cos(E)\right)$$

E $$A_3$$ é a área do triângulo formado pela estrela, pelo planeta, e pelo ponto T

$$A_3=\frac{1}{2}(r\cos(\theta))(r\sin(\theta))$$

$$A_3=\frac{ab}{2}(\cos(E)-e)(\sin(E))$$

De acordo com a Segunda Lei de Kepler

$$A=\pi ab\frac{\Delta t}{T}$$

Utilizando a definição de anomalia média $$M=\frac{2 \pi}{T}\Delta t\rightarrow A=\frac{Mab}{2}$$

$$M=\left(E-\sin(E)\cos(E)\right)+(\cos(E)-e)(\sin(E))$$

$$\boxed{M=E-e\sin(E)}$$

(f) Nesse caso, podemos considerar que o objeto está em uma trajetória elíptica de semi-eixo maior $$a=2R_T$$ e excentricidade $$e=1$$ (elipse degenerada)

Calculando a anomalia excêntrica do objeto ao atingir a terra

$$r=a(1-e\cos(E)) \rightarrow R_T=2R_T(1-\cos(E))$$

$$\cos(E)=\frac{1}{2}\rightarrow E=\pm60^\circ$$

Há duas soluções para $$E$$, deve-se adotar a solução negativa $$-60^\circ=300^\circ$$ pois o objeto está se aproximando da Terra. Utilizando a equação de kepler, pode-se calcular a anomalia média final.

$$ M=E-\sin(E)=6,10\;\rm{rad}$$

A anomalia excêntrica inicial é igual à anomalia média inicial ($$E_o=M_o=\pi \;\rm{rad}$$), pois ele parte do apogeu (ponto mais distante da Terra).

Para calcularmos o tempo, pode-se calcular a variação da anomalia média

$$M-M_o=\frac{2\pi}{T}\Delta t=2,96\;\rm{rad}$$

Calculando o período da órbita

$$\frac{T^2}{a^3}=\frac{4\pi ^2}{GM_T}\rightarrow T=2\pi \sqrt{\frac{(2R_t)^3}{GM_T}}$$

$$T=1,43\cdot10^4\;\rm{s}$$

Portanto

$$\Delta t = \frac{\Delta M}{2 \pi}T$$

$$\boxed{\Delta t=6,76\cdot10^3\;\rm{s}}$$

(g) Calculando o período da órbita de Marte

$$T=a^{3/2}=1,88\;\rm{anos}$$

A anomalia média após um ano será, então

$$M=\frac{1}{1,88}2\pi=3,34\;\rm{rad}$$

Aplicando a Equação de Kepler

$$E=M+e\sin(E)$$

Por iteração, descobre-se que $$E= 3,32\;\rm{rad}$$

Determinando a distância

$$r=a(1-e\cos(E))=1,663\;\rm{UA}$$

Já para a anomalia verdadeira

$$r=\frac{a(1-e^2)}{(1+e\cos(\theta))}$$

$$cos(\theta)=\frac{1}{e}\left(\frac{a(1-e^2)}{r}-1\right)\rightarrow \theta = 189,5^\circ$$

$$\boxed{r=1,663\;\rm{UA}}$$

$$\boxed{\theta=189,5^\circ}$$

Critérios de correção

a)

A soma das distâncias de cada ponto da elipse aos dois focos é constante e igual a $$2a$$: +1 ponto

Marcação correta dos elementos no triângulo: +2 pontos

Aplicação da lei dos cossenos no triângulo: +3 pontos

Fazer o desenvolvimento algébrico necessário para chegar na resposta final: +4 pontos

b)

Expressão para $$a\cos(E)$$ em termos de $$e, r, \theta$$: +2 pontos

Expressão para $$a\sin(E)$$ em termos de $$e, r, \theta$$: +2 pontos

Expressão para $$r^2$$: +2 pontos

Desenvolvimento Algébrico: +2 pontos

Conclusão correta: +2 pontos

c)

+2 Aplicação da condição de crescimento linear

+2 Aplicação de retorno ao mesmo valor após um período

+1 Resposta final correta

(Ou +5 pontos caso o aluno escreva direto a resposta correta)

d)

Cálculo da área $$A_2$$: +4 pontos

Chegar na integral para o cálculo da área $$A_1$$: +5 pontos

Avaliação dos limites de integração para chegar na expressão correta para a área $$A_1$$: +6 pontos

Conclusão correta: +3 pontos

e)

Cálculo da área varrida A em termos de $$E$$ e $$e$$: +6 pontos

Uso da Segunda Lei de Kepler: +1 ponto

Uso do conceito de Anomalia Média: +1 ponto

Conclusão Correta: +2 ponto

f)

Semi-eixo maior $$a=2R_T$$: +1 ponto

Excentricidade $$e=1$$: +1 ponto

Anomalia excêntrica e anomalia média inicial $$E_o=M_o=\pi \;\rm{rad}$$: +2 pontos

Cálculo da anomalia excêntrica final: +5 pontos

Uso da equação de kepler para cálculo da anomalia média final: +3 pontos

Cálculo do período orbital: +1 ponto

Cálculo do tempo de queda: +2 pontos

g)

Cálculo do período orbital: +1 ponto

Cálculo da anomalia média após 1 ano: +1 ponto

Processo iterativo para determinar $$E$$: +4 pontos

Distância Correta: +2 pontos

Equação polar da elipse: +2 pontos

Anomalia verdadeira correta: +2 pontos

Comentários

Comente