Soluções – Semana 122

por

Escrito por Felipe Maia

Iniciante

Corrida Terreno-Marciana


Igualando a força gravitacional a força centrípeta

\[\frac{GM_\odot M_\oplus}{a_\oplus^2} = M_\oplus \omega_\oplus^2a_\oplus\]

Resolvendo para a velocidade angular da Terra, \(\omega_\oplus\),

\[\omega_\oplus = \sqrt{\frac{GM_\odot}{a^3_\oplus}}\]

Similarmente, para Marte,

\[\omega_M= \sqrt{\frac{GM_\odot}{a_M^3}}\]

A velocidade angular relativa será justamente a diferença entre esses dois valores,

\[\boxed{\omega_{rel} = \omega_\oplus – \omega M = \sqrt{GM\odot\left(\frac{1}{a_\oplus^3}-\frac{1}{a_M^3}\right)}}\]

Resolvendo numericamente, chegamos em \(\boxed{\omega_{rel} = 1,67\cdot 10^{-7}\text{ rad/s}}\).

Intermediário

Olhando para o céu

a) A linha verde é a eclíptica.

b) 13 constelações: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Lira, Escorpião, Ophiucus, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes.

c) A linha cinza é a linha do equador.

d) 15 constelações: Aquário, Águia, Cão Menor, Baleia, Erídanos, Hydra Fêmea, Leão, Unicórnio, Ophiucus, Órion, Peixes, Serpente, Sextante, Touro e Virgem.

Para os próximos itens, vamos se basear na figura.

A imagem já contei todas as marcações necessárias. Agora, vamos explicar como se deve fazer as devidas marcações em uma carta celeste.

e) Sabemos que o Equador Celeste passa pelos pontos Leste e Oeste. Podemos observar o Cruzeiro do Sul na parte de baixo da carta, sugerindo que o Sul está para baixo, consequentemente, o Norte deve estar acima. Mas temos que nos lembrar que na carta celeste, o Leste e o Oeste são “invertidos”. Pois estamos vendo o Céu “de cima”. Os pontos foram marcados na imagem de apoio.

f) Para achar a latitude, vamos pegar o circulo máximo que contem o Zênite (encontrado a partir do método das cordas) e os pontos cardeais Norte e Sul. A distância entre o Equador e o Zênite é a própria Latitude! Fazendo as medidas, podemos encontrar \(x = 0,0889 R\). Uma vez que as distâncias zenitais não são alteradas na projeção de Aire, podemos fazer uma regra de três. Desse modo,

\[\phi = 90^\circ \cdot \frac{x}{R} = 8^\circ\]


Podemos perceber que o Polo Visível é o Sul (prolongando o cruzeiro 4,5x). Logo, o valor da latitude é \(\phi = 8^\circ S\).

Avançado

Mauí e pupílas dilatadas

Precisamos encontrar a diferença de área da pupila de Mauí. A quantidade de luz que chega aos nossos olhos é proporcional a área da pupila, desse modo, é coerente pensar que,

\[m_{PL} – m_{lim} = -2,5 \log \frac{F_{PL}}{F_{lim}}\]

Usando que \(F_i = P_0/A_i\), temos,

\[m_{PL} – m_{lim} = 2,5\log \dfrac{A_{PL}}{A_{lim}}\]

\[A_{PL} = A_{lim}\cdot 10^{0,4(m_{PL}-m_{lim})}\]

Substituindo os valores, onde \(A_{lim} = \pi D_{lim}^2/4\), obtemos, \(A_{PL} = 7,1\text{ mm}^2\). Usando o mesmo método para a segunda situação,

\[A_{YF} = A_{lim}\cdot10^{0,4(m_{YA}-m_{lim})}\]

Numericamente, \(A_{YF} = 17,8\text{ mm}^2\). Agora, podemos pegar os diâmetros das pupilas. Isolando, \(D\), obtemos, \(D = 2\sqrt\frac{A}{\pi}\). Ou seja, \(D_{PL} = 3,0\text{ mm}\rightarrow R_{PL} = 1,5\text{ mm}\) e \(D_{YA} = 4,8\text{ mm} \rightarrow R_{YA} = 2,4\text{ mm}\). Como vamos assumir a velocidade constante, temos,

\[\boxed{v = \frac{\Delta R}{\Delta t} = \frac{R_{YA} – R_{PL}}{3\text{ s}} = 0,3\text{ mm/s}}\]

Internacional

Cosmologia parcialmente focada

a) O Parâmetro de Densidade é dado por,

\[\Omega = \frac{\varepsilon}{\varepsilon_c}\]


Isolando \(\varepsilon\) na equação de Friedmann,


\[H^2 = \frac{8\pi G\varepsilon}{3c^2} – \frac{kc^2}{a^2}\]


\[\varepsilon = \frac{3c^2}{8\pi G}\left(H^2+\frac{kc^2}{a^2}\right)\]


Recordando-nos que \(\varepsilon_c\) corresponde a densidade de energia de um universo plano, i.e. \(k=0\), temos,


\[\Omega = \frac{\varepsilon}{\varepsilon_c} = \frac{H^2+\frac{kc^2}{a^2}}{H^2} = 1+\frac{kc^2}{H^2a^2}\]


Isolando \(H^2\) chegamos ao resultado desejado,

\[\boxed{H^2 = \frac{kc^2/a^2}{\Omega -1}}\]


b) No momento atual, \(a=1\). Desse modo,


\[H_0^2 = \frac{kc^2}{\Omega_0-1}\rightarrow kc^2 = H_0^2(\Omega_0-1)\]


Trabalhando na expressão do item anterior,

\[a^2 = \frac{kc^2}{\Omega-1}\frac{1}{H^2} = \frac{\Omega_0-1}{\Omega-1}\left(\frac{a}{\dot a}\right)^2 H_0^2\]


Como o universo é feito apenas de matéria \(\Omega = \Omega_0 a^{-3}\)

\[\dot a^2 = \frac{\Omega_0-1}{\Omega_0/a^3 – 1}H_0^2\]


Reorganizando a expressão,

\[\dot a^2 = H_0^2\left(\frac{\Omega_0}{a}-(\Omega_0-1)\right)\]

\[\frac{da}{dt} = H_0\sqrt{\frac{\Omega_0}{a} – (\Omega_0-1)}\]


Em um universo fechado, o mesmo expande até certo ponto e depois começa a contrair. Portanto, é correto afirmar que existe um valor de raio máximo, correspondente a \(a_{max}\rightarrow \left.\frac{da}{dt}\right|{a=a{max}} =0\). Analisando a expressão de \(a\), \(a(\theta) = A_1 (1-\cos\theta)\) podemos perceber que o valor máximo corresponde à \(\theta = \pi\), onde \(a_{max} = a(\pi) = 2A_1\). Igualando a nossa derivada a 0,


\[0 = H_0\sqrt{\frac{\Omega_0}{a_{max}} – (\Omega_0-1)}\]

Logo,

\[\frac{\Omega_0}{a_{max}} = \Omega_0-1\rightarrow a_{max} = \frac{\Omega_0}{\Omega_0-1}\]

Substituindo \(a_{max} = 2A_1\), obtemos,


\[\boxed{A_1 = \frac{1}{2}\frac{\Omega_0}{\Omega_0-1}}\]


Agora, para encontrarmos a constante \(A_2\) vamos utilizar do fato que,


\[\frac{da}{dt} = \frac{da/d\theta}{dt/d\theta}\]


Pelas expressões de \(a\) e \(t\), podemos encontrar,


\[\frac{da}{d\theta} = A_1\sin\theta\]


\[\frac{dt}{d\theta} = A_2(1-\cos\theta)\]


Logo,


\[\frac{da}{dt} = \frac{A_1}{A_2}\frac{\sin\theta}{1-\cos\theta}\]


Igualando as expressões de \(da/dt\),


\[\frac{A_1}{A_2}\frac{\sin\theta}{1-\cos\theta} = H_0\sqrt{\frac{\Omega_0}{A_1(1-\cos\theta)}-(\Omega_0-1)}\]


Podemos simplificar essa expressão usando que \(A_1 = \frac{1}{2}\frac{\Omega_0}{\Omega_0-1}\), isolando \(\Omega_0-1 = \frac{\Omega_0}{2A_1}\),


\[\frac{A_1}{A_2}\frac{\sin\theta}{1-\cos\theta} = H_0\sqrt{\frac{\Omega_0}{A_1(1-\cos\theta)}-\frac{\Omega_0}{2A_1}}\]


Simplificando dentro da raiz,

\[H_0\sqrt{\frac{\Omega_0}{A_1(1-\cos\theta)}-\frac{\Omega_0}{2A_1}} = H_0\sqrt{\frac{\Omega_0}{A_1}\left(\frac{1}{1-\cos\theta} – \frac{1}{2}\right)}\]


\[ = H_0\sqrt{\frac{\Omega_0}{2A_1}\left(\frac{2-(1-\cos\theta)}{1-\cos\theta}\right)} = H_0\sqrt{\frac{\Omega_0}{2A_1}\left(\frac{1+\cos\theta}{1-\cos\theta}\right)} \]


Agora, fora da raiz, vamos utilizar a identidade \(\sin\theta = \sqrt{1-\cos^2\theta} = \sqrt{(1+\cos\theta)(1-\cos\theta)}\),


\[\frac{A_1}{A_2} \frac{\sqrt{(1+\cos\theta)(1-\cos\theta)}}{1-\cos\theta} = \frac{A_1}{A_2}\sqrt\frac{1+\cos\theta}{1-\cos\theta}\]


Ou seja, os termos envolvendo \(\theta\) se cancelam! Igualando as expressões,


\[\frac{A_1}{A_2} = H_0\sqrt\frac{\Omega_0}{2A_1}\]


Resolvendo para \(A_2\),


\[A_2 = \frac{1}{H_0}\sqrt{\frac{2A_1^3}{\Omega_0}}\]


Por fim, substituindo \(A_1\),


\[\boxed{A_2 = \frac{1}{2H_0}\frac{\Omega_0}{(\Omega_0-1)^{3/2}}}\]


Assim, as expressões de \(a(\theta)\) e \(t(\theta)\) são,


\[\boxed{a(\theta)= \frac{1}{2}\frac{\Omega_0}{\Omega_0-1}(1-\cos\theta) \ \ \ ; \ \ \ t(\theta) = \frac{1}{2H_0}\frac{\Omega_0}{(\Omega_0-1)^{3/2}} (\theta-\sin\theta)}\]


c) Como vimos no item anterior, \(a_{max} =2A_1\). Atualmente, temos \(a=1\), então a razão entre o raio máximo e o raio atual, é


\[\boxed{\frac{R_{max}}{R_0}=a_{max} = \frac{\Omega_0}{\Omega_0-1}}\]

d) O universo se torna uma singularidade quando \(a=0\). Isso ocorre quando \(\theta = 0\) ou \(\theta = 2\pi\). Atualmente, \(a=1\), o ângulo \(\theta_0\) então corresponde a

\[1 = \frac{1}{2}\frac{\Omega_0}{\Omega_0-1}(1-\cos\theta_0) \rightarrow \theta_0 = \cos^{-1}\left(1 – \frac{2(\Omega_0-1)}{\Omega_0}\right)\]


Isso é certamente \(>0\), assim a solução que queremos é \(\theta = 2\pi\). O tempo restante de vida do universo, é dado então por,


\[\Delta t = t(2\pi) – t(\theta_0)\]


\[\boxed{\Delta t = \frac{\Omega_0}{2H_0(\Omega_0-1)^{3/2}}\left[2\pi – \cos^{-1}\left(1 – \frac{2(\Omega_0-1)}{\Omega_0}\right) + \sin\left(\cos^{-1}\left(1 – \frac{2(\Omega_0-1)}{\Omega_0}\right)\right)\right]}\]

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